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Na mesma profissão: O fortalecimento de laços é inevitável quando o dia a dia é compartilhado


DANIEL TEGON POLLI
Jacinta e Isabel
Crédito: DANIEL TEGON POLLI

A conexão entre mães e filhos sempre foi especial, tanto dentro quanto fora dos lares, mas aqueles que seguem na mesma área profissional afirmam uma maior ligação dessa relação. Assim é o caso de Jacinta Pereira Matias, de 58 anos, médica do Hospital Universitário de Jundiaí, uma inspiração para sua filha, Isabel Helena Matias dos Santos, de 27 anos, enfermeira de um hospital particular, em São Paulo. “Minha mãe é a mulher que eu sempre quis ser. É a profissional que eu queria que me atendesse. É mãe que eu sempre quis ter”, ressalta Isabel.

Jacinta soube da escolha da filha quando estava no terceiro ano do ensino médio. “Fiquei surpresa porque até então ela falava em ser perita criminal, mas como a intenção era justamente a formação em uma área que facilitasse a atuação na polícia científica, dei todo o apoio”, comenta.

Isabel afirma que sempre gostou da área da saúde, graças à vivência que tinha em sua casa. “Cuidar do outro como um todo sempre foi algo que eu quis. Fazer a diferença na dor, no cuidado, no momento de maior fragilidade. O que me motivou a escolher a enfermagem foi poder vivenciar experiências tão novas”.

Isabel se formou em 2017, mas desde pequena ela e o irmão acompanhavam a mãe no trabalho. “Sempre que ela tinha algum procedimento, nós íamos juntos. Quando cresci comecei a trabalhar com ela”, conta a enfermeira.

Quando Isabel nasceu, Jacinta já trabalhava na área. “Sabia de primos distantes que tinham feito medicina. Escolhi essa profissão porque achava fascinante a possibilidade de aprender a intervir em situações graves e ter esse poder sobre a vida humana”, pontua.

Atualmente, ambas se ajudam e conversam sobre o serviço nos momentos de partilha e, às vezes, Isabel pede algumas dicas para a mãe. “Conversamos sempre. Trocamos figurinhas, discutimos casos, independente de atuarmos em áreas distintas.”

Mães e filhos que trabalham na mesma área profissional são comuns no cotidiano e isso ajuda a fortalecer os laços entre ambos. “Acredito que fortalece a parceria, amizade, companheirismo. Ter alguém para trocar experiência tanto na vida, como na profissão é bom demais. A área da saúde é muito difícil em todos os âmbitos. Ter alguém que te entenda é essencial para que você sinta segurança e tenha apoio que, muitas vezes, outras pessoas de outras áreas não irão entender”, ressalta Isabel.

“Podemos nos apoiar. Ela me atualiza sobre alguns procedimentos e novas tecnologias. Eu posso auxiliá-la a entender as dificuldades e atravessá-las”, completa Jacinta.

Para o Dia das Mães, nenhum presente pode ser melhor do que a admiração e a inspiração de um filho. “É minha amiga, minha parceira, minha confidente, minha inspiração, meu porto seguro. Ela é a pessoa que eu mais confio no mundo. É muito estudiosa, batalhadora, dá o melhor de si em tudo que faz. E sinceramente? Ela faz muito bem. Todo mundo deveria ter a oportunidade de estar com uma pessoa e profissional igual a minha mãe”, comenta Isabel.

BATENDO CONTINÊNCIA
A relação entre mãe e filho pode se tornar ainda mais forte quando ambos trabalham em profissões de risco, como na área policial. Este é o caso da cabo da PM Inês de Freitas Chile, de 55 anos, que trabalha no mesmo batalhão de seu filho, o soldado Willian Henrique Chile, de 32 anos.
Inês e o marido são policiais militares e, ao descobrir a intenção do filho, ainda adolescente, não escondeu a preocupação. “No momento fiquei preocupada, mas depois acabei apoiando sua decisão”, conta.

A decisão de Willian veio de uma inspiração caseira. “Sempre admirei a profissão. Pelo o que ela representa com o objetivo principal em defender o cidadão, garantindo sua integridade e dignidade. Minha motivação foram meus pais. Eu cresci no mundo militar e tive a oportunidade de ver mais de perto sobre a profissão, inclusive as dificuldades de ser um policial militar no Brasil. Queria poder ser igual aos meus pais, exemplos como pessoas e profissionais a serem seguidos”, ressalta Chile.

A formação aconteceu em 2011, mas desde criança acompanha sua mãe na carreira. “Morávamos em Ilha Solteira e por ser uma cidade pequena, era mais fácil vê-la durante o dia. Ela passava durante o patrulhamento com a viatura na frente de casa ou na saída do colégio”, afirma.

Agora ambos trabalham no mesmo batalhão em Jundiaí e sempre trocam experiências. Tudo para que o trabalho flua em perfeita sincronia. “Além de ser minha mãe, uma pessoa que mais me conhece na vida, a sua experiência na polícia tem um peso enorme e sem dúvidas nenhuma as dicas são as melhores possíveis.”

Inês completa. “Sempre pergunto para ele como foi seu dia e se teve alguma ocorrência de natureza grave. Nós trocamos muitas informações e orientações para o bem do serviço e do nosso dia a dia”, pontua Inês.

Mãe e filho estão no mesmo batalhão há cinco anos e ela não nega que sempre fica preocupada quando Willian está nas ruas, assim como todas as mães ficam. “Sou muito orgulhosa por trabalhar com ele. Fico emocionada e lisonjeada quando seus colegas e superiores o elogiam. É bom filho e um excelente profissional”, ressalta.

Inspiração que ambos levarão para a vida. “Uma mulher guerreira que começou cedo a trabalhar, criou dois filhos sem deixar faltar nada. Uma excelente esposa para meu pai e uma policial exemplar. Durante seus 26 anos de carreira, nunca recebeu uma punição, sempre dedicada. Era meu sonho me tornar policial e o apoio dela facilitou muito para seguir. Pois a experiência na profissão me ajuda a cada dia, a caminhar pelo certo. Me dedicando diariamente para ser o melhor profissional possível. A cobrança é dobrada, tanto como filho quanto profissional. Então, não posso decepcioná-los dentro de casa e fora, diante da população”


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