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O vinho por aí

| 15/06/2014 | 00:05

NA SÍRIA – VINHO DA GUERRA – Desde março de 2011, a Síria vive em estado de Guerra Civil. Diante da destruição acredita-se que já foram mortas mais de 100 mil pessoas. O caos se instalou e muita gente fugiu para áreas menos atingidas pelo conflito. Entre os que sofreram muito com essa situação foram os vitivinicultores.

Segundo Karim Saadé, proprietário do Chateau Bargylus, na Síria e do Marsyas, no Líbano: “Não é a primeira vez que passamos por isso e não será a última. Você precisa ficar e perseverar”. Karim lançou o vinho branco Bargylus 2012 em meio às circunstâncias de guerra. Sem que as pessoas pudessem cruzar as fronteiras, durante a época de amadurecimento, as uvas precisavam chegar de táxis para a Síria a fim de serem avaliadas pela equipe de enólogos.

Outro problema foi convencer os trabalhadores a ficarem em vez de se juntarem aos refugiados que procuravam abrigo em outros países. Nesse tempo, contudo, a vinícola não foi atacada por estar distante do centro urbano, mas segundo Saadé, “o vinho lhe amarra à terra e você não pode simplesmente pegar as coisas e ir embora”. Triste realidade, mas o legal é que o vinho, nesse caso, tem aromas de  união, paz e esperança.

NA ITÁLIA – IMPÉRIO ROMANO – Uma equipe da Universidade de Catânia, na Sicília, decidiu recriar os vinhos da época do Império Romano. Para isso, plantaram um vinhedo usando ferramentas e técnicas antigas. Para basear esse trabalho, os pesquisadores consultaram o manual de agricultura do livro Georgics, do poeta Virgílio e informações do enólogo do século I, Columella, cujas técnicas sobreviveram até o século XVII.

A equipe de historiadores plantou oito variedades locais, incluindo Nerello Mascalese, Visparola, Racinedda e Muscatedda.  As primeiras vinhas foram plantadas no começo deste ano e a equipe espera ter a primeira safra em quatro anos. De acordo com Daniele Malfitana, diretor do Instituto Arqueológico: “Os objetivos do projeto são dois, por um lado, verificar a viabilidade das técnicas romanas e, por outro, verificar se esse conhecimento pode ser utilizado na vinicultura moderna”. Legal né?

NA SUÉCIA – “VINHABILIZANDO” – Um estudo recente da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Sueca analisou a viabilidade econômica da produção de vinhos no país. A pesquisa aponta que os custos para a produção de vinhos ainda são altos e o retorno ocorreria apenas seis anos depois. A conclusão é que, para o momento, fazer vinho na Suécia só é economicamente viável se o mercado de alta gama for o objetivo do produtor, vez que cada garrafa deverá ser vendida por no mínimo 38 dólares. É… não é fácil.

NA INGLATERRA – A PRIMEIRA VINÍCOLA DE LONDRES – A Inglaterra ainda não é reconhecida como produtora de vinhos, mas seus espumantes vem conquistando mercado e curiosos pelo mundo. Agora, além das regiões de Kent e Sussex, por exemplo, Londres também terá a sua primeira vinícola, chamada LONDON CRU.

Localizada no bairro de Earls Court, em um prédio tradicional onde estava instalada uma antiga destilaria, a vinícola não tem vinhedos próprios e buscará suas uvas na França para serem vinificadas 36 horas depois de colhidas, pois serão transportadas em caminhões refrigerados. Sorte pra eles! Ou melhor “God save the Queen”.

NA NOVA ZELÂNDIA – 40 VEZEZ MAIS – O resveratrol é o componente dos vinhos que está ligado a diversos benefícios à saúde, como propriedades antioxidantes que promovem a longevidade e protegem contra doenças. Desde que essa substância foi identificada e seus efeitos estudados, alguns produtores pensaram em como aumentar a sua quantidade no vinho. Recentemente, uma vinícola neozeolandesa lançou uma linha de vinhos chamada “Balancing Act Wines” que atesta ter 40 vezes mais resveratrol do que os rótulos convencionais. Mais uma para o vinho e a saúde! Viva!

NOS ESTADOS UNIDOS – CHATEAU MONTELENA – O Registro Nacional de Locais Históricos dos Estados Unidos, reconheceu o Chateau Montelena, no Vale do Napa, na Califórnia, como local de significado histórico, não apenas por ter sido um dos pioneiros na região, mas também pela sua participação no chamado “Julgamento de Paris” em 1976.

Hoje a vinícola está sob os cuidados de Bo Barrett, filho de Jim, que faleceu em março de 2013 aos 86 anos. Ah! E quanto ao resultado do Julgamento de Paris e toda a história do Chateau Montelena, bem como da inclusão dos vinhos norte americanos no cenário mundial do vinho? Vejam a dica abaixo. Vale muito a pena!

MURILO AZEVEDO PINTO é sommelier e consultor de vinhos. E-mail


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