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Evento cancelado em cima da hora frustra atletas do jiu-jitsu

Thiago Batista | 26/04/2020 | 09:00

Para os lutadores do jiu-jitsu, assim como para a maioria dos atletas, o maior inimigo da atualidade tem sido a falta de treinos e de competições. Com eventos oficiais sendo cancelados por conta da pandemia do novo coronavírus, eventos esportivos não ocorrem para evitar aglomerações e a circulação de pessoas de várias lugares do mundo.

Um evento que não pode ser realizado, por exemplo, foi o Pan-Americano de Jiu-Jitsu, previsto para acontecer em março deste ano nos EUA. Uma frustração para quem se preparou por meses para entrar no tatame e brilhar no lugar mais alto do pódio.

Foi o que aconteceu com o lutador Guilherme Ferrarezi Botrel, de 27 anos, que há quatro anos treina com foco na competição. Em novembro do ano passado, através de uma seletiva, ganhou a passagem para disputar o Pan. Ele conta que montou um cronograma de treinamento, porém a chegada da covid-19 colocou tudo a perder.

“Vinha me preparando muito para essa competição, mas depois eu observei que a interrupção do campeonato foi correta. Na época ninguém tinha noção da proporção dessa pandemia, só que algumas semanas depois já estava em todos os lugares”, conta.

Outro competidor que havia conquistado a classificação para o evento é Thiago Koch. O lutador de 33 anos ficou por 90 dias treinando para o campeonato, mas uma semana antes da viagem para o território norte-americano o evento foi cancelado, tirando a chance dele competir fora do país. “Seria um sonho lutar fora e fazer uma viagem para os EUA. Me preparei bastante para competir, pois antes do Ano Novo estava todos os dias realizando treinos específicos para a competição. Me dediquei não apenas aos treinos técnicos, mas também às atividades físicas e um cuidado maior com alimentação. A minha meta era ser campeão”, explica.

Segundo Koch, a passagem que ele havia ganho pode ser remarcada até o final do ano. “Não sei se poderei usufruir para utilizar em um evento esportivo, pois não sabemos como será a progressão desta pandemia e quando vai terminar. Ainda não tenho certeza se o ano esportivo está perdido, somente acredito que eventos grandes não devem ocorrer”, disse.

Morando nos Estados Unidos, o lutador e professor Antônio Crivelari Junior, o Juninho Crivelari, de 35 anos, um dos nomes de peso da modalidade de Jundiaí, estaria mais uma vez competindo no Pan. Ao lado de atletas de outros países e até de alguns alunos de sua academia, ele enfatiza que o seu retrospecto na competição em anos anteriores era bastante favorável.

“Em 2018 eu ganhei a categoria que disputei e no ano seguinte eu enfrentei um aluno nas quartas de final. Ele passou de fase terminando como campeão. Este ano eu iria brigar pelo título novamente”, conta.

Juninho conta o que alguns atletas ainda sentem pelo cancelamento da competição, principalmente por ter sido em cima da hora. “Muita gente perdeu passagem, inclusive alguns tinham até estada paga. No início da minha carreira eu concretizei o meu sonho que era lutar no Pan e sei os sentimentos de muitos”, declara.

O bom resultado em uma seletiva fez com que um dos alunos de Crivelari, Leko Okada, de 42 anos, conseguisse uma viagem para disputar o campeonato esportivo. Ele somente teve que desembolsar os pagamentos da taxa da viagem e inscrição, mas o cancelamento em cima da hora frustrou os planos que tinha em mente. “Não tem nem como expressar o que eu sinto com o cancelamento da competição”, afirma.

Ele conta que se preparou por dois meses e meio para toda a disputa. “Comecei a treinar em janeiro, com atividades de musculação e competição e era de forma diária e intensa, pois é um evento de alto nível. Eu queria chegar bem preparado para não decepcionar”, explica.

O atleta estava focado no campeonato, mas o planejamento foi desperdiçado por conta da pandemia do novo coronavírus. O lutador conta que já recebeu de volta o valor da inscrição totalizada em 106 dólares. “Eu tenho até dezembro o direito de marcar uma nova viagem para o campeonato e espero não perder o investimento financeiro que realizei. Só que de forma geral fico triste, pois é ruim se preparar para algo e não poder concluir o seu trabalho”, diz.

Sem frustrações
Como professor de jiu-jitsu em uma academia na Califórnia, Juninho Crivelari sabe o quanto um atleta se dedica a disputa de uma competição, especialmente um evento internacional. “O atleta bota todo seu suor, seu espírito. Ele chega a perder peso para estar na melhor forma possível. É toda uma programação voltada para aquele período”, detalha.

Caso a competição seja remarcada, o que pode ocorrer em outubro, Juninho explica que uma preparação de dois meses seria o ideal. Sobre como lidar com a frustração de não ter o evento, o professor conta que o mais importante é manter a cabeça e o corpo ativos na medida do possível. “Neste momento procuro dar suporte com aulas on-line para não perder o contato com os alunos. O evento foi cancelado não por uma questão humana, ou de organização da entidade, e sim por algo de saúde. Todos os participantes precisam entender a situação que estamos vivendo e bola para frente”, afirma.

Botrel acredita que seu esporte seja um dos últimos a ter autorização até para treinos técnicos. “A academia onde treino está fechada por conta das restrições governamentais. A nossa modalidade é de muito contato físico. Eu acredito que provavelmente seja uma das últimas áreas a voltar ao normal. Eu não temo pela nossa modalidade, por mais difícil seja a situação, acredito que iremos sair mais forte de tudo no fim”, conta confiante.


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