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O Feminino: polaridade e substância

Já é muito divulgado no ocidente um dos pilares da tradição filosófica do Taoísmo, o binômio do YIN e YANG


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Alexandre Martin
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Já é muito divulgado no ocidente e certamente do conhecimento do leitor(a) um dos pilares da tradição filosófica do Taoísmo, o binômio do YIN e YANG. Seja porque teve contato com a cultura ou porque simplesmente viu o seu símbolo mais famoso (a roda com as crescentes opostas, em cor clara e escura), quase todos tiveram algum contato com o conhecimento que permeia as correntes religiosas orientais e mesmo áreas como a medicina tradicional chinesa.

Como símbolo e ideia, o Tao é uma chave para discussão e posterior construção de uma visão do mundo material a partir da qualidade da energia que o permeia. Mostra o invisível que sustenta o visível. A experiência de cada um com o Tao é única e individual, mas eu me atrevo a partilhar aqui a minha própria.

A polaridade YIN, muito relacionada ao feminino, na realidade não é associada a um gênero, pois tem existência anterior à própria materialização do feminino. Ela é, antes de tudo, o movimento de recolhimento, de colheita, construção, organização, trazendo para o mundo material tudo o que é criado no mundo das energias. Com seu incrível poder, a polaridade YIN recolhe toda a energia expansiva, criativa e volátil gerada pelo movimento YANG e a condensa na sua essência, criando o material, trazendo para o real o que antes era só energia ou, como dizemos no campo médico oriental, condensa energia em uma substância, no caso o sangue (xue).

Daí então compreendemos a associação dessa polaridade à mulher e ao feminino. O exercício dessa capacidade pragmática, sintética e cristalizadora cria e sustenta toda a matéria do mundo. Dá forma palpável a alegrias e anseios, através dos cuidados que recebe do acolhimento das mãos de uma mulher.

Graças à ação do Yin, que gera o feminino e que emana das mulheres, o mundo hoje é habitável, vivo e estruturado. Não é à toa que, através do ventre da mulher, que acolhe o Yang criativo e lhe dá raízes, que todos nós chegamos aqui. Dando vazão a essa energia que todos temos contato, uns de forma mais aparente do que em outros, mas que é comum a toda a matéria, tornamos o nosso mundo mais organizado, estruturado e nutrido das substâncias que dela derivam: no corpo físico é o sangue e no nosso espírito é o pragmatismo e a sabedoria.

Dr. Alexandre Martin é médico formado pela Unicamp e especialista em Acupuntura e Osteopatia


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