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Criança não é brincadeira


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Dr. Alexandre Martin é médico formado pela Unicamp e especialista em Acupuntura e Osteopatia
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Muita gente se surpreende quando digo que estudamos bastante pediatria em medicina tradicional chinesa (MTC). Acontece que se difundiu aqui no Brasil como o representante máximo dessa filosofia de tratamento a acupuntura, que por definição é o ato de inserir agulhas. Todos concordamos que crianças e agulhas não se misturam, sendo aí a origem da estranheza.

Nem só de agulhas vive a MTC, existem outras técnicas, agora sendo popularizadas na nossa terra, que podem ser muito úteis no público pediátrico, tais como fitoterapia, auriculoacupuntura e mesmo o tui-ná que é a massagem diretamente nos canais energéticos, utilizando partes da mão e do antebraço.

Não só isso, as crianças são objeto de especial atenção dentro da MTC, quando se descreve o processo energético de crescimento e desenvolvimento, onde cada órgão tem o tempo certo de maturação para atingir sua carga máxima. Tal como uma árvore que pode se tornar gigantesca, mas provém de uma única e pequena semente, o processo deve ser assistido nas suas diferentes fases para que o resultado seja grandioso.

Do nascimento até os 7 ou 8 anos de idade o ser humano passará pelo que chamamos de primeira infância, ou seja, uma fase em que será desenvolvido a energia essencial do Rim. O Rim é um órgão fonte e armazena o excedente da produção energética de todos os outros órgãos.

No campo mental o Rim fornece a energia da vontade e quando ela é deficitária sentimos o medo. Os clássicos recomendam então acolher e resguardar as crianças até essa idade para que não sintam medo, do contrário o desenvolvimento da energia renal será prejudicado e isso impedirá delas atinjam total da sua energia da vontade, tornando-se pessoas acanhadas e retraídas.

O estágio seguinte é chamado segunda infância e nela predomina o desenvolvimento do órgão Fígado. Órgão associado ao elemento madeira e representado pelas plantas, nesta fase temos grandes crescimentos de tronco e membros que irão culminar, nos 14 ou 16 anos, no famoso “estirão” que antecede a adolescência.

Essa fase é fundamental que a criança socialize, conviva e brinque em grupos da sua idade, viva suas emoções e pequenos dramas. Isso porque o Fígado é um órgão sensível à mágoa e ao rancor e é importante para a criança saber lidar com estas emoções de maneira saudável.

Acaso a energia do Fígado seja contrariada produzirá um processo de estagnação que gera ansiedade, irritabilidade e comportamentos histéricos.

Antes de chegar a ser adulto, a criança atinge a adolescência e a energia predominante é a do fogo, associado ao órgão Coração. Nesta fase o desenvolvimento energético faz aparecer os caracteres sexuais primários e secundários, preparando o corpo para a sua conformação definitiva como homem ou mulher adultos, por volta dos 21 ou 24 anos.

Dentro da MTC o Ego, ou seja, nossa noção de identidade, está situado com a energia do Coração e por isso nessa fase devolvemos a nossa imagem corporal, além das nossas crenças e opiniões, que até então eram mera herança dos nossos pais.

A rebeldia e dúvidas dessa fase são normais e devem ser acolhidas e trabalhadas para que a energia do coração se assente adequadamente, do contrário virão traumas, distúrbios de imagem corporal (bulimia e anorexia são exemplos).

Com esta pequena descrição vemos a importância do papel dos pais e mesmo da sociedade como um todo, para cuidar, preservar o desenvolvimento saudável da criança e adolescente, pois se trata de um patrimônio que deve se preparar para exercer, um dia, o seu máximo potencial de colaboração na sociedade.

Acredito, aliás, que a maneira mais rápida e eficaz de melhorar a energia de um planeta inteiro, de modificar a essência de uma população é cuidar da educação das suas crianças, protegendo quando necessário e dando suporte para crescimento e desenvolvimento saudáveis cada qual no seu tempo devido. Cuidemos das crianças hoje, amanhã elas cuidarão da humanidade para nós.

Termina aqui essa sincera homenagem a todas as crianças do nosso Brasil com um especial parabéns a uma delas, chamada Rodrigo, uma pequena “grande” pessoa do qual eu tenho o privilégio de ser chamado de pai! Fiquem bem, até a próxima revista!

*Dr. Alexandre Martin é médico formado pela Unicamp e especialista em Acupuntura e Osteopatia


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