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Juliana tem jornada dupla na sua vida: árbitra e investigadora

Thiago Batista | 15/03/2020 | 05:00

A jundiaiense Juliana Roveri, de 39 anos, se destacou recentemente no cenário do basquete, ao ser uma das três árbitras femininas a comandar um jogo do Novo Basquete Brasil (NBB), principal competição da modalidade no país, equivalente ao Campeonato Brasileiro de Futebol. O que poucos sabem é que além de apitar jogos, ela também é investigadora de polícia e professora da Academia de Polícia de São Paulo.

O basquete é uma modalidade que se tornou a válvula de escape para aliviar o estresse diário, comum da profissão. “O esporte me ajuda a manter disciplina e tranquilidade mental. É um momento prazeroso porque me tira do ambiente tenso da delegacia. Eu sei que no jogo ninguém vai se matar, porém na delegacia isso pode acontecer. O basquete me garante saúde mental”, desabafa.

Árbitra de basquete há 15 temporadas, Juliana Roveri foi jogadora da modalidade em Jundiaí e teve como treinadores os técnicos Edson Mina e Luis Cláudio Tarallo no Clube São João. “Ela era uma menina muito determinada e acredito que seja até hoje. Sempre foi muito competente, boa jogadora e, atuando como ala, ela corria bastante tendo como destaque o perfeccionismo. Hoje ela é excelente como árbitra, atuando em jogos internacionais. Eu sabia que ela iria longe no esporte e conseguiu”, diz Mina.

O técnico Tarallo também parabeniza a atuação de Juliana dentro e fora das quadras. “Ela sempre foi boa jogadora e para mim foi uma surpresa gratificante vê-la como árbitra. Não é recorrente os atletas migrarem para arbitragem e ainda são raros os casos de destaque. Eu jamais imaginei que aquela garota com 12 anos seria árbitra e chegaria a um nível grande o que é muito bom para o esporte jundiaiense”, finaliza.

Concurso policial

Aos 20 anos Juliana Roveri prestou concurso na polícia e três anos depois fez o curso para ser árbitra. Ela não queria ficar de fora da área esportiva, porém a dupla jornada é mantida de forma tranquila. As partidas do basquete são fora do horário de trabalho e normalmente a noite ou aos finais de semana.

“Se isso não for descarregado, se não conseguirmos desestressar, podemos adquirir uma doença, falso alcoolismo e depressão. O basquete me faz evitar. Sempre digo para procurar alguma atividade física pois a polícia exige do seu físico e também para manter a mente equilibrada”, detalha.

Ser árbitra de basquete está ajudando no seu dia a dia com o trabalho policial. “O basquete me deixa mais tranquila e me dá aptidão para subir um morro, entrar em uma favela, manter a arma apontada e ter um controle, agilidade e até a maneira lidar com as pessoas.”

Mulheres x Homens

Juliana Roveri apita jogos de basquete masculino e feminino. Como são partidas com estilos diferentes, a concentração é essencial. “Em um jogo entre homens é preciso observar se há muito contato com os cotovelos, jogadas fora da bola, tendência de cesta ou interferência. No feminino a gente tem atenção com contatos fora da bola, mas é menos intenso do que no masculino. A movimentação das jogadoras é diferente pois elas ocupam menos espaço na quadra em relação aos homens. E a partida do masculino é muito física também”, explica.

Ela diz que comandar jogos em Jundiaí, em alguns casos, é estressante. “Às vezes peço dispensa para não apitar um jogo na cidade, pois na primeira partida da temporada você vai bem, mas aos poucos começa a complicar e acabo no terceiro jogo expulsando o treinador por excesso de reclamações”, explica.

Campeã da primeira conquista de um esporte coletivo por Várzea Paulista nos Jogos Regionais de 2005 (em edição disputada em Jundiaí), ela ainda consegue ter um tempo para praticar o basquete junto com seus amigos. “Ás vezes faço uns rachas e isso me ajuda, pois você enxerga situações que acontecem no jogo”, finaliza.


Link original: https://www.jj.com.br/esportes/juliana-tem-jornada-dupla-na-sua-vida-arbitra-e-investigadora/
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