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Vagner, goleiro do Ituano, é ex-Paulista

| 07/05/2014 | 10:45

Vagner deixa a alegria transparecer. “Estou feliz demais. Tem hora que não acredito”. É dessa forma que o goleiro finalista do Paulistão define a classificação do Ituano, após superar o favorito Palmeiras na semifinal. No último domingo, o time de Itu bateu o Alviverde com um gol de Marcelinho aos 38 minutos do segundo tempo, consagrando um trabalho feito com muita organização pelo clube.

Antes disso, deixou o Corinthians para trás no Grupo B e chegou com desconfiança diante do Botafogo, de Ribeirão Preto, que tinha, até então, melhor futebol e mais pontos. A classificação veio nos pênaltis, com Vagner defendendo uma das cobranças. “Sempre tivemos um pensamento positivo, apesar dos adversários terem a vantagem numérica em pontos. O que a gente tinha de fazer era mostrar mais garra e foi isso o que aconteceu contra o Palmeiras”, conta.

Defendendo o Ituano desde dezembro de 2012, o goleiro destaca o trabalho feito fora de campo. Para ele, essa retaguarda foi um dos pilares para levar o time até a final. “Acho que o Doriva (técnico) tem grande participação. Mas o grupo é forte. A diretoria manteve o time que disputou a Copa Paulista no ano passado. Contratou apenas seis peças para o Paulistão e, quem chegou, apoiou a proposta do elenco. Chegamos a esta final pela determinação do grupo”, analisa.

Vagner é o goleiro menos vazado no Paulistão. Sofreu apenas dez gols em 17 partidas. E pretende manter esse número diante do Santos, que por outro lado tem o melhor ataque da competição, com 46 gols marcados. As duas equipes enfrentam-se no domingo, às 16h, no Estádio do Pacaembu, no primeiro confronto da final. “Fico muito orgulhoso com essa marca. Mas acho que o mérito é todo do esquema que a gente joga. O time todo volta para marcar. O Ituano ter a defesa menos vazada dá mais motivação para querer jogar essa final”, diz.

O goleiro, inclusive, se diz pronto para encarar os Meninos da Vila. “Estou sim com um frio na barriga, mas é normal. O dia que a gente parar de sentir isso, pode deixar o futebol. Mas quando entramos em campo e nos concentramos, as coisas mudam. Tomara que eu seja abençoado para não tomar gols”, afirma.

Formado no Paulista, Vagner Antônio Brandalise, de 24 anos, chegou ao Estádio Jayme Cintra em 2007, com 17 anos, vindo de Bom Sucesso do Sul-PR. Atuou pelo sub-20 do Galo na Copa São Paulo de Futebol Júnior, fez três jogos pelo profissional no Estadual e foi o goleiro titular da campanha do vice-campeonato da Copa Paulista, em 2009.

Em 2010, Vagner disputou oito jogos sob o comando de Fernando Diniz na Copa Paulista. Em 2011, emprestado para o Villa Nova-MG, foi eleito goleiro revelação do Campeonato Mineiro. No segundo semestre, retornou ao Galo, mas logo foi novamente emprestado, desta vez para o Criciúma-SC. Em 2012, o goleiro disputou todos os jogos do Estadual como titular do Paulista e foi o destaque do Galo.

“Quando chegou ao clube em 2007, a base tinha apenas o treinador de goleiros do sub-15 e sub-17, Gustavo Moino. Por isso, o Marcos Biasotto, coordenador da base na época, pediu para vê-lo no profissional. Em menos de dez dias, o aprovei. Eu estava em um jogo em Marilia, pela Série B. Me ligaram do clube perguntando se ele ia ficar e respondi: ´Pode meter a caneta que o menino é bom´”, lembra o preparador de goleiros do Paulista, Carlos Lima.

Carlão destaca que Vagner sempre foi um profissional dedicado ao trabalho. “Ele sempre treinou com muita intensidade e vontade. Seu primeiro jogo na equipe principal foi contra o Guaratinguetá, indo muito bem, dando mostras do bom goleiro que viria a se tornar. Sempre falei que ele tem perfil de goleiro europeu. O melhor em trabalhar com ele sempre foi a vontade demonstrada, a amizade dele, além de ser muito companheiro, amigão de todos”, diz o preparador de goleiros.

Apesar de trabalhar duro, Vagner chegou a ser criticado por parte da torcida e também por alguns dirigentes na passagem pelo Paulista. “Os erros que a gente comete no passado nos ajudam a crescer. Eu procuro trabalhar pensando nessas falhas para que elas não ocorram novamente. Este ano, tive poucos erros e, por isso, esta é minha melhor campanha em um campeonato. É a melhor fase da minha carreira”, afirma o goleiro.

Vagner deixou o Paulista em 2012, sem o clube faturar com a saída. Fora da Copa Paulista daquele ano, quando o goleiro titular foi Richard, sob o comando de José Macena – Vagner apenas treinava com o elenco -, viu o contrato se aproximar do fim sem uma renovação.

Ao término daquele ano, ele antecipou o rompimento de contrato e assinou com o Ituano, com quem tem vínculo até fim deste ano. Antes de encerrar a entrevista por telefone, Vagner faz questão de falar do Paulista e do rebaixamento para a Série A2. “É uma pena. Não sei o que houve aí. Mas espero que as coisas mudem para melhor. Muita gente gosta e depende do Paulista”, diz.


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