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Paixão pela arbitragem faz ‘juiz’ abrir mão de muita coisa

THIAGO BATISTA | 15/12/2019 | 10:15

Não importa o nível da competição, seja amadora ou profissional, um ‘juiz’ sofre. Especialmente se for do esporte mais amado pelo brasileiro, o futebol. Só que ser árbitro esportivo exige dedicação, tempo e sacrifícios – como largar a família em quase todos os finais de semana, não participar de festas e estar sempre atualizado sobre as constantes mudanças das regras.

A paixão em estar presente e comandar o espetáculo, seja do Campeonato Mundial ou do Torneio Início do bairro, os motiva a estarem sempre nos campos ou quadras.

Caso de Laércio José da Silva, de 53 anos. Há 20 anos ele está apitando partidas de futsal. E tudo começou com uma brincadeira para o tenente militar nas partidas da própria instituição. “Tinha sempre os campeonatos internos, e faltava árbitros. Então, me coloquei uma vez à disposição e comecei. Tomei gosto e, em 1999, fiz o curso da Federação Paulista (FPFS). Desde 2000 estou apitando pela Liga Jundiaiense e pela Federação”, lembra.

Para ele, ser árbitro de futsal precisa de vocação. “São finais de semana e feriados longe da família, e, como juiz da Federação, sempre tem que viajar no estado. Se eu disser que não tive problemas em casa neste período, vou estar mentido.

Principalmente quando cai jogo em outra cidade no dia do aniversário de alguém e a gente tem que abrir mão”, conta.
Quem também tem histórias para contar sobre isso é Antônio Francisco Costa, o Toninho, tem na ponta da língua os sacrifícios que alguém precisa fazer quando quer ser ‘juiz’.

“Arbitragem é meio que um sacerdócio e não combina com jogatina, álcool e vida noturna. Eu abri mão da vida social. Teve vários casamentos e aniversários que nem fui”, conta o atual presidente da Associação Regional dos Árbitros Desportivos (Arad).

Ele enumera as dificuldades que tem ao montar as escalas. “Cada um pensa de um jeito e a gente pega as qualidades e monta as escalas.”

Ednilson Gonzaga, de 47 anos, faz parte do quadro da Arad. Inicialmente era mesário, quando comecei, em 2004, e não queria pegar no apito de jeito. “Eu via os perrengues que a turma passava quando estava nas partidas apitando. Aí, comecei nas categorias de base e depois fui evoluindo. Agora, estou apitando todos jogos.”

Para Edinho, como é conhecido, apitar ajuda bastante na renda familiar. “A família até entende porque ajuda financeiramente em casa. Se não fosse para apitar estaria, jogando bola”, completa.

Rivalidade

Laércio José da Silva, além de apitar jogos de futsal em torneios da Liga Jundiaiense, faz parte do quadro da FPFS. Para ele, comandar uma partida entre times da mesma região exige mais.

“Os jogos regionais são mais acirrados pela rivalidade que existe”, diz o árbitro, que este ano fez a partida decisiva dos Jogos Infantis do Estado de São Paulo, em Dracena.

Para o tenente, estar em uma quadra traz uma emoção praticamente igual a de estar nas ruas como PM.

“Vida de árbitro não é brincadeira e a gente acaba medindo conflitos, como ocorre com um policial. Quando fui para arbitragem, levei muito da experiência da polícia para quadra e deu certo”, conta ele, que se orgulha de jamais ter sido agredido.

O presidente da Arad lamenta que algumas vezes jogadores reclamam demais da arbitragem por conta do insucesso do time no jogo. “Eles tem que ver o árbitro como profissional, não como culpado pelos erros. Questionar a marcação de maneira educada até aceitamos, mas agressão não”, conta.

Preparo físico

Para quem pensa que basta chegar em uma partida e apitar está errado. Mesmo em jogos amadores, é fundamental estar com o corpo bem preparado.

“Eu corro entre três e sete quilômetros todos os dias. E faço academia para ter um fortalecimento”, afirma Ednilson. “Peço sempre aos árbitros para se prepararem, respeitem o público, jogadores e comissão técnica. Para dominar tudo isso, tem de saber as regras e estar bem preparado, inclusive fisicamente”, ensina Toninho.

A paixão pelo esporte está no sangue de Laércio. “Faço há mais de 20 anos e me empenho o máximo possível.”

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