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Depoimentos: Elas por eles

Seja um universo azul ou cor de rosa, mães de primeira viagem fazem um relato sobre os medos e aflições da maternidade


Arquivo Pessoal
Kadija Rodrigues
Crédito: Arquivo Pessoal

O Melhor título é ser mãe

Por Kadija Rodrigues

Eu sempre sonhei em ser mãe, mas eu nunca planejei a minha gestação. Raul não foi programado, mas hoje, depois de quatro anos, eu entendo perfeitamente os motivos que trouxeram ele para a minha vida.

Para contextualizar, eu preciso voltar um pouquinho no tempo e contar que aos 7 anos eu perdi meu pai em um acidente de carro e ficamos apenas minha mãe e eu. Ela não quis se casar novamente e vivemos mais juntas do que nunca por quase 30 anos.

No fim de 2019 ela também descansou depois de uma árdua batalha contra um câncer no sangue e eu só consegui seguir porque tinha um menino de apenas 2 anos que dependia de mim.

Naquele momento eu entendi o porquê de ter sido escolhida para ser mãe e o quanto ele seria minha fortaleza para enfrentar um dos períodos mais difíceis da minha vida.

E que fortaleza! A chegada de um filho é um momento transformador na vida de qualquer mulher e comigo as mudanças começaram a partir do momento em que os exames confirmaram que dentro de mim batia mais um coração além do meu.

Confesso que senti um misto de sentimentos e mais chorei do que comemorei, tive medo de não saber cuidar de uma vida além da minha. Que bobeira a nossa. A gente se transforma e aprende, aos trancos e barracos, a ser responsável por alguém.

Mas é preciso desromantizar a maternidade, porque ser mãe dói – desde a cicatriz da cesárea, o peito rachado e até ver o filho ardendo em febre na madrugada. Ser mãe cansa, porque você abdica de muita coisa, até do autocuidado, para cuidar do seu filho. Ser mãe é ser julgada o tempo todo – pela sociedade, pela família e até por si própria. Quanta culpa a gente carrega!

Eu lembro que meu período de puerpério foi um dos mais desafiadores até aqui. Eu tinha medo de tudo e pouco curti os primeiros três meses de vida do Raul. As noites de sono mal dormidas, o receio de saber se estava fazendo o certo, dar ou não dar fórmula, não saber se estava sentido frio ou calor, dar a chupeta ou não. E o chazinho para cólica, pode? Nossa, era uma infinidade de dúvidas e incertezas.

E se desse febre então? Que desespero de não saber o que fazer e por mais orientação e informação que eu tinha ao meu redor, a angústia de não saber se estava fazendo o certo sempre me consumia. Hoje eu consigo lidar melhor com esses desafios, mas ainda sofro quando percebo que ele está ficando amoadinho.

Depois dos três primeiros meses eu comecei a curtir a minha maternidade e colecionar momentos com o meu pequeno. E não foram poucos. Desde os primeiros resmunguinhos para falar até os primeiros passinhos – como é gratificante poder acompanhar a evolução do seu filho de perto.

Raul sempre foi um menino muito esperto, andou aos 11 meses, falou as primeiras palavrinhas perto de completar 1 aninho e deu pouco trabalho em relação a desmame, desfralde e outros desafios que encaramos nesses primeiros anos de vida.

Por outro lado, é um garoto extremamente sensível e tímido e, por conta disso, enfrentamos alguns desafios, principalmente na sua vida escolar. Primeiro a adaptação de estar em um ambiente que não era familiarizado até então, depois a mudança de escola – novos amigos, professores e com muito cuidado e acolhendo seus sentimentos, buscamos por ajustes que pudessem acalmar o seu coração.

Nesses 4 anos passamos por muitas fases, a famosa adolescência dos 2 anos, as birras (essas acontecem até hoje) e as grandes descobertas. A mais recente e que me deixou babando foi vê-lo escrevendo pela primeira vez o seu nome.

Olhando para trás, até que a trajetória é bonita de se ver. Aquela menina medrosa que só chorava quando viu os dois risquinhos, se tornou uma mãe forte e amorosa que faz tudo pelo filho.

O futuro ainda é incerto, sei que muitos desafios ainda virão, mas a única certeza que carrego comigo é que estarei do lado dele para apoiá-lo, orientá-lo e amá-lo como forma de agradecer o presente de tê-lo na minha vida, afinal, ele me deu o melhor título que poderia receber, o de ser mãe! Obrigada meu filho!

Credito: Arquivo Pessoal / Descrição: Kadija Rodrigues

De repente mãe

Por Isabela Regina Silva

Era uma vez... Bom, se você acha que vai ler um conto de fadas, ledo engano! Mas calma, a história é de amor, com muita paciência, determinação e força de vontade. Vamos falar sobre os desafios da maternidade.

Sou mãe de uma linda menina, Liz, que tem compartilhado comigo a vivência de mãe e filha.
Sempre que um bebê vem ao mundo, nasce também uma mãe. Todos falam isso, certo?

Elas crescem com seus filhos, acumulando alegrias e desafios. O dia a dia reforça o importante papel de ser mãe, ao passo em que as mulheres equilibram as tarefas de casa com suas carreiras, tornando-se cada vez mais sábias e empoderadas.

Meu início maternal não foi diferente: confesso que subestimei o ser mãe e o começo de tudo. Quando dizem “não romantize a maternidade”, podem acreditar… é real.

Tudo é intenso, principalmente nos primeiros quinze dias. São hormônios à flor da pele e muitas mudanças, inclusive. Por isso a importância de uma rede de apoio, que faz total diferença para esses dias conturbados e de adaptação.

Mas a maternidade ensina novos valores e fortalece afetos. Esse aprendizado é muito importante, pois cada conquista vale muito.

Ser mãe é um eterno construir e desconstruir, cada uma do seu jeito. Não existe certo ou errado, mas sim o jeito da mãe, ponto. Para mim, tem sido uma experiência de aprendizado absurda, ao mesmo tempo em que a gente surta e não sabe como deu conta de tudo ao final do dia.

Sem dúvida, os desafios da maternidade sempre existiram e, da mesma forma que as dificuldades surgem, desenvolvemos novas ferramentas, apoios e parceiras para lidar com elas. Além disso, uma coisa não muda: com amor e persistência fica mais fácil acertar e dar um final feliz para essa fase que irá modificar sua vida completamente, pois será para sempre. Curtam cada momento!

Credito: Arquivo Pessoal / Descrição: Isabela Regina Silva


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