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Modelo descoberta aos 68 anos fala sobre seu novo estilo de vida


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Setsuko Saito, modelo descoberta aos 68 anos
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"Há dois anos eu estava passeando na Avenida Paulista, em São Paulo, quando fui abordada por um profissional de uma agência de modelos perguntando se eu já tinha pensado em seguir carreira no mundo da moda. Eu tinha 68 anos na época e achei aquilo surreal. Nem levei muito a sério. Mas a mesma situação aconteceu outras duas vezes, na mesma avenida, por outras agências e pro fotógrafos. Foi aí que comecei a questionar: será que eu levo jeito?", conta a modelo Setsuko Saito, de 70 anos.

Saito nunca havia se imaginado como modelo. Nascida em Araçatuba, no interior, se mudou para São Paulo ainda criança, com cinco anos. "Quando adulta, me casei e tive três filhos, que hoje têm 41, 39 e 37 anos. Fui dona de casa a vida toda e, assim que fiquei viúva, comecei a fazer artesanato com plantas", diz.

A modelo explica sobre a proposta. "O convite chegou de forma inesperada. Não aceitei de primeira, mas, depois, comecei a pensar a respeito. Não queria dizer sim sem antes pesquisar sobre a área e a agência que tinha me chamado, a Mega. Sabia que, se topasse, teria que levar a sério — fazer um book de fotos, o que demandaria um investimento da minha parte. Quando me senti preparada, demos início ao trabalho. Durante um ano, fiz alguns trabalhos pequenos. Aprendi que a carreira de modelo demanda paciência, tem que ter persistência e certeza de que você realmente quer fazer isso. Meu primeiro trabalho grande foi com a Natura. Lembro de chegar ao estúdio me sentindo tão leve que isso se refletiu no resultado final. Elogiaram a minha naturalidade e perguntaram onde eu estava escondida esse tempo todo", compartilha Saito.

A modelo explica como é o universo da modelagem. "Entrei na carreira de modelo pensando que era só fazer caras e bocas e não é assim — tem que colocar alma em cada trabalho. Tem que incorporar uma personagem, como se fosse atriz, para transmitir a mensagem que a marca quer. Por isso, fiz curso de atuação, de passarela e aprendi passos básicos de dança. Isso tudo tem sido muito motivador — são coisas que eu jamais iria fazer. Agora quero estudar inglês. Meu sonho é desfilar na Europa", diz.

Saito apresenta um novo estilo de vida. "Ser modelo me tornou mais vaidosa. Antes, eu passava um batom e olhe lá. Nunca tive esse tipo de vaidade — havia feito as unhas só para o meu casamento, não sou fã de salão de beleza e não ligo muito para roupa e sapato. Minha vaidade é outra. Gosto de cuidar da minha saúde e alimentação. Minha família é japonesa e minha criação foi baseada nos costumes orientais. Se ficasse doente, não me davam remédios, e sim chás. Sempre foi tudo muito natural. Não digo que por conta da carreira me sinto pressionada a me cuidar mais. É uma responsabilidade que eu me exijo", conta a modelo.

"O mundo da moda hoje está bem diferente. A única vez que senti olhares desconfiados foi no meu primeiro desfile e por parte de modelos adolescentes. Hoje vejo que tem muito mais espaço, que há trabalho para todos. Mas quem quer ser modelo não pode ir na ilusão, achando que as coisas vão acontecer de uma hora pra outra. Tem que ir com fé, mas com responsabilidade antes de tudo", encerra Saito.

 


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