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Nacionalidades: Amor entre fronteiras


Arquivo pessoal
Leandro Forli, Brenda e Clara
Crédito: Arquivo pessoal

Celebrado na grande parte dos países ao redor do mundo, cada pai carrega sua própria característica, cultura, costumes e crenças para comemorar o Dia dos Pais. Seja na América do Sul, Europa ou Ásia, a paternidade tem o mesmo significado para todos: o amor entre pais e filhos.

Auguri di cuore papà (feliz dia dos pais em italiano)
Na Itália, por conta da tradição católica, o Dia dos Pais é comemorado em 19 de março, dia de São José, marido de Maria, mãe de Jesus. Em algumas famílias tradicionais, há o costume de preparar um banquete especial para comemorar a data, como é o caso da família do Leandro Forli, filho de italianos e pai das meninas Brenda e Clara.

Para Forli, apesar de a data religiosa ser comemorada no dia 19 de março pelos italianos, a família celebra o Dia dos Pais no segundo domingo de agosto como todos os brasileiros. “Além de a minha família ser toda de italianos, a da minha esposa também é, então todos se juntam e comemoram a data com muita união, porque ser pai é isso. Na data, gostamos de relembrar histórias do passado e agradecer por estarmos juntos. Sempre acompanhado daquele tradicional banquete italiano”, afirma o pai.

Um dos maiores costumes dos italianos é a união. Além de prezarem pela família em primeiro lugar, é ensinado desde cedo sobre responsabilidades. “Meu pai sempre me ensinou sobre amor e união entre pais e filhos. Para os italianos, família é a base de tudo. Também fui, desde cedo, muito educado sobre trabalho e responsabilidades e tudo o que aprendi com ele passei para minhas filhas”, diz o descendente.

Chichi no hi omedetou gozaimasu (feliz dia dos pais em japonês)
Assim como na Itália, o Japão também comemora o Dia dos Pais em uma data diferente do Brasil. Para os japoneses, o evento é celebrado no terceiro domingo de junho. A data faz alusão ao primeiro Dia dos Pais da história, comemorado em 19 de junho de 1910. Na época, Sonora Louise Smart Dodd quis homenagear seu pai, que criou ela e seus irmãos sozinho após a morte de sua mulher, ela conseguiu que a data se espalhasse ao redor do país e , em 1966, o terceiro domingo de junho foi designado oficialmente como Dia dos Pais em mais de 70 países, incluindo o Japão, e em 1972 se tornou um feriado nacional.

Quem comemora a data com seus dois filhos, Kauê, de 13, e Gabriel, de 18 anos, é o descendente de japoneses, Antônio Carlos Yoshida, de 51 anos. Para ele, a paternidade significa parceria, respeito e amor. “Na minha família a gente costuma celebrar as duas datas, tanto em junho quanto agosto, mas são comemorações simples, como almoço em família e passeios. Para mim, a paternidade é amor e parceria.

No Japão, os pais costumam ser rígidos com os filhos em relação à educação e respeito. Desde pequeno fui ensinado pelo meu pai sobre disciplina e repasso todos os ensinamentos aos meus filhos”, diz o pai.

Além de focar na educação dos filhos, os japoneses também costumam acompanhar os pequenos em tudo. “É muito comum os pais japoneses acompanharem os filhos em tudo, desde os primeiros passos até a adolescência. Meu tempo livre é todo dedicado aos meus filhos, gostamos de sair para pescar, praticar artes marciais e assistir jogos de futebol”, afirma Yoshida.

De pai para filho
Muçulmano e filho de indígenas, Francisco Araújo Filho, de 56 anos, é pai de cinco filhos, de 36,34,30,29 e 22 anos. Carregando diferentes culturas, crenças e costumes, o pai aproveita para passar vários ensinamentos para seus filhos. “Todos os meus filhos estão conectados com a cultura islã, com envolvimento no alcorão, idioma árabe, visitas na mesquita e gastronomia típica. Além do islamismo, também compartilhamos a relação com a cultura indígena, passada pelo meu pai que fazia parte de uma tribo no interior do Ceará. Apesar de não sermos todos da mesma religião, temos muito respeito e ligação uns com os outros, isso torna nossa relação paterna ainda mais bonita”, afirma o muçulmano.

No islamismo não é comum, religiosamente, comemorar o Dia dos Pais com presentes e reuniões em família. Ao contrário das celebrações tradicionais, os pais recebem homenagens na mesquita. “Mesmo não existindo essa cultura de presentear os pais muçulmanos, meus filhos sempre me dão alguma lembrancinha na data. Acima de qualquer crença, cultura e costume, a paternidade significa amor”, diz o pai.

Outra tradição que Francisco segue é em relação ao casamento. Segundo ele, os muçulmanos são orientados a se casarem cedo e, consequentemente, ter filhos ainda jovens. “Tanto no islamismo quanto nos países da cultura árabe é comum se casar bem cedo. Me casei e tive meu primeiro filho com 20 anos e também já sou avô. Quando os bebês nascem, muçulmanos costumam fazer uma oração, chamada Azan, que deve ser a primeira coisa que eles escutam após o nascimento. Faz parte da cultura religiosa e paterna do islamismo”, explica.

Seja em diferentes nacionalidades, crenças e culturas, celebrar a importância do papel paterno na vida familiar ocorre há mais de quatro mil anos e, mesmo com todas as diferenças de um pai para o outro, todos compartilham o amor com seus filhos.


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