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Paulista abre suas dependências para saúde

Thiago Batista | 21/03/2020 | 05:00

O Paulista vai abrir o seu espaço para a saúde pública de Jundiaí caso seja necessário. O presidente do clube, Rogério Levada, colocou todas as instalações do clube à disposição para ajudar no combate ao coronavírus (covid-19).

“O clube colocou todas as suas dependências à disposição das autoridades da saúde, caso haja necessidade. Eu torço que não chegamos a um grande nível”, explicou Levada.

Atualmente apenas uma pessoa, que trabalha na portaria, está ficando nas dependências do Paulista.

Segundo o presidente, o estádio Jayme Cintra tem lugares aptos a receber pessoas. “Os quartos dos alojamentos pode ser usados em caso de necessidade. Eles podem servir para atendimentos e até para isolamento”, explicou Levada.

Também a cozinha do clube e a lavanderia poderiam ser usadas pelas unidades de saúde do município. “Toda ajuda é muito importante. Estamos vivendo um momento inédito no mundo. Por isso colocamos todo o clube à disposição, que acreditamos ter utilidade em caso de grande número de infectados”, lembra Levada.

Outros clubes no Brasil abriram as suas dependências para ajudar o país no combate ao coronavírus. O primeiro foi o Atheltico-PR que liberou o uso do seu estádio e CT para as autoridades de saúde. Outros vieram na sequência, que foram: Bahia, Botafogo-RJ, Ceará, Corinthians, CRB-AL, Criciúma-SC, Cruzeiro, Fortaleza, Goiás, Juventude-RS, Náutico-PE, Remo-PA, Santos e São Paulo.

Em 1918, Palmeiras improvisou hospital

Se atualmente o futebol brasileiro é paralisado por causa do coronavírus, há cerca de 100 anos a vilã era a Gripe Espanhola. A doença matou cerca de 35 mil pessoas no país -e ao menos 50 milhões no mundo-, provocou a interrupção do Campeonato Paulista e motivou o Palmeiras a emprestar a sua sede social para a improvisação de um hospital que atendesse os doentes.

No Brasil, o primeiro caso daquela gripe foi confirmado em 15 de outubro de 1918, em São Paulo como o covid-19 neste ano. Dias depois o futebol foi suspenso de modo abrupto. “Os agentes sanitários chegaram aos estádios uma hora antes de as partidas começarem, para exigir que os torcedores não ficassem concentrados”, explica Fernando Galuppo, historiador do clube.

As semanas seguintes foram de temor, enquanto as autoridades tentavam combater a pandemia de alguma forma. Neste cenário, o Club Paulistano e o Palestra Itália emprestaram suas sedes para abrigar alguns leitos de tratamento a pacientes. Foi desta forma que surgiu uma enfermaria com 31 camas no salão social alviverde, então localizado na rua Líbero Badaró, na região central da capital paulista.

“Os atendimentos tiveram a anuência e o apoio da Cruz Vermelha, e durante três meses o Palestra também doou 500 mil réis mensais para os órgãos de saúde”, conta Galuppo.

Engajadas no combate à Gripe Espanhola, pessoas ligadas ao Palestra Itália ainda participaram da criação de um grupo de apoio às famílias dos enfermos. Era a Comissão de Socorro Estado-Fanfulla, organizada junto a empresários, que doou cestas de alimentos e chegou até a conseguir ambulâncias para ajudar no tratamento dos doentes.

Em 1918, a pandemia contaminou mais de 100 mil pessoas e matou cerca de 5 mil só na cidade de São Paulo, causando caos na capital e provocando a interrupção do campeonato estadual. Até então, aquela edição havia sido a última (e única) interrompida por crises de saúde pública -com a paralisação do Paulistão deste ano, já não é mais.[REMISSAO]


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