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Não há felicidade sem tristeza

| 01/06/2014 | 00:05

Parece óbvio o que canta Lulu Santos: “Não existiria som se não houvesse o silêncio. Não haveria luz se não fosse a escuridão. A vida é mesmo assim, dia e noite, não e sim…”. Aliás, é mais do que óbvio. É fato! Nada existiria sem o seu oposto, porque a existência acontece a partir do contraste, da referência, do ponto de vista.

Mas ainda assim, insistimos em desejar felicidade plena. Queremos só alegria, só satisfação. E querer nem é o problema. Afinal, desejar tudo de bom da vida tem lá seu mérito. O problema mesmo é quando a gente se revolta com o que não é tão bom assim. Com o que não é gostoso de sentir.

Sim, tem muita gente se afundando em lamentações e reclamações, por tempo indeterminado e sem nenhuma busca de consciência, quando se depara com a frustração, a perda, a tristeza, o medo, a solidão. Não consegue compreender que tudo isso faz parte. Não percebe o encaixe das engrenagens que faz rodar e amadurecer a vida!

Não se trata de fugir do sofrimento. Nem de tomar posse dele sem que reste espaço para qualquer transformação. Não se trata de subtrair nem de multiplicar sentimentos. Trata-se de doer de modo tão autêntico e intenso quanto nos dispomos a nos alegrar. Trata-se de sentir, simplesmente. O que há para ser sentido.

Agora, neste momento. Trata-se viver o que tem para hoje! Sem tornar estático ou definitivo o que quer que seja. Sei que não é fácil, muitas vezes, suportar dores que parecem ser maiores que nós mesmos. Mas a sensação de que seremos engolidos pela dor também faz parte. E vai se tornando menor e menor e menor. E vai nos ensinando mais e mais e mais.

Até que os machucados cicatrizem, as grossas cascas já não sirvam, e a gente se refaça. Mas o novo só é possível quando aprendemos a legitimar tudo o que sentimos. Desejo que você respeite a sua dor tanto quanto se permita à sua felicidade. E que não queira abreviá-la para parecer forte. Nem prolongá-la para parecer mártir.

Que apenas aprenda com ela. Que, sobretudo, dê-se conta de sua imensa fragilidade tanto quanto de sua maravilhosa capacidade de superação. E que, assim, repleto de humanidade, você possa se apoderar de tudo o que preenche o universo. Porque tudo – som e silêncio, luz e escuridão, dia e noite, não e sim – é sagrado!

Rosana Braga é palestrante, jornalista, consultora em relacionamentos e autora dos livros “O poder da gentileza” e “Faça o amor valer a pena”, entre outros. www.rosanabraga.com


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