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Casas em contêineres: a nova forma de morar

Por transição ou até mesmo uma forma sustentável de integração com o meio ambiente, novidade desponta no Brasil


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Casas em contêineres
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Aficionados por uma construção sustentável, integrada ao meio ambiente e de menor porte, a nova geração tem buscado uma nova forma de morar ou de empreender, inspirada em modelos americanos, com uso de antigos ou recém-adquiridos contêineres.

O custo, no Brasil, não é tão vantajoso em relação aos EUA, mas, para quem quer uma solução prática e rápida, o contêiner desponta como um toque moderno de construção.

Para o arquiteto Eduardo Carlos Pereira, o contêiner serve melhor para um uso transitório. “É preciso que ele fique em um local sombreado, para diminuir o custo com a climatização. Além disso, como não há mão de obra especializada no Brasil, a construção de pias e banheiros pode ficar mais cara.”

Eduardo aponta que, entretanto, para quem está locando terrenos, o contêiner pode ser uma boa solução. “A vantagem é que você pode levar seu contêiner para onde quiser.” Para ele, há uma mudança cultural no conceito de morar, mais fluida.

Buscando uma solução de transitoriedade, Cecília Gomes, 40 anos, jornalista e atriz e Júlio Cesar de Almeida Lemos, de 42 anos, professor de geogragia e luthier, optaram por um contêiner de seis m² após adquirirem um pedaço de terra em Itapeva, cidade localizada no sul de Minas Gerais, que fica a aproximadamente 1h40 de Campinas.

“Neste espaço, eu e meu marido construiremos uma casa de pau a pique, que é uma técnica de construção antiga, mas muito inteligente. Esse é o projeto da nossa vida e exigirá uma mudança total na forma em que nós vivemos. A ideia é preservar o ambiente e viver de acordo com as energias oferecidas pelo local. Para entender essa dinâmica, acampamos no local por um mês para entender o solo, as dinâmicas do vento e da água.”

Para poder “entender” e ler os sinais do local do qual irá usufruir futuramente, Cecília optou pelo contêiner, que possui uma infraestrutura básica. “Estamos buscando referências on-line e há um livro ótimo que tem nos ajudado muito, chamado ‘Manual do Arquiteto Descalço’, de Johan Van Lengen”, afirma Cecília. O contêiner foi uma solução imediata.

Entre idas e vindas até Campinas, onde o casal mora, o sítio de Itapeva começa a receber as primeiras benfeitorias. “Já plantamos bambu, por exemplo, que será útil para a estruturação da casa e também para a confecção de instrumentos musicais, que é um dos trabalhos exercidos pelo Júlio. Pretendemos ripar ele e explorar outras possibilidades de uso, uma vez que é um material durável e muito adequado.”

As dificuldades
O Brasil está aquém de outros países na solução de construções sustentáveis. “Já tínhamos essa predileção por morar em uma casa mais rústica, mas optar pela casa de pau a pique não foi simples, mas, logo após a nossa decisão, outro desafio foi encontrar uma linha de financiamento que aceitasse esse tipo de projeto. Não existe, ninguém aposta nesta ideia.”

Um fator que contribuiu para a decisão do casal foi a possibilidade de fazer uma casa com recursos naturais, respeitando a dinâmica do ambiente. “Já parou para pensar o quanto nós gastamos para fazer uma casa entre materiais, mão de obra e procedimentos? Eu não quero fazer terraplanagem e causar uma erosão da terra, por exemplo. Quero que seja o mais natural possível. Isso é sobre respeitar o fluxo de energia e levar uma vida mais integrada com a terra”, afirma Cecilia.

De forma alternativa, a experiência de Cecília tem mostrado que a vida é fluxo e tudo é efêmero. “Se pudéssemos integrar a terra à nossa vivência, nossa existência seria mais sólida. Além disso, contribuiríamos para a conservação do planeta como um todo.”


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