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Geração Alpha enfrenta o desafio de aprender e brincar durante o isolamento

A longo prazo, aspectos sociais dos ‘futuros adultos’ podem ser impactados devido à falta de interação social


Arquivo Pessoal
Amanda Oliveira Goes se encontrou na leitura durante a pandemia
Crédito: Arquivo Pessoal

Com parques fechados, escolas em ensino remoto e o contato com outras pessoas reduzido por conta da pandemia da covid-19, as crianças da geração Alpha, que são aquelas nascidas a partir de 2010, foram privadas de trocas importantes em um período da vida em que as experiências são imprescindíveis para o aprendizado.

Embora os impactos deste atual cenário venham a se tornar visíveis no futuro, para os pais o principal desafio é a adaptação ao agora. A dona de casa, Susanne Moraes Wolcher, de 32 anos, conta que uma das maiores dificuldades que tem enfrentado é lidar com a mudança brusca na rotina da pequena Cristal Wolcher Cardillo, de 6 anos, e do caçula Davi Luiz Moraes Gregório, de 5 anos. “O que mudou depois que tivemos que entrar em isolamento? Tudo! Tínhamos uma rotina ativa, frequentávamos os parques e as crianças tinham uma interação direta com outras crianças no ambiente escolar. De repente, isso tudo foi interrompido e tivemos que reaprender a explorar o ambiente doméstico”, compartilha.

Com a mudança de rotina, veio a mudança de comportamento. “Por volta do sétimo mês de confinamento, minha filha começou a apresentar tendências depressivas. Se mostrou muito triste e desanimada para praticar as atividades que estávamos desenvolvendo em casa. Já o meu filho ficou mais irritadiço
e começou a quebrar os brinquedos”, conta a mãe.

De acordo com a psicopedagoga clínica e institucional, Natalice Félix Cassimiro, de 42 anos, essa mudança de comportamento pode ser desencadeada pela falta de interação social. “A privação do contato com outras crianças pode afetar algumas habilidades, uma vez que é na infância que ocorrem as primeiras conquistas e o desenvolvimento de novas aprendizagens. Ou seja, nessa fase da vida a criança aprende a lidar com as frustrações, bem como a respeitar, dividir e compartilhar. A ausência desse processo, a longo prazo, pode gerar um adulto com dificuldades em lidar com o outro”, pontua.

Na tentativa de reverter esse quadro, Susanne não poupou sua criatividade e buscou o potencial recreativo que poderia haver dentro da própria casa. “Como eles estão em fase pré-escolar, tenho explorado atividades lúdicas com itens que possibilitem o uso da criatividade e da imaginação, como brincadeiras com massinha,
guache e até mesmo elementos da natureza presentes em nosso quintal”, relembra.

A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) realizou um levantamento sobre as rotinas, relações sociais e experiências das crianças ao longo da pandemia que aponta que 63,2% das crianças têm se entretido com jogos eletrônicos, sozinhas ou com amigos; 22,4% têm praticado atividades físicas e outros 20,7% leem títulos que não sejam os determinados pela escola.

A psicopedagoga Rosângela Souto explica que explorar o lúdico é algo fundamental para as crianças, principalmente durante a pandemia. “O brincar a ora a criatividade de forma significativa e constante, uma vez que estimula aprendizagens diversas. A brincadeira pode ser compartilhada ou individual e, nesses momentos, podemos observar se a criança usa o brinquedo de uma forma funcional, qual é a sua capacidade de explorar a imaginação para criar ou recriar, bem como acompanhar o desenvolvimento da coordenação visomotora e atenção”, assinala.

A gestora de RH, Márcia de Oliveira Goes, de 40 anos, é mãe da Amanda Oliveira Goes, de 7 anos, e para ela a prática do lúdico se deu através do resgate da própria infância. “Na pandemia comecei a buscar atividades para preencher o dia da Amanda além das tarefas escolares e do balé. Assim, eu levei para a minha filha as brincadeiras que eu fazia durante a minha infância, como amarelinha, corda, peteca, damas e outras, mas isso não supriu a necessidade dela, que é uma criança muito enérgica”, relata. No entanto, foram os livros que preencheram a rotina da menina. “Encontrei no Instagram perfis de pessoas que liam para crianças e comecei a praticar com a Amanda, que já tinha gosto pela leitura e se apaixonou ainda mais por este vasto universo”, diz Márcia, alegando que a biblioteca - física e digital - dobrou de tamanho nos últimos meses.

No caso de Márcia e Amanda, a tecnologia facilitou o acesso a recursos de aprendizado. No entanto, até para uso pedagógico a tecnologia deve ser moderada. “O ideal é que crianças sejam mediadas nas atividades quaisquer que sejam, quando se trata de ter que usar os recursos tecnológicos. Crianças que passam muito tempo na frente de uma tela de computador, tablet ou celular tendem a desenvolver vício, gerando uma grande ansiedade e os afastando de atividades saudáveis e sociais”, alerta Souto.

PARA ENTRETER OS PEQUENOS

A seguir, confira alguns canais educativos voltados para os pais e para o público infantil:

LudoEducativo

(https://www.ludoeducativo.com.br/pt/)

Portal on-line organizado por disciplinas, traz jogos e atividades interativas para os pequenos. Há ainda artigos com experiências de professores e dicas educativas para os pais.

Ninhos do Brasil

(https://www.ninhosdobrasil.com.br/)

O site Ninhos do Brasil se define como um portal para “pais e mães em fase de crescimento”. Com dicas e atividades para crianças de zero a nove anos, o canal dialoga com os pais e os ajuda a entender cada fase de desenvolvimento dos pequenos.

Fafá conta histórias

(https://www.youtube.com/channel/UC9fxSdFjcz5QWDEhYCk_k1w):

Neste canal, a atriz Flávia Scherner conta histórias e compartilha outros conteúdos educativos para crianças.

Maria Clara & JP

(https://www.youtube.com/c/MariaClaraeJP/about)

São vídeos de crianças para crianças, que trazem conteúdos relacionados a valores, como a importância da família e dos amigos, além de jogos e brincadeiras.


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