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Renovação da seleção feminina fica para depois de Tóquio-2020

FOLHAPRESS | 24/06/2019 | 14:12

A eliminação da seleção brasileira da Copa da França, neste domingo (23), pode ter marcado a despedida de algumas jogadoras dos Mundiais. Mas a troca de guarda na equipe, quando atletas na faixa dos 20 anos assumirão o comando, só deve se concretizar após a Olimpíada de Tóquio, em 2020.

Após a derrota para a França, pelas oitavas de final, a zagueira Mônica, 32, e a goleira Bárbara, 30, disseram a jornalistas que dificilmente voltariam a disputar o torneio.

A primeira apontou a idade como fator determinante para um possível adeus antes da Copa de 2023, cuja sede ainda não foi escolhida pela Fifa. Já Bárbara quer terminar a faculdade de Enfermagem e tentar carreira na área.

Antes da competição, a centroavante Cristiane, 34, já se referia à disputa na França como a sua última com o grupo -era o seu quinto Mundial.

Recuperada de uma sequência de lesões, ela foi um dos destaques da campanha brasileira, com quatro gols. Na partida decisiva, contra as anfitriãs, sentiu a coxa no começo da prorrogação e só conseguiu sair de campo com a ajuda de dois membros da comissão técnica -não podia encostar o pé esquerdo no chão.

Marta, 33, sofreu uma lesão na coxa esquerda no período de treinos da equipe em Portugal e só contra a França disputou seu primeiro jogo inteiro no torneio -na estreia, diante da Jamaica, nem sequer pisou no gramado.

No domingo, ao ser perguntada sobre seus planos, disse ainda não pensar em encerrar a passagem pelo time nacional. “Tem gente muito mais velha do que eu! Dani Alves tem 36 e está na seleção. Presta atenção!”

Mas fez um apelo às mais jovens. “Precisa[m] treinar mais, precisa[m] se cuidar para poder sorrir no fim. Não vai ter uma Formiga para sempre, uma Marta, uma Cristiane.”

Peça-chave no tripé de âncoras da seleção, a volante Formiga, 41, disputou na França sua sétima Copa -e era a atleta mais experiente de todo o campeonato.

Em entrevista à Folha de S.Paulo em abril, a jogadora do PSG afirmou que gostaria de se despedir da camisa auriverde nos Jogos de Tóquio -ela é dona de duas pratas olímpicas, em Atenas-2004 e Pequim-2008, além do vice mundial de 2007. Formiga, que já voltou atrás de um anúncio de aposentadoria (a pedido do técnico Vadão), não falou com a imprensa após a eliminação brasileira.

No cômputo geral, o Brasil tinha a segunda formação mais velha da Copa, com média de idade de 28 anos e 5 meses. Só o time americano, favorito, tem mais milhagem combinada: média de 29 anos.

Após a derrota para a França, Vadão disse que o processo de renovação do time começou há cinco anos, durante a passagem anterior dele pelo comando.

“Puxei [para a seleção a zagueira] Camilinha, [a meia] Andressinha, [a goleira] Letícia… mas é claro que, enquanto você tem atleta de ponta para jogar, ela tem que jogar.  Só faltava eu chegar aqui e falar que não quero Marta ou Cristiane.”
Para ele, é preciso ter cautela. “A grande renovação deve acontecer após a Olimpíada.”

A CBF não confirmou a permanência de Vadão e do restante da comissão técnica após o Mundial.


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