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Gravidez na adolescência: Sem julgamentos, equipe médica deve acompanhar a gestação desde o início


Arquivo Pessoal
Dr. Francisco
Crédito: Arquivo Pessoal

Nos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano, o Hospital Universitário (HU) fez 944 partos sendo destes, 8,26% realizados em adolescentes com idades entre 10 e 18 anos. Embora tenha apresentado queda nos índices de gravidez na adolescência nos últimos anos, o Brasil ainda está acima da média mundial e tem registrado altas taxas de gravidez precoce em relação a outros países, inclusive entre as menores faixas etárias.

De acordo com dados do Ministério da Saúde reunidos pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) são mais de 19 mil nascidos vivos por ano de mães com idade entre 10 a 14 anos. Essas jovens apresentam várias consequências na saúde, educação, emprego, nos seus direitos e na autonomia na fase adulta ao terem filhos tão cedo.

Segundo o ginecologista e obstetra Francisco Pedro Filho, do Hospital Universitário de Jundiaí, os problemas mais comuns para a saúde da gestante adolescente são hipertensão e anemia. Já os bebês podem nascer prematuros, antes da 37ª semana de gestação, com baixo peso, transtornos de desenvolvimento e até malformação.

O especialista Pedro Filho relata que o pré-natal da gestante adolescente deve envolver uma equipe multidisciplinar, com acompanhamento de um psicólogo, por exemplo. “O médico escolhido para acompanhar a gestação tem que ser paciente, acolhedor, usar um linguajar que a paciente entenda e jamais fazer julgamentos. Para acompanhar o desenvolvimento do bebê e a saúde da mãe serão necessários alguns exames a mais que o normal. Este público abandona facilmente o acompanhamento pré-natal e daí é que ocorre o aumento do risco obstétrico”, alerta.

Além das questões físicas, o maior problema é social. Estas meninas acabam tendo uma mudança muito radical em sua vida, pois, na maioria das vezes tem de largar a escola e outras atividades ou tentar conciliar com a maternidade e isso pode comprometer seu futuro.

Estudos destacam como principais causas de gravidez na adolescência estão o início precoce das relações sexuais, o baixo uso de contraceptivos, a violência sexual e o baixo acesso à educação sexual integral.

Colaboração: Francisco Pedro Filho – ginecologista e obstetra do Hospital Universitário


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