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O investidor que vai transformar o empreendedorismo social no Brasil

Nana Baffour investe no Brasil e promove negócios de negros, jovens e mulheres na Aceleradora Vale do Dendê


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Nana Baffour nasceu em Gana, na África Ocidental. Filho de um empreendedor local e de uma costureira, Nana partiu aos 20 anos para os EUA para estudar economia na Lawrence University, fez carreira no mercado financeiro e se tornou, nos conturbados anos 2000, um investidor voltado ao mercado de tecnologia de informação. O seu mágico poder de negócios é impublicável,  uma cifra relevante para quem só tinha US$ 100 no bolso quando se mudou para os Estados Unidos, com o orgulho e garra dos filhos de Gana, a primeira nação africana a se tornar independente de seus colonizadores ingleses. Essa visão globalizada o fez aportar há nove anos no Brasil, atrás de um mercado digital potencial. Nana, através de sua empresa Qintess, passa também a ser o mantenedor da aceleradora Vale do Dendê na promoção do empreendedorismo periférico.

Nesta entrevista exclusiva à Hype, Nana Baffour afirma que ter nascido em Gana foi um diferencial em sua carreira. “Nós temos muito orgulho de nossa raça, de onde viemos. Mesmo nos EUA, vejo que os negros não abaixam a cabeça. Eles podem até estar realizando serviços braçais, mas com altivez. Mantive esse foco em toda a minha vida.”

Nana e mais outros oito irmãos foram educados pelo pai, logo após o divórcio. “Em Gana não havia leis, quem tinha mais condições educava os filhos e meu pai levou a sério esta tarefa. Ele nos obrigava a estudar e era muito rígido em sua formação. Foi minha primeira lição de resiliência, mas, com esta forma de agir, ele permitiu que cinco dos seus filhos fossem estudar no exterior.” O pai de Nana era tão peculiar, que não colocou seu sobrenome nos filhos, para que eles se realizassem por si sós, sem o peso da herança paterna.
O contato com a mãe, que era costureira, foi raro, mas Nana atribui a ela sua criatividade e seu gosto pelo design. “Quando pequeno, não a conhecia, mas fui estabelecendo nossa relação à medida em que eu crescia. Ali conheci a pobreza.”

Gana é um país líder africano. Além de ser o primeiro a se libertar dos colonizadores, sua riqueza, que vai do ouro ao cacau, permitiu que um extenso intercâmbio internacional fosse promovido. A partir deste vaivém internacional, Nana quis partir, mas sem esquecer sua agressividade natural e o senso tribal, que foram essenciais ao negócio.

Ao chegar em Wall Street, Nana sabia que era por pouco tempo. “Tinha uma trajetória em mente. Fui trabalhar com serviços financeiros e depois com o mercado de tecnologia verde. Em 2002, resolvi investir em data centers, pois creio que a tecnologia é o motor de transformação social.”

Ele gosta de se recordar que, em 2011, ao montar a captação para uma startup foi questionado por um investidor sobre um negócio seu, que falhou no meio dos anos 2000. “Amigo, a Lehman Brothers faliu em 2008. O que um investidor, que trabalha com fundo de pensão, do dinheiro que vem dos outros, entende de empreendedorismo?” A resposta seca demonstra outros fatores que Nana detesta, como a meritocracia. “Este termo justifica a atrocidade e a acomodação.”

Nana afirma que os brasileiros, apesar de consumirem tecnologia, estão atrasados em relação aos demais países. “Quem não tiver acesso fica fora do restante do mundo.” E, por conta das bilionárias transações em nosso país, Nana pôde abraçar outro ambicioso projeto, investir R$ 10 milhões na Vale do Dendê e fomentar o empreendedorismo periférico e negro.

“Sabemos que as empresas não sobrevivem sem a diversidade. Quantas pessoas negras há no capitalismo de tecnologia? Quantos estão desenvolvendo tecnologia? A quem serve o mercado? Entendemos que há falha na formação da mão de obra e é por isso que vamos apoiar startups que tenham foco na promoção de criatividade, tecnologia e liderança.”

Nana acredita que a verdadeira revolução virá da periferia. “Onde tudo falta, há inovação. A cultura periférica vai prevalecer.” Na mentoria, Nana quer promover uma democracia mais justa, com o fomento a negócios de jovens, mulheres e negros até a tecnologia também estar envolta pela aura da negritude transformadora.


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