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Mundo do picadeiro

| 19/05/2014 | 18:26

Uma data especial para diversos artistas foi comemorada na quinta-feira (27). Nesta ocasião, o Dia do Circo foi celebrado por muitos profissionais que trabalham neste maravilhoso universo da fantasia e do entretenimento. Em Jundiaí, cerca de 150 artistas do circo Stankowich apresentaram o espetáculo ‘Celebration’, que está em cartaz na cidade desde o começo do mês. Para eles, a melhor maneira de comemorar a data foi no picadeiro, já que alegrar o público é a forma mais prazerosa que encontram de ganhar a vida.

Juventude
Muitos profissionais são jovens entre 14 e 31 anos. A maioria desses artistas nasceu no circo, e seus pais e avós já atuavam no picadeiro antes deles chegarem ao mundo. É o caso de Marlon Miranda, 27, o palhaço Panqueca. “Aprendi a ser engraçado com minha família. Já fui mágico, trapezista, malabarista, mas o que me agrada mesmo é fazer o público rir. Esse dom vem do meu pai, que há 52 anos é o palhaço Chumbrega”, revela. Hoje, Marlon tem um filho de um ano, chamado Gustavo. Além de ser alegre como o pai e o avô, o menino é a pequena promessa da família para manter viva a arte do riso.

Compromisso
Quem também nunca viveu fora do picadeiro é Kamila Stankowich. Hoje, aos 31 anos, ela é mágica e tem a responsabilidade de conduzir um trabalho iniciado no século 19, no leste europeu. Foi daquela região que seus antepassados chegaram ao Brasil, em 1856, e deram continuidade ao circo que já funcionava na Romênia. Kamila é da sétima geração de sua família circense. “Gosto muito da minha vida e de conhecer lugares novos. Eu nasci dentro do circo e quero continuar trabalhando até ficar velhinha, como meus avós”, explica.

Estudos
Quem pensa que os artistas de circo não estudam – já que a cada momento estão viajando para apresentar o espetáculo em cidades diferentes – está enganado. Existe uma lei federal que ampara as crianças e os adolescentes filhos dos artistas de circo. “Nós estudamos como as outras crianças, a única diferença é que passamos por diversas escolas, já que o circo sempre muda de cidade”, afirma Kamila.

A jovem é exemplo do que fala. Com 18 anos, ela terminou o ensino médio e, logo depois, fez faculdade de marketing e pós-graduação em administração geral. “Hoje, com a internet, é tudo mais fácil. Eu estudava em casa e, uma vez por mês, ia para a faculdade fazer provas e entregar trabalhos”.

Moradia
Viver no circo é uma experiência única. A cada cidade nova que o grupo visita, os trailers onde moram são levados com a lona gigante que abriga o picadeiro. Dentro de cada trailer, os artistas carregam seus pertences, móveis e objetos. Nada muito diferente do que é encontrado em uma casa convencional. Neste compartimento parecido com um furgão estão computadores, televisores, ar-condicionado, geladeiras, fogões e camas. Com o avanço da tecnologia, os artistas dispõem de algumas regalias, como sinal de TV por satélite e internet móvel.

Fugidinha
O conhecido termo “fugir com o circo” também se faz presente nos bastidores do Stankowich. Com 23 anos, Bruno Souza não fugiu, mas foi emancipado pelos pais para seguir seu sonho de se apresentar pelas regiões do Brasil. Quando tinha 14 anos, o rapaz ficou impressionado com o circo Stankowich, que fazia apresentações em Ipatinga, sua cidade natal no Estado de Minas Gerais. Então, convenceu seus responsáveis a deixá-lo seguir com o grupo. “Hoje sou o palhaço Berinjela. Aqui no circo eu encontrei uma nova família, que cuidou de mim e deu todo o suporte que eu precisava.”

Mudança
Depois de quase um mês em Jundiaí, o circo Stankowich fica na cidade até o fim da próxima semana. Antes de ir embora, todos os artistas precisam se empenhar para desmontar a lona gigante que sustenta o espaço das apresentações. Assim que tudo estiver pronto, eles partem para uma nova cidade, onde vão apresentar seus talentos e conquistar novos admiradores.


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