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Vinhos orgânicos, naturais ou biodinâmicos?

Os vinhos orgânicos, não utilizam nenhum tipo de tratamento químico das uvas


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Vinho orgânico
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Anda muito na moda o lance da galera pedir vinhos orgânicos. Sempre recebo perguntas sobre o tema e a partir daí surgem várias dúvidas e desdobramentos sobre a diferença entre o orgânico, o natural, o biodinâmico e agora ainda pintaram uns vinhos veganos? Bom, vamos tentar falar um pouco mais sobre eles, vejamos:

Os vinhos orgânicos, não utilizam nenhum tipo de tratamento químico das uvas, ou seja, não fazem uso de herbicidas, fungicidas, pesticidas e outros idas do gênero, tampouco qualquer tipo de fertilizantes sintéticos no vinhedo. Ok, e a partir disso o produtor já pode se dizer orgânico? Em princípio sim!

Já o biodinâmico seria o orgânico, com algo a mais, vamos ver:

A palavra “biodinâmico” vem do grego “bio” (vida) mais “dunamis” (força). Em português, ao pé da letra, significa “força da vida”. Já no nosso dicionário encontramos a definição como “teoria das forças vitais”.

O solo para os biodinâmicos é encarado como um organismo vivo, como um sistema, não como mero campo para o cultivo forçado das plantas. Sendo assim, todos os produtores de vinhos biodinâmicos afirmam que a atividade agrícola, neste caso, sofre influência de forças cósmicas emanadas do sol e da lua, inclusive, são as fases da lua que determinam o plantio e a colheita. Pois é, isso mesmo!

Destaca-se que, com o uso excessivo das técnicas químicas, a microflora do solo, formada por fungos e algas, responsável pela transmissão de nutrientes do solo às raízes, bem como a microfauna, formada por vermes, ácaros e insetos, responsáveis pela aeração do solo, são completamente extintas!

Já os naturais eu diria que são os vinhos orgânicos que não usam nenhum agrotóxico, utiliza as técnicas biodinâmicas e solo, mas com algo ainda mais, qual seja, a base de sustentação está no próprio vinho, haja vista os vinhos serem elaborados com mínima intervenção do homem na fase de vinificação, vez que, o uso do dióxido de enxofre, mais conhecido como anidrido sulfuroso, o SO2, um tipo de conservante usual entre os produtores de vinhos no geral, é praticamente reduzido a zero. Pois esses produtores entendem que os vinhos naturais devam evoluir de forma diferente na garrafa, sem qualquer tipo de conservante.

Deu para entender? É mais ou menos assim! Orgânico seria o mais light, depois o biodinâmico um pouco mais complexo e o natural seria o “natureba” mesmo, por completo!

Importante observar, ainda, que regras já existem no meio da prática orgânica, natural e biodinâmica, isto é, os órgãos internacionais de certificação desenvolveram um sistema, onde proibiram o uso de herbicida, fertilizantes químicos ou qualquer tratamento sistêmico que interfira na saúde da planta. Proibiram também o uso de enzimas, a desacidificação, a adição de ácido, a irrigação e a chaptalização (adição de açúcar no mosto).

E agora ainda temos os veganos? Vamos lá: No processo de clarificação do vinho, pelo qual um agente filtrante é adicionado ao barril ou tanque. Esse agente, geralmente é uma proteína que, basicamente, coagula as matérias sólidas presentes no vinho (resíduos da casca, polpa, etc) fazendo com que se precipitem no fundo do recipiente, sendo eliminadas antes do engarrafamento, vez que, após retiradas essas matérias, o vinho sai do seu aspecto turvo e vai para o límpido e brilhante. Ocorre que as substâncias utilizadas para a clarificação podem ser de origem animal e aí que o rótulo do vegano aparece, pois muitas vezes não se utilizam de substância animal ou deixam de clarificar o vinho.

Bom, deu pra perceber que o cultivo desses vinhos não é tão simples assim né? Trata-se de um trabalho sério que hoje é uma realidade, não se tratando apenas de uma jogada de marketing ou algo passageiro.

Mas sincera e honestamente, na minha opinião, já que ninguém pediu, entendo que seja o tradicional, o orgânico, natural, vegano ou biodinâmico, pra mim, o mais importante é não atrapalhar o que o vinho tem de melhor, que é o prazer! Não vamos nos apegar às definições e identidades do vinho, pois o que eu sempre prego é que o melhor do mundo do vinho é você formar a sua própria opinião. Vamos desmistificar, vamos facilitar, vamos beber e sermos felizes, simples assim! Viva!!


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