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Cantar ajuda no desenvolvimento e cria elos emocionais

A música estabelece vínculos entre pais e filhos e dá suporte ao desenvolvimento emocional e neurológico, segundo a musicista Margareth Darezzo


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Cantar ajuda no desenvolvimento e cria elos emocionais
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Levar música de qualidade às crianças é respeitar seu desenvolvimento, com apoio no lúdico e na percepção. A cada faixa etária, a capacidade de entendimento se expande, mas não faz sentido expor os pequenos à violência diária ou letras que ainda não lhes dizem respeito. O Brasil é expoente em educação musical infantil, e como não citar a musicista e pedagoga Josette Feres, jundiaiense por opção, como a iniciadora deste movimento no país. Há excelentes opções de música infantil, desde àquelas tocadas por Villa-Lobos até o grupo Palavra Cantada. Atualmente, Margareth Darezzo, letrista, musicista e cantora mostra que é possível cantar só para crianças e se divertir (por que não?) em família. Nesta entrevista, a cantora nos fala da importância da música para os pequenos e a dica é ler esta reportagem ao som do “Camelo e Dromedário” ou “Respire Fundo”, diversão na certa.

1) Qual a importância de criança ouvir música feita especialmente para ela?

Margareth Darezzo: A música é uma característica humana universal e, entre outros benefícios, pode modular humor, evocar emoções,e com isso, pode promover coesão social e o sentido de identidade e pertencimento. Se a música fizer parte do contexto da vida da criança, podemos pensar que o envolvimento seja diferenciado, otimizado e agradável.

2) Como isso pode desenvolver suas habilidades cognitivas e sociais?

Apreciar e produzir música envolve processos perceptivos, cognitivos e emocionais. O uso de um repertório e atividades específicas para a criança pode proporcionar aquisições em um tempo adequado, sem pressa ou sobrecarga desnecessária. Objetivos da formação musical são diferentes de entretenimento e recreação e as duas situações podem proporcionar oportunidades ricas para desenvolver cognição e convívio social.

3) Quando você compõe, quais são os elementos com que se preocupa?

Costumo dizer que não perco a oportunidade de agregar valores e proporcionar um convívio agradável da criança com a música. Penso na criança o tempo todo...desde a inspiração até a produção. Tema, conteúdo, passeio de melodia, harmonia, ritmo... oportunidades de percepção, estímulo lúdico para cantar... possibilidades de movimento com o corpo, oportunidades de reflexão e entendimento do mundo. E esse processo é muito saboroso!

4) Você acredita que as crianças devam ser “protegidas” de músicas violentas, de cunho adulto? Como os pais devem fazer isso?

Acredito e acho necessário...na verdade, acho que estamos em um momento que a violência não merece propaganda e nem hino... o cérebro aprende o que repete... Não estou falando da ideologia das artes, que um compositor não tenha a liberdade de falar de assuntos adultos ... a questão que coloco aqui é a formação e o crescimento da criança. O que uma criança suporta é diferente de um adulto, e para falar da violência é necessário um entendimento de mundo por vários ângulos de vista e isso requer maturidade. Os pais mudam tantos hábitos...hoje li uma mãe que disse estar revendo o consumo social de álcool em casa porque os filhos estão chegando na adolescência. Achei válido, responsável e amoroso. Talvez a escolha de um repertório para todos pode ser o primeiro passo para uma evolução no hábito de ouvir música em família!

5) Qual a música de sua infância que ainda adora?

Minha mãe era professora de piano...então...Bach, Chopin e Beethoven eram as delícias da infância, minha e da minha irmã. Quando ouço algumas músicas específicas desses compositores, sinto o amor da minha casa, da minha família... Minha irmã e eu tocamos a quatro mãos uma música que aprendemos quando éramos muito pequenas, com 5/6 anos, chama-se “O canto do galo”. Até hoje nos divertimos tocando juntas.

6) Como é a recepção do seu público?

Recebo relatos maravilhosos de professores e pais que tornam a minha vida cheia de sentido e amor. Tenho músicas publicadas para bebês e crianças maiores...cada depoimento fala para mim de mim mesma...e me traz uma vontade deliciosa de compor e produzir mais e mais...

7) E, por fim, é um barato trabalhar com criança? Por quê?

É maravilhoso... ando pela minha infância todos os dias para compreender os meus alunos. Cada criança que conheço é um universo de possibilidades lindas para descobrir e se revelar. Um exercício constante de respeito ao conceito de ser humano, com as maravilhas de sermos todos tão diferentes. Amo o que faço... e agradeço todos os dias a todas as famílias que me permitem o convívio com seus filhos. Vamos cantar?


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