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Pais solos, amor em dobro


Arquivo Pessoal
Tiago Avansini e Beatriz
Crédito: Arquivo Pessoal

Eles também levantam durante a noite para verificar se o filho está bem. Ficam acordados quando está doente – não importa a idade. Também são eles que levam para escola ou ao médico. Que vão às reuniões escolares. São responsáveis pela casa, pela comida e pelo sustento de todos. Os pais solos não são tantos quantos mães no Brasil, mas eles existem. E não são poucos. De acordo com levantamento do Ministério da Cidadania, responsável pelo pagamento do Auxílio Emergencial, são cerca de 1,3 milhão no país.

Eles são viúvos, separados ou mesmo solteiros por opção. Como o professor Fábio Rogério da Silva, de 40 anos, pai de Carlos Alberto e de Luiz Gustavo.“Sempre quis ser pai. Como não me casei, a adoção ficou na minha cabeça. Me formei em Pedagogia, tinha um bom trabalho, tinha minha casa. Então, decidi me habilitar para a adoção”, conta.

O Carlos, hoje com 18 anos, é o primeiro filho de Fábio. Chegou em sua casa com 6 anos. “O Carlinhos era aluno de uma escola onde trabalhei em Jundiaí. Ele estava numa situação difícil, a gente se aproximou e ele veio morar comigo. Ele tinha 6 anos, mas eu só consegui a adoção oficial quando ele tinha 12”, recorda o pai.

A adaptação do Carlos, relembra Fábio, foi tranquila. “Cuidar de uma criança só é mais fácil. Ele se adaptou rapidamente à minha rotina e minha família. Foi tudo maravilhoso. Como primeiro filho, tudo era a primeira vez: levar na escola, ao médico, abraçar, dizer ‘eu te amo’. Foi tudo incrível.”

Carlos, conta o pai, sempre quis um irmão. “Eu já estava habilitado e então continuei na fila de adoção.” Alguns anos depois, apareceu o Luiz, também com 6 anos. “Ele era mais agitado, porque estava em abrigo, já tinha sido rejeitado por algumas famílias, já tinha sofrido muito. A adaptação foi mais complicada, mas com amor a gente superou tudo.” Hoje, Luiz Gustavo está com 13 anos.

É difícil ser pai solo? “Fácil não é, mas a gente dá um jeito”, afirma Fábio. “Cuidar deles sozinho é uma responsabilidade grande. Meus filhos só têm a mim. Só podem contar comigo. Tenho medo de faltar para eles. Mas é muito gratificante. Recebo amor de pai e de mãe.”

Fábio pondera: “Isso acontece muito mais com as mulheres. Minha mãe, por exemplo, criou a gente sozinha. Então, eu quero dizer para as pessoais que cuidem de seus filhos. Eles contam com você. A gente que cria sozinho é tudo para eles, é pai, é mãe. Ame seus filhos, dê carinho, amor. Cada momento é único”.

Quanto à necessidade de uma figura feminina em casa, Fábio diz que não vê os filhos sentindo falta. “A gente tem minha mãe e minha irmã, que tratam eles muito bem. Na escola têm muito contato com as professoras. Nossas vizinhas também estão sempre dispostas a ajudar. Eles até acham legal a gente ser uma família formada só por homens”, afirma o pai, ponderando: “Talvez seja mais fácil por serem meninos. Se fosse menina, talvez eu precisasse mais de uma mulher para me ajudar”.

AJUDA DA FAMÍLIA
O empresário Tiago Avansini, 38 anos, é pai solo desde que a filha Beatriz tinha 2 anos. Hoje, ela tem 18. “A mãe dela morreu em um acidente de carro”, lembra. Para cuidar da filha ainda pequena, Tiago contou com ajuda das famílias. “Tive muito apoio da minha família e da família da mãe da Bia. Naquela época, eu trabalhava e fazia faculdade à noite, então ela ficava com os avós, as tias. A gente se dividia.”

Tiago lembra que eles moraram alguns anos com seus pais, o que também ajudou na criação da filha. “O melhor momento pra mim foi quando eu fui morar sozinho e ela foi comigo.” Mas antes disso, eles tiveram de superar algumas dificuldades, inclusive a distância. “Teve uma época que fui trabalhar em outra cidade. E a gente só se via no final de semana. Acho que foi o pior momento que passamos.”

A Bia sente falta de uma figura feminina? “Hoje moro com meu pai, mas cresci com ele e meus avós. Tive algumas dificuldades pontuais, principalmente no desenvolvimento do meu corpo, por não conviver com isso. Mas a gente conseguiu superar”, diz a adolescente. “Uma coisa que ainda quero fazer com ela são algumas viagens que nós tínhamos planejado quando ela era pequena”, diz o pai.


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