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Mudanças significativas acontecem a cada 7 anos

| 18/05/2014 | 01:00

Poucas pessoas ouviram falar em setênios, mas quem é que nunca leu ou mesmo vivenciou uma das famosas “crises dos sete anos”, geralmente usadas para descrever problemas em relacionamentos ou guinadas na vida? 

O próprio número sete tem significações importante para diversas culturas: a Bíblia diz que Deus criou o mundo em sete dias; a semana possui sete dias; temos sete planetas relacionados ao homem (Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno) e também são sete os deuses olímpicos, sete notas musicais, sete cores do arco-íris… 

Embora pouco divulgada, a teoria dos setênios, que faz parte dos estudos antroposóficos – cuja origem está no filósofo austríaco Rudolf Steiner – é uma linha de pensamento praticada por médicos, psicólogos e pedagogos. A regra é simples: a vida de cada indivíduo é dividida em fases de sete anos. Cada um desses períodos é marcado por problemas e formas de desenvolvimento diferentes.

Dessa forma, uma solução para manter a vida equilibrada é que as pessoas se baseiem nos desafios de cada ciclo para pautar suas escolhas e vivências. Os três primeiros setênios – que englobam dos 0 aos 21 anos – são denominados setênios do corpo, por ser um período em que o ser humano enfrenta a jornada do amadurecimento físico e formação da personalidade.

Os ciclos seguintes – dos 21 aos 42 anos – são denominados setênios da alma. Nesse período, a pessoa já passou por todas as experiências básicas da vida nos aspectos conjugais, de trabalho e família. A partir dos 42 anos, o indivíduo está pronto para “iniciar” a vida com maturidade, profundidade e espiritualidade. Para o psicólogo e doutorando Vinícius D‘Ottaviano , de Jundiaí (também articulista do JJ Regional), que aplica os conhecimentos da antroposofia, incluindo os setênios, em seus atendimentos, os resultados são notáveis.

“Essa linha de trabalho está sendo considerada mais eficaz atualmente por trabalhar o cognitivo-comportamental”, diz ele, que assegura os resultados positivos das terapias baseadas nos setênios. “Notamos melhora, principalmente, na aprendizagem de crianças, na sexualidade de adolescentes e nos relacionamentos sociais de adultos.”

É preciso brincar
Moradora de Jundiaí, Adriana de Barros, 36, é adepta da antroposofia há pelo menos dez anos. Por isso, quando chegou a hora de escolher uma escola para seus filhos, optou pela pedagogia Waldorf, que tem base em princípios antroposóficos incluindo os setênios para promover a educação. Ela encontrou na cidade o Jardim Angelim, escola que não tem fins lucrativos e atende crianças de 2 a 6 anos de idade.

Segundo a pedagogia Waldorf, a criança não deve ser alfabetizada nos sete primeiros anos, mas sim gastar energia, brincar e aprender pelos exemplos dos adultos que as cercam. “A ideia é deixar que a criança viva a primeira infância de forma intensa. Respeitando as fases porque o cérebro ainda não está pronto para ser alfabetizado”, explica Adriana.

Para a mãe, os resultados são visíveis. “Minha filha mais velha, Iara, já concluiu o ensino infantil. Agora que ela está começando o ensino fundamental eu percebo a diferença. Ela consegue se concentrar, aprende rápido, é autônoma.” Na escola, as crianças se divertem com brinquedos de madeira e de pano, confeccionados manualmente. “Nós pregamos a simplicidade. A ideia é que a criança brinque livre, não de forma direcionada. Que ela deixe sua imaginação fluir, exponha seu interior”, diz a mãe, que também trabalha na escola e explica o papel dos professores.

“Enquanto as crianças brincam, as professoras ficam por perto oferecendo exemplos de motivação. Uma limpa, outra costura uma cortina, entre tantas outras opções. Dessa forma a criança vai mentalizando as ações”, diz, lembrando, também, que a arte exerce papel essencial nesse aprendizado. “É a base de tudo. Em sala de aula, por exemplo, a professora toca kantele (um típico e antigo instrumento de cordas do folclore finlandês), para estimular a criatividade enquanto as crianças desenhas, pintam, criam.”

Multidisciplinar
Vinícius D‘Ottaviano  explica que além dos sete anos, há outros aspectos levados em consideração no desenvolvimento de cada ciclo. “É preciso que haja interdisciplinaridade. Os ciclos são divididos em três aspectos que se relacionam.” O primeiro é o biológico. A cada ciclo renovado acontecem transformações químicas, fisiológicas, biológicas. O corpo se transforma. O segundo aspecto é o neurológico, ligado ao aprendizado.

Novas conexões neurais são formadas, novas habilidades aprendidas ao longo do ciclo. E o último é o psicológico e emocional, que age desde as fobias até a sexualidade do indivíduo. “Esses componentes precisam de atenção. Por exemplo, no aspecto biológico, trabalhado por médicos, nutricionistas, endocrinologistas, a pessoa precisa estar bem nutrida. Também precisa estimular a leitura, o trabalho da escola para desenvolver o aspecto neurológico. E por fiz precisa ter o psicológico preservado.”

A psicologia baseada no conceito dos setênios não precisa ter como foco apenas as crianças, diz o D’Ottaviano. “Adultos podem ser tratados a qualquer momento, com objetivos e desafios diferentes”. Para viver os setênios com sabedoria, a antroposofia prega que a pessoa seja sempre ela mesma, mas ciente das mudanças da vida e do corpo – já que este possui sua própria sabedoria e ela deve ser respeitada, tentando, sempre que possível, que a cabeça não atrapalhe…


Link original: https://www.jj.com.br/estilo/mudancas-significativas-acontecem-a-cada-7-anos/
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