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Morador supera obstáculos a cada dia

| 29/09/2014 | 00:03

Além da via de terra e da falta de iluminação presentes na rua dos Cedros, onde mora, Everaldo de Souza Arando, 41, enfrenta diariamente a luta contra o preconceito e a condenação por parte das pessoas. Isso porque há seis anos ele é cadeirante, após ter sofrido um acidente doméstico e ter lesionado a medula.

“Estava sob efeito de álcool e droga, então subi uma escada externa da casa onde morava, me desequilibrei e o acidente aconteceu. Caí sentado e o impacto lesionou minha medula”, conta ele, sem a menor vergonha de expor que enfrentou problemas como usuário de cocaína e destilados.

Após o diagnóstico médico que não previa a recuperação dos movimentos das pernas, Everaldo não se deixou abater. O primeiro compromisso foi parar com o uso das substâncias tóxicas e álcool. “Continuei frequentando bares para jogar truco com os amigos, mas nunca mais usei nada, pois a vida desregrada me fez mal.”

Oportunidade – Sem nunca ficar revoltado com sua nova condição e fazendo os tratamentos necessários para melhorar sua condição física, Everaldo descobriu, dois anos após o acidente, que poderia produzir de uma maneira diferente. Aposentado como metalúrgico, soube que, por meio da cadeira de roda, poderia vencer desafios como esportista.

Então, em 2010, o cadeirante foi convidado para integrar a equipe de atletismo do Programa de Esportes e Atividades Motoras Adaptadas (Peama) de Jundiaí. “Os fisioterapeutas perceberam que meu quadro não evoluía, então me deram uma carta de recomendação para procurar o Peama”, relembra. No início, o atleta praticou natação, mas não se adaptou. Já na pista de atletismo, Everaldo se identificou com a corrida em cadeira de roda e o arremesso de dardo.

Hoje, quatro anos após ingressar na equipe de Jundiaí, o cadeirante acumula vitórias importantes. A principal é a medalha de ouro dos 1.500 metros de corrida em cadeira de roda, conquistada nos Jogos Regionais de Avaré, em 2011. “Foi uma conquista inesquecível, pois conforme eu conduzia a cadeira, as pessoas gritavam meu nome nas arquibancadas”, relembra.
Outras disputas fazem parte da vida de Everaldo. Nos últimos anos, ele participa constantemente de provas de corridas de rua realizadas em Jundiaí e em outras cidades da Região.

Apoio – Em casa, o atleta conta também com o suporte de uma pessoa muito importante em sua vida. Rosimeire Santana Arando, 40, conhece Everaldo há 25 anos. Mantendo um relacionamento entre idas e vindas, Rosi, como é chamada carinhosamente pelo marido, voltou a namorar o atleta logo após o acidente. “Minha mãe me questionou se eu estava retomando meu relacionamento por amor ou por dó”, relembra ela. Mas o coração e toda a história vivida ao lado de Everaldo falou mais alto. “Eu precisava estar ao lado dele, pois eu sempre o amei”, reconhece.

Casados há um ano e meio, moram hoje numa chácara tranquila, no bairro Estância. “A gente se ajuda muito. Por exemplo, eu não dirijo, então quando preciso que me leve ou me busque no trabalho, ele entra no carro adaptado e vai”, diz Rosi. Ao lado da esposa, Everaldo conclui o raciocínio. “A gente se completa”, define.


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