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Nina Simone, a personificação da pantera negra

Ativista do movimento negro, nos EUA, a cantora trouxe o sofrimento da causa à sua música genial


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Nina Simone
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Nina Simone não nasceu Nina. A personagem musicista genial do jazz foi moldada para ser uma pianista clássica e, ao ser barrada no Instituto de Música Curtis, na Filadélfia, apesar de ter cursado piano clássico no Juilliard School, em Nova York, Eunice Kathleen Waymon trocou de nome, para não aborrecer os pais, que não a queriam nos bares de jazz. Ela carregou essa rejeição a vida toda, assim como a dor dos negros americanos, tornando-se sua principal porta-voz.

Filha de uma empregada doméstica e ministra da igreja, Nina teve seus estudos custeados pela patroa de sua mãe. De gênio forte, obrigava seus pais a se sentarem na primeira fileira para assisti-la, o que era impensável na época.

Nina apoiava o movimento dos Panteras Negras e, muitas vezes, acreditou que somente uma guerra deflagrada e armada mudaria a situação dos negros americanos. Sua canção Mississippi Goddamn tornou-se um hino ativista da causa negra, sobre o assassinato de quatro crianças negras em uma igreja de Birmingham em 1963. Foi a principal porta-voz da causa, cantando no enterro de Martin Luther King, em 1968. Ao se apresentar em um evento militar em Forte Dix, Nova Jersey, em 1971, em plena Guerra do Vietnã, Nina Simone deu voz àqueles que eram contrários ao conflito, quando cantou um poema em que Deus é chamado de assassino, após 18 minutos de My Sweet Lord, de George Harrison.

Tanta militância lhe causou problemas na carreira, assim com sua depressão, drogas e álcool. A dor que carregava era maior que sua alma. Na década de 70, deixou os Estados Unidos, para morar na Europa e África.

Seu icônico show em Montreux, em 1976, mostra todo o seu potencial como pianista e cantora. Nina não queria se apresentar na França, mas precisava voltar à carreira para continuar se mantendo financeiramente. Sua tristeza ali (ouça a canção ‘Feelings” neste show) é incomparável, assim como a lição de voz preta, potente, beligerante e poética, ao mesmo tempo.

Nina morreu aos 70 anos, dormindo em sua residência na Suíça, após lutar três anos contra um câncer de mama. Sua beleza preta, sua potência a imortalizaram. A mais controversa e maravilhosa cantora de jazz.ariadnr


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