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Ciência do congelamento garante desejo de adiar sonho da maternidade

Os valores variam de acordo com as clínicas e medicação usada, mas de uma forma geral, é um investimento de cerca de R$ 18 mil a R$ 20 mil e uma taxa anual de R$ 1 mil para manutenção


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Congelamento
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A possibilidade de retirar os óvulos e congelá-los faz com que cada vez mais mulheres possam ser mães com idades mais avançadas, mas com óvulos jovens

A cada ano que passa mais mulheres escolhem adiar o momento da maternidade. Seja por desejo de focar na carreira, construir estabilidade financeira ou conquistar maior maturidade. Graças a ciência e a possibilidade de congelar os óvulos para fertilizar quando tiver vontade, o sonho de ser mãe mais velha é cada vez mais possível.

Após terminar um relacionamento há dois anos, a médica Isabel Reis, 38 anos decidiu realizar o procedimento. “Na época decidi fazer exames para dosar meus hormônios e avaliar minha reserva ovariana e descobri que eles estavam no limite inferior da normalidade. Por isso decidi congelar os óvulos”, relata.

Isabel ainda não tem previsão de fertilização dos óvulos congelados. “Mesmo não tendo planos, fico muito mais tranquila sabendo que tenho a possibilidade de fertilizá-los assim que eu desejar. Decidi não ter planos, metas ou regras. Não defini idade limite nem se serei mãe solo. Exatamente por conta disso fiz o procedimento, para ter a tranquilidade de não planejar nada”, ressalta a médica.

A ginecologista especializada em fertilização humana Carolina Simeão Pazinatto Vilhena afirma que quanto mais jovem for a mulher, mais óvulos ela terá. “Qualquer mulher que tenha óvulos, que não esteja na menopausa nem amamentando pode realizar o estímulo ovariano para congelamento. Não há idade mínima nem máxima, porém, quanto mais jovem, mais óvulos terá, além de serem de melhor qualidade. Por conta disso, a idade ideal para o congelamento é por volta dos 30 anos, quando geralmente realizando um único procedimento é possível retirar muitos óvulos de boa qualidade. É possível prever a resposta ao tratamento de acordo com a reserva ovariana e a idade da paciente”, explica.

De acordo com Carolina, as mulheres costumam fazer o procedimento por três motivos principais. O desejo de adiar a maternidade é o primeiro deles, pois hoje em dia as mulheres estão muito mais inseridas no mercado de trabalho e procurando mais estabilidade financeira e conjugal antes de terem filhos. Chamamos de preservação social da fertilidade. O segundo motivo principal é por conta de algum procedimento que será prejudicial aos ovários. Pacientes submetidas a tratamentos quimioterápicos para câncer de mama, por exemplo. Nesses casos é imprescindível o oncologista encaminhar para avaliação com um especialista em reprodução humana antes do tratamento oncológico. O terceiro motivo que leva as mulheres a congelarem os óvulos é o surgimento de doenças que prejudicam a fertilidade e são progressivas como a endometriose”, afirma.

Os valores variam de acordo com as clínicas e medicação usada, mas de uma forma geral, é um investimento de cerca de R$ 18 mil a R$ 20 mil, além e da taxa anual de R$1 mil para a manutenção dos óvulos congelados. “O processo do congelamento de óvulos é simples e de baixo risco. Começa no início do ciclo menstrual quando são realizados exames hormonais e ultrassom para ver se está tudo certo. É iniciado o estímulo ovariano para o crescimento dos folículos através da aplicação de injeções hormonais subcutâneas diárias. A partir disso, é feito um controle com ultrassons periódicos por cerca de 10 dias e os óvulos são coletados por volta do 12° dia do fluxo. O procedimento dura cerca de 20 minutos, é feito sob sedação e os óvulos são coletados através de uma agulha”, revela a ginecologista.

Não existe validade para os óvulos congelados. “A mulher pode descongelar, fertilizar e transferir os embriões quando quiser, com as chances de engravidar como se tivesse a idade do óvulo quando ele foi congelado”, garante Carolina.


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