Esportes

Pandemia afeta treinamento e traz dúvidas financeiras a atletas


EXERCICIO EM CASA NATACAO GUILHERME YUKIO OKUMURA
Crédito: Reprodução/Internet
A pandemia do covid-19 está afetando diretamente os esportistas. Sem poderem sair de casa para realizar os seus treinamentos e com competições sendo adiadas ou até canceladas, alguns estão preocupados com a falta de eventos, pois é de onde baseiam a renda de cada mês. É o caso do corredor André Alberi. Ele vive das premiações que existem nas provas. “As competições acabam sendo um bônus para a minha renda. Afetou bastante o meu lado financeiro, só que conto sempre com apoio dos meus patrocinadores e acredito que tudo isso vai passar logo”. Ele venceu em janeiro a prova de 5 km em Artur Nogueira e já conquistou medalhas nos Jogos Regionais e Abertos representando Jundiaí nos últimos anos. Alberi lembra que o esporte faz parte da sua vida e no momento está treinando para uma competição importante em Brasília. “Em 20 anos de carreira jamais fiquei treinando sem prazo de competição. Tive que agora tirar o pé”, afirma o atleta de 39 anos. Os treinos também foram prejudicados já que faz atividades de forma isolada. “Estou treinando menos, em lugares isoladas devido a segurança que está sendo recomendada, mas ainda com preparo físico. Algumas rotinas faço em casa e outras sozinho em uma área de mata”, comenta. Nadador também sofre Se o corredor já sente dificuldades para treinamento, para o nadador Guilherme Yukio a paralisação das atividades atrapalha sua rotina. Sem poder entrar na piscina, Guilherme Yukio apenas realiza alguns exercícios básicos. “Realizo atividades aeróbicas e de força na minha residência para que, no momento de retorno aos treinos, mesmo estando um tempo sem contato com a água, não perca o condicionamento físico”, conta. O nadador, de 17 anos, já sente a falta de estar presente nas piscinas, especialmente para os treinos de braçada, tendo que simular o movimento com objetos. “Esse movimento envolve muito a questão sensibilidade com a água, o que nós chamamos de pegar a água. O que podemos fazer fora da piscina é trabalhar a musculatura que utilizamos na braçada através de exercícios, como a utilização da tira elástica, simulando o movimento do nado”, descreve. Com participações no ano passado em Jogos Regionais e Jogos Abertos, Yukio estava treinando para as primeiras competições que iria disputar ainda no mês de março. Só que a pandemia está fazendo ele ficar um tempo sem brigar efetivamente por medalhas. “Começamos no início do ano com um treinamento de base até chegar aos treinos de alta intensidade para estar na melhor forma nas principais competições. Essa paralisação vai afetar diretamente no rendimento nos futuros campeonatos que estarei disputando quando ocorrer a retomada”, afirma. Para o nadador, a saúde tem de estar acima de tudo. “Embora não sejamos do grupo de risco, a transmissão para pessoas mais velhas ou pessoas com problemas de saúde é algo perigoso, portanto é necessário permanecer em casa”, detalha. Futuro pós parada Yukio e Alberi concordam que o esporte não deverá ser bastante afetado após a pandemia e que em pouco tempo tudo voltará ao normal. Alberi lembra que, antes da pandemia, por final de semana ocorriam 50 provas de rua no estado de São Paulo, e que a situação pode mudar devido ao alto valor das inscrições e a provável recessão que o país deverá atravessar. “Destas provas poucas valorizam o atleta que briga por medalha, pagando uma premiação. A maioria somente oferece troféu. As provas podem ficar escassas devido aos valores cobrados pelos organizadores. Passando a pandemia, a população deve pensar pelo lado financeiro antes de efetuar a inscrição", lembra. Yukio é mais otimista. “Acredito que assim que acabar a pandemia o esporte voltará ao normal”, comenta.

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