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Amamentar em meio à arte pode auxiliar no fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê

Música, literatura, pintura, entre outras formas de expressão são técnicas utilizadas para aumentar a conexão e superar dificuldades do momento


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Amamentar em meio à arte pode auxiliar no fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê
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A amamentação é um momento muito especial e importante tanto para a mãe quanto para o bebê. Uma boa preparação desde a gravidez, com muita informação, pode ajudar a mulher a viver esse momento de forma leve, sem dores ou grandes dificuldades. Para auxiliar no fortalecimento do vínculo entre a mãe e o bebê, a arte tem um papel importante. Seja uma música, ouvida desde o início da gestação ou uma história contada enquanto o bebê mama, toda forma é válida para aumentar a conexão entre os dois.

Dafne Brito Zichel, 33 anos, é mãe de Ariadne e Iris, de 4 anos e 1 ano e 8 meses, respectivamente. Quando a filha mais velha nasceu, teve dificuldades em amamentar, por isso, como uma sugestão da consultora de amamentação Maria Manoela Duarte, desenhou flores em seus seios, que se uniam
à bochecha da filha quando ela mamava. “A Manoela deu a ideia, e assim que ela sugeriu, topei na hora. Uma lembrança pra simbolizar nosso laço mãe e filha na hora da amamentação, e a importância de nutrir.  Como se fôssemos a continuação uma da outra e o leite como fonte de vida”, conta.

Para a mãe, a rede de apoio da família e da consultora de amamentação zeram toda diferença. “A Manoela sempre esteve presente, desde a gestação, nascimento e amamentação. O apoio de todos ao redor é muito importante. Nossos primeiros dias não foram fáceis, pois eu estava com muita dificuldade para amamentar e ela me acalmou e ajudou a ver que eu era capaz de cuidar e amamentar minha filha. Com muito carinho, atenção e paciência esse elo de mãe e filha se fortificou”, relata Dafne.

A auxiliar de escritório Letícia Cavalcante dos Santos Souza teve seu primeiro filho, Wagner, há dois meses. Desde então, ele mama exclusivamente no peito, sem nenhum tipo de “bico artificial”. A música sempre serviu para fortalecer o vínculo entre os dois. “Desde a gestação eu ouvia música MPB para relaxar, sempre passando as mãos na barriga e cantando para me conectar com o bebê. Depois que ele nasceu continuamos ouvindo as mesmas músicas da gestação, inclusive nos momentos de amamentação. Percebo que quando ele está agitado, essas músicas o deixam mais calmo. Também leio livros para ele desde o décimo dia de vida, antes o Wagner não esbanjava nenhuma reação, mas com o decorrer dos dias começou a olhar fixamente pra mim”, relata.

Letícia conta que a preparação para o momento da amamentação começou desde a gravidez. “Com muita pesquisa e auxílio da minha doula, que deu uma aula sobre amamentação para mim e meu marido, explicando sobre as fases do leite, a pega correta e tudo que poderia acontecer. Mesmo assim, o Wagner teve dificuldade em pegar o seio direito e isso acabou me machucando nos primeiros dias. Contudo, contamos com a ajuda da doula novamente, que ensinou algumas técnicas e fez com que meu bebê aprendesse a mamar corretamente. Hoje não sofro mais dores”, revela.

Para auxiliar a fortalecer o vínculo entre mãe e bebê, a arte se apresenta de diversas formas. A doula, educadora perinatal e consultora de amamentação, Aiuna Mota Pinheiro, comenta sobre duas principais perspectivas de arte ajudando na amamentação. “Vivemos em um país onde o tempo médio de amamentação é de 54 dias, sendo que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde é de seis meses em aleitamento exclusivo. Por isso, podemos enxergar a arte como promotora e incentivadora do aleitamento por ser uma grande aliada para promover debates maiores sobre esse assunto e contribuir de forma positiva para um aumento do tempo de amamentar”, afirma.

Além disso, a arte pode e deve ser usada como ferramenta de bem-estar físico e emocional da pessoa que amamenta, e com isso favorecer o ato de amamentar. “É comprovado cientificamente que a arte, seja ela qual for, é um ótimo recurso promotor de saúde mental. E saúde mental materna é algo que precisa ser levado muito em consideração pela sociedade. Muitas mulheres que estão vivenciando a maternidade têm
se sentindo cansadas e sobrecarregadas, o que tem impacto diretamente na saúde emocional e física. Tal impacto tem sérios riscos de afetar o processo de aleitamento, já que amamentar se trata de um processo fisiológico que, por si só, costuma ser cansativo e que demanda tempo, principalmente nos primeiros três meses de vida do bebê”, completa a doula.

Para as duas perspectivas citadas anteriormente, todos os tipos de arte são capazes de serem aliadas. “Destaco a música, que pode ser usada durante o ato de se preparar para amamentar e durante a mamada para trazer mais conforto, relaxamento e conexão com o momento presente”, revela.

Aiuna explica que o próprio ato de amamentar no seio é um método que pode favorecer o aumento do vínculo entre mãe e bebê, mas não é a única. “E é importante frisar que não é a única técnica, pois há muitas mulheres que por diversos motivos não conseguem amamentar. Mas ainda assim é possível construir vínculo forte com seu bebê e lhe dar muito amor. Colo, contato pele a pele, dança, sling, banho de chuveiro, conversar com o bebê e cantar para ele são técnicas incríveis que também promovem essa conexão”, conta.

PREPARAÇÃO E DESMAME

Para a doula, o ideal é que uma pessoa que deseja amamentar se prepare o quanto antes, começando ainda na gestação. “Esse preparo com o bebê ainda no ventre se dá de apenas uma forma, com informação de fontes seguras. Infelizmente a internet e muitos profissionais desatualizados recomendam práticas que se dizem ser de preparo para a amamentação na gestação, mas que são totalmente antigas e não recomendadas e além de não possuírem comprovação científica que de fato favorecem a amamentação depois que o bebê nasce, podem intensificar ainda mais quadros de fissuras e traumas mamilares, ductos entupidos e mastites quando iniciar de fato o processo de amamentação. Amamentar com dor, por mais que seja algo comum, não é algo normal. A amamentação é algo que precisa ser bom e prazeroso não só para o bebê, mas para a mãe também. Por isso, a qualquer início de dor ou machucado nas mamas, procure um profissional”, aconselha Aiuna.

A OMS recomenda amamentação exclusiva até os seis meses de idade, porém muitas mulheres desmamam antes desse período por conta de dor ao amamentar, cansaço extremo, falta de informação, falta de incentivo da família e falta de auxílio. “Nesses casos, se faz importante iniciar um processo de desmame gradual, e não abrupto, a m de evitar traumas para o bebê e para a mãe, principalmente com o seu corpo que ainda possui uma certa rotina de produção de leite”, explica a doula.

A enfermeira obstetra e comunicóloga, consultora em amamentação e laserterapeuta do pós-parto – que foi consultora de amamentação de Dafne e realizou as pinturas – Maria Manoela Duarte Rodrigues, conta que utiliza a arte em todos os contextos da gravidez. “No caso da música, funciona como uma ponte. Proporciona uma ligação importante entre mãe e bebê. Incentivo que a mulher ouça música e cante para o bebê já durante a gestação, pois a ciência já comprova que o feto ouve e reage a sons dentro do útero, então é como se ‘reconhecesse’ alguns sons ao nascer e isso pode acalmá-lo. Por conta disso, durante o período de amamentação a mãe cantar para seu bebê e colocar músicas que ouviu durante a gestação pode gerar sensações muito boas e acalmar a ambos”, conta.

Ainda durante a gravidez, Maria Manoela propõe a arte gestacional para que a mulher tenha momentos de prazer e calma no meio de tanta ansiedade e expectativa. “Uso o termo ‘amorização’ quando a mulher recebe esta arte em forma de carinho, onde escutamos o coração do bebê e ajudo a perceber a posição que o bebê está no útero e aí fazemos o desenho e a pintura de acordo com preferência de cores e temas da mãe. Geralmente faço a pintura durante a amamentação em mulheres que já fiz a arte durante a gestação. É como fosse uma continuidade do processo e mostrasse para a mãe a ligação entre ela e o bebê durante a amamentação”, conta.


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