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Interesse pelo futebol americano aumenta entre as mulheres

Thiago Batista | 02/02/2020 | 07:00

O futebol americano é visto como um esporte exclusivamente masculino, seja para jogar ou mesmo para acompanhar. Só que a cada dia as mulheres se interessam mais pela modalidade. Os canais da televisão paga que transmitem a NFL (principal liga norte-americana) registraram aumento de 18% de audiência do sexo feminino nos últimos dois anos. O ápice é neste domingo (2) com a realização do Super Bowl, que ocorre às 20 horas, em Miami, entre San Francisco 49ers e Kansas City Chiefs.

A paixão pela bola oval pode ser logo no primeiro contato. Foi o caso de Helena Siqueira, de 18 anos. Ela conheceu a modalidade há quatro anos na escola. “Nosso professor de educação física, Davi Almeida, criou um projeto de flag football (uma variante do futebol americano) para usar nas aulas. Eu conheci e nunca mais larguei”, conta a estudante de Campo Limpo Paulista.

O aumento de interesse do futebol americano entre as mulheres é confirmado em números. A NFL acredita que 45% de sua audiência global seja feminina. Na edição de número 51 do Superbowl – como é conhecida a final da competição -, vencido pelo New England Patriots em 2017, quatro em cada dez pessoas que acompanharam no Brasil eram mulheres.

“Em uma palestra foi falado para a gente do crescimento da modalidade tanto em audiência para acompanhar os jogos como também entre gente que deseja jogar. Atualmente temos times exclusivamente femininos no Brasil”, diz Helena, que joga atualmente por uma equipe flag em São Paulo.

Outra que conheceu a bola oval na escola foi Luana Lima. Logo no primeiro encontro ela percebeu que o futebol americano era o seu esporte. “O projeto foi criado na escola há três anos. Só ano passado fui assistir a um treino e depois participei de uma atividade para nunca mais desistir. Foi paixão à primeira vista.”

Após a primeira aula, Luana queria logo jogar, mas o pouco tempo a fez realizar um ‘curso intensivo’ para conhecer tudo sobre a modalidade e também a sua torcida por um dos times da liga norte-americana. “Como eu era um peixe fora d’água eu já queria jogar e fui estudar as regras, além ver os jogos dos 32 times da NFL por uma semana. E me apaixonei pelo Green Bay Packers que é o meu time”, completou. Além de Luana, Helena também torce para os ‘cabeças de queijo’ (apelido do time) que venceu quatro vezes o Super Bowl.

Rafaela Cavichio, de 20 anos, trabalha com o marketing do Ocelots, time de futebol americano masculino de Jundiaí. Conheceu o jogo através de conhecidos. “Começou por influência de um amigo muito próximo, do qual eu considero tio. Ele trabalha na área de esportes, e, como gosto de marketing, tudo se uniu”, afirma ela, que participa de todas as ações que envolvem a imagem do clube, como as ações sociais – como campanhas de doação de sangue.

A dinâmica do jogo fez Rafaela sempre acompanhar as partidas da NFL. “Gosto muito da técnica que tem o esporte. É uma partida de inteligência, são três times – defesa, ataque e especialistas, que atuam em um só”, diz ela que é torcedora do New York Giants, campeão por quatro vezes da NFL. “Assistindo a um filme quando criança lembro de gente torcendo pelo Giants e depois veio a paixão. Era algo que já estava no coração”, recorda.

Uma das vontades de Rafaela é acompanhar uma partida de futebol americano nos Estados Unidos. “Tenho um desejo grande de assistir a uma partida de ‘college’ (universitário) com quem conhece o esporte, sabe a intensidade que existe ali”, afirma.

Torcedores ansiosos pela final

Torcedores de San Francisco 49ers e Kansas City Chiefs estão ansiosos pelo Super Bowl 54 e com a chance de ver seu time ser campeão. Ricardo Zulu é torcedor dos 49ers enquanto Luiz Henrique Pacheco da Silva é fã dos Chiefs.

Zulu tem 39 anos e acompanha desde criança o futebol americano. Torcedor do San Francisco 49ers diz que a paixão começou no videogame.

“O fanatismo começou com o jogo com Joe Montana, um dos maiores jogadores da história da NFL, no Master System. A partir daí o ‘game’ e a equipe viraram obsessões”, relembra.

Atleta do Ocelots para a disputa da São Paulo Football League (SPFL) de 2020, Zulu conta que viu grandes formações dos 49ers, que conquistou cinco títulos entre os anos 1980 e 1990.

“Eu fui um dos privilegiados que conseguiu acompanhar um pouco o final da carreira do Joe Montana e o começo da carreira de Steve Young, outro ídolo do time. Além de jogadores como Jerry Rice que até hoje é lembrado como um dos melhores”, conta.

A paixão de Luiz Henrique Pacheco da Silva pelo Kansas City Chiefs tem em especial um brasileiro que atua na liga americana: Cairo Santos. “Comecei a assistir futebol americano por influência de um amigo meu que joga atualmente no Ocelots. No começo não torcia para nenhum time, mas depois que o Cairo acabou indo pra NFL, comecei a torcer por ele e a paixão ficou”, lembra.

O estudante de 19 anos acredita que seu time tem mais chances de vencer, por conta do quarterback Patrick Mahomes. “Ele tem leitura, dedicação e porque quando chegou na liga não estava pronto, mas ele trabalhou muito e hoje é atleta de elite.”

54ª edição do Super Bowl reúne times com estilos opostos

O Super Bowl 54 terá frente a frente dois times que mostraram virtudes opostas durante toda a temporada. O Kansas City Chiefs tem um ataque bastante explosivo enquanto o San Francisco 49ers tem uma defesa que sempre parou os sistemas ofensivos rivais. A partida ocorre nesta noite, em Miami, a partir das 20h (de Brasília).

As campanhas dos dois times são praticamente semelhantes. Cada time jogou 18 vezes na temporada, sendo que Kansas venceu 14 vezes e San Francisco somente foi derrotado em três oportunidades.

Os Chiefs venceram a Conferência Americana, sendo que nos playoffs passaram pelo Houston Texans na semifinal por 51 a 31, e do Tennessee Titans na decisão por 35 a 24. Em ambos os jogos o time foi sempre liderado pelo seu quarterback (o lançador) Patrick Mahomes.

“Agora, tenho total foco em garantir que nós da comissão técnica e os jogadores façamos um bom trabalho no Super Bowl”, declarou o treinador do time Andy Reid.

O San Francisco ganhou a Conferência Nacional, sendo que nos playoffs superou o Minnesota Vikings nas semifinais por 27 a 10 e o Green Bay Packers na final por 37 a 20. Nesta pós-temporada o time teve boa presença do defensive back Richard Sherman com duas interceptações (roubos de bola pelo ar).

Reid pregou respeito ao quarterback do time adversário, Jimmy Garoppolo. “Se você olhar os números de Jimmy, sua porcentagem de acerto e todas estatísticas sobre ele, você percebe que ele é um grande quarterback passando a bola”, disse.

Palpites
As torcedoras Helena Siqueira, Luana Lima e Rafaela Cavichio têm um palpite em especial para o Super Bowl.

Para Rafaela, o seu carinho é pelos Chiefs. “Ano passado está engasgado o que ocorreu com o Kansas ao não ir para o Super Bowl ao perder na prorrogação”, lembra. Helena e Luana têm.

“O San Francisco eliminou o nosso time (Green Bay), mas vou torcer para os 49ers”, diz Helena.

Saiba o objetivo do jogo e a pontuação

O jogo de futebol americano tem 60 minutos de duração e é disputado em quatro períodos de 15 cada. O campo possui 120 jardas (109,7 metros) de comprimento por 53,5 jardas (48,92 metros de largura). Cada jarda equivale a 0,9144 metros.

As linhas são marcadas a cada múltiplos de cinco e os de 10 numerados no gramado. O campo tem duas ‘endzones’ – área no fim das duas pontas com dimensões de 10 jardas e duas traves em forma de “Y”.

Objetivo do jogo

O futebol americano é um esporte de conquista de território. O principal objetivo é simples: chegar o maior número de vezes na endzone do adversário. Quanto mais o time conseguir fazer isso, mais pontos ele somará. Cada lance de ataque o time tem como objetivo mínimo conquistar 10 jardas e para continuar atacando e avançando sobre o campo defendido pelo rival. Para isso terá quatro chances, sendo que o ataque são duas possibilidades: passe ou corridas. Caso não consiga avançar as 10 jardas em quatro tentativas, o time perde a posse de bola e é a vez do time adversário colocar o ataque no gramado.

Pontuação
Existem três formas de pontuar em uma partida de futebol americano:
– Touchdown (o gol do futebol americano): vale 6 pontos para o time que anotar. Após o touchdown a equipe tem duas opções para anotar pontos extras. Um chute simples acertando dentro do “Y” (1 ponto) ou entrar novamente na endzone (2 pontos).

– Field goal (chute de campo): Vale 3 pontos. O chutador é responsável pela execução e precisa fazer o chute passar por dentro da trave em formato de “Y”, que fica no fundo do campo.

– Safety (equivalente ao gol contra): O safety é a única pontuação exclusivamente de defesa. Rende dois pontos ao time quando consegue executar um tackle (derrubar o rival) ou tirar o adversário de campo dentro da própria endzone.

Elencos
Pode não parecer, mas cada time possui apenas 11 jogadores em campo por jogada (mais do que isso é falta). O elenco possui no total 53 atletas, desses apenas 46 são relacionados para as partidas da temporada. São 11 jogadores no time de ataque, 11 da equipe de defesa, além dos especialistas, que entram em campo para field goals (chutes de campo), retornos, kickoffs (pontapé inicial para partida ou retomada do jogo) e punts (chutar a bola no ar para devolver a equipe adversária) – apenas 11 por vez. As substituições são ilimitadas.


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