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Geilson corre atrás dos sonhos

| 16/10/2014 | 23:06

A corrida de rua é uma realidade para Geilson dos Santos, de 22 anos, morador de Campo Limpo Paulista, que vem apresentando bom desempenho. Em casa, ele acumula diversos troféus. O último foi conquistado no domingo: segundo lugar geral nos 10 km da tradicional Corrida Santos Dumont, na Capital.

Porém, a prática de esportes nem sempre esteve presente na vida de Geilson. Nascido e criado em Governador Mangabeira, cidade de 21 mil habitantes, no interior da Bahia, o corredor viveu uma infância de trabalho duro na roça. Até os 16 anos, conciliou a escola com o trabalho. Com a morte do pai, no entanto, a situação da família ficou ainda mais difícil. “Quando perdi meu pai, tive de assumir tudo. Trabalhava para por comida dentro de casa”, recorda Geilson.

Foi em meio a essa dificuldade que ele teve o primeiro contato com a corrida. Um professor viu o garoto desanimado pela perda do pai e com as dificuldades que relatava passar em casa e o convidou para correr. “Na primeira vez, não aguentei correr, mas ele viu que eu tinha futuro e insistiu comigo”, diz o jovem.

Com a prática constante, Geilson foi disputar a primeira competição: a corrida “Amigos de Vitorino”, onde conheceu o criador da prova e um dos seus incentivadores. “Ele (Vitorino) me convidou para participar de várias competições, me levava para Salvador e outras cidades, e, assim, foi aumentando a minha paixão pelo esporte.”

Vendo o esforço de Geilson, Vitorino convidou o garoto para vir a São Paulo. O jovem aceitou o convite, mas não ficou por muito tempo. “Quando cheguei, estava com um emprego em vista em uma farmácia que apoiava atletas aqui, mas quando cheguei, fui rejeitado por não ter segundo grau e por ter 11 dentes ruins”, conta.

Após alguns meses trabalhando em um lava-car, Geilson resolveu voltar para a Bahia. Lá, viu a mãe, Luciene Rocha dos Santos, em uma situação difícil. Mesmo assim, o atleta não largou os treinos. Foi então que veio o incentivo mais forte para seguir com o sonho. “Minha mãe via que eu treinava todo dia. Então, ela chegou e disse: ‘Filho, se esse é o seu sonho, vai em busca dele, volta para São Paulo e tenta mais uma vez’. Isso fez com que eu esteja aqui hoje”, lembra, emocionado.

Apoio – Retornando para São Paulo, Geilson acabou por morar em Campo Limpo Paulista, com a família que o acolheu desde que chegou à Capital paulista. Então, corredor voltou às rotinas de treino, mas pensou em abandonar o esporte mais uma vez por não conseguir um emprego. “Eu estava quase desistindo pela segunda vez quando conheci a Zenaide Vieira (medalha de bronze nos 3 mil metros com obstáculos no Pan-Americano do Rio, em 2007) e ela me apresentou ao Clodoaldo (Lopes do Carmo, treinador da equipe do Pinheiros), com quem treino hoje”, diz.

O atleta treina diariamente no ginásio esportivo de Campo Limpo Paulista, às vezes no Bolão, e tenta patrocínio para continuar correndo. “Hoje eu busco apoio para conseguir correr, pois sobrevivo das premiações das provas. Se ganho, tenho dinheiro; se não ganho, não tenho como sobreviver”, afirma. Os interessados em oferecer patrocínio podem entrar em contato com Geilson pelo telefone (11) 98329-6262 ou com o Fernando pelo (11) 4812-6457.


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