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Rosenildo Ferreira dá voz à sustentabilidade

Jornalista econômico, co-fundador da Vale do Dendê promove o protagonismo preto


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Rosenildo Ferreira
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Rosenildo Ferreira é múltiplo. Propulsor de empatia, desenvolveu seu talento pelas maiores redações brasileiras e hoje oferece seu profissionalismo e dedicação à Aceleradora Vale do Dendê, de Salvador. Fomentador do protagonismo periférico, Rosenildo reconhece que é preciso impulsionar negócios de mulheres, jovens e negros.

Essa liderança feminina Rosenildo descobriu na própria pele. Filho de um escriturário público e de mãe costureira, foi cobrado desde pequeno a estudar, mas foi a mãe quem financiou parte de sua faculdade de Comunicação Social, na extinta Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro. “Meu pai nos cobrava muito e sabia que só teríamos ascensão através da educação. Ele mesmo foi fazer faculdade de Letras somente após os 30 anos. Prestou quatro vezes o vestibular até conseguir passar. Ele se formou, mas isso não significou mais recursos financeiros à nossa vida, entretanto, todo esse esforço fez com que os livros fossem presença constante em nossa residência.”

Ao terminar o ensino fundamental, Rosenildo começou a trabalhar como office boy para estudar à noite. Quando ingressou na faculdade, deu-se conta que somente três negros cursavam jornalismo ali. “Minha mãe ajudava a pagar meu curso, os outros dois negros da minha sala eram um bolsista e um esportista.”

Naquela época, jornalismo era uma profissão respeitável. No feriado de Corpus Christi, em 1986, Rosenildo levou seu currículo para o Jornal do Commercio, onde foi contratado como estagiário e colocado na antiga seção de Geral. Ali, começou a cobrir atividades sindicais e logo após, com o Plano Cruzado, casou-se com a editoria de Economia, trabalhando no O Estado de S.Paulo, Rádio JB, Correio Braziliense (em Brasília e Londres), Gazeta Mercantil e Isto É Dinheiro.

Após a década de 90, a globalização trouxe mais diversidade às empresas, que começaram a ter mulheres e outras etnias como porta-vozes, entretanto, a presença de negros nas redações ainda era tímida.

“Profissionalmente, houve pouco racismo na minha carreira. O viés sempre chegou com as microagressões diárias, que são perversas. Era comum eu chegar em uma empresa para entrevistar um CEO e a secretária ou demais funcionários não me reconhecerem como jornalista respeitável pelo simples fato de eu ser negro.”

Com o crescimento da massa universitária negra de 3% para 30%, o jornalista afirma que houve mudanças na agenda midiática. “Até então, os negros não eram reconhecidos como consumidores. A mudança do mindset tem acontecido, principalmente quando a comunicação deixa de ser propriedade de pequenos grupos. Entretanto, a última defesa do ódio e preconceito racial está onde fica a concentração de dinheiro. A reação a um negro milionário ainda vai ser o ódio”, afirma.

O racismo velado no Brasil tem consequências cínicas. Enquanto o homicídio caiu 11% entre os jovens, as mortes aumentaram 12,9% em jovens negros. “Uma pesquisa mostrou que 90% dos brasileiros sabiam o que era racismo, mas 98% não se reconheciam como racista.”

Foi essa perversidade que fez o jornalista mudar de lado e empreender socialmente. “Na verdade, foi o empresário Domingo Azulgaray que me colocou em contato com a Faculdade Zumbi dos Palmares e apoiou aquela iniciativa, como articulador e imprimindo gratuitamente todo o seu material. Em decorrência deste encontro, em 2017, criamos a Aceleradora Vale do Dendê, um ambiente de inovação na Califórnia, NY, São Paulo, Rio e Salvador.”

Desde então, seus programas já beneficiaram mais de 90 empresas, que desenvolvem produtos e soluções tecnológicas de baixo custo e elevado impacto socioeconômico. O velho capitão da economia sustentável encontrou, desde então, um propósito. “A Vale do Dendê me trouxe o frescor como quando iniciei minha carreira”, diz. Uma solução social de transformação.


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