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Ayo, a cantora nigeriana-alemã mais bem paga do mundo

Ayo
Ayou
Crédito: Ayo

Nestes dias de quarentena, me dou ao luxo de folhear Le Monde, e seu magnífico suplemento cultural. Deparo-me com uma reportagem rasgando elogios ao novo trabalho da cantora Ayo, Royal, de quem eu nunca tinha escutado falar (por onde andei?). Com a vantagem da tecnologia, em dois minutos seu novo álbum estava baixado no meu Spotfy e, desde então, ouço-a quase diariamente. Sua voz é jazz, mas com uma pegada rasgada do soul. Versátil, canta em francês e inglês, um estrondo, mas não se engane, o afro beat está ali.

A menina tem uma história difícil, mas tanto talento fez com que ela contornasse as grandes dificuldades. Ela tem três filhos, mora em Nova York e afirma que dá grande importância à formação de seu núcleo familiar. Se não bastasse, ainda é patrona da Unicef para a promoção da educação no mundo.

Ay significa “prazer”, em Yorubá. Nascida na Alemanha, fruto da união de pai nigeriano e mãe alemã, Ay foi ainda pequena para a Nigéria. Quando ela tinha seis anos sua mãe foi presa por porte de heroína e passou algum tempo na cadeia. Após o divórcio de seus pais, ela e dois de seus irmãos ficaram um tempo com famílias adotivas. Aos 15, voltou a morar com o pai biológico e foi influenciada pela grande coleção de discos dele, que incluía Pink Floyd, Fela Kuti, Donny Hathaway, Jimmy Cliff e Bob Marley.

Aos 21 mudou-se para Londres e depois para Paris e Nova York. Durante sua estada em Paris seu talento musical foi descoberto, ela fez seu primeiro show solo em 2002, aberto pelos cantores de soul Omar e Cody Chesnutt, e assinou contrato com a Polydor Records.
De lá para cá, a carreira foi meteórica. Os sites de música apontam que ela foi a cantora mais bem paga do mundo entre 2019-2020, com mais de US$ 58 milhões arrecadados. Um documentário de 2009 conta toda sua trajetória.

Dona de uma voz ralentana, arranhada, em Royal tenho predileção por Rosie Blue, a história de uma menina que adora poesia, mas vive às margens da depressão. Depois, sugiro Fool's Gold, tipo um amor ouro de tolo (quem não teve um?) e a canção em francês Né Quelque Part.
Quando tudo passar, endosso o grupo de quem quer Ayo ao vivo e em cores no Brasil. Até lá, aproveitem!


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