Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

‘Mulheres-placa’ saem de Guarulhos para trabalhar nas ruas de Jundiaí

| 23/06/2014 | 00:25

Acordar às 4h da madrugada e sair de casa antes mesmo de o sol aparecer é a rotina de Marlinda Borges, 47 anos, aos fins de semana. Ela sai de Guarulhos, em uma Van, juntamente com várias outras mulheres contratadas por uma empresa do setor imobiliário para fazerem propaganda de seus empreendimentos em Jundiaí. 

Na cidade, Marlinda passa o dia todo sentada em um banquinho na avenida Armando Giassetti, região da Universidade Paulista (Unip), segurando uma placa que divulga imóveis de dois e três dormitórios nas proximidades. “É cansativo e acho que não vou mais aguentar muito tempo porque estou nessa rotina há oito anos. Mas, por enquanto, preciso do dinheiro”, afirma, contando que de segunda a sexta é diarista. Como ‘mulher-placa’, Marlinda recebe R$ 40 por dia.

“Mas não temos água, comida, apoio nenhum. Eu trago umas bolachas e marmita, mas se está muito quente, estraga. E, quando está frio, o jeito é comer tudo gelado mesmo porque não temos onde esquentar.”

Mãe de quatro filhos, já adultos, Marlinda completou somente o Ensino Fundamental e diz que a falta de estudo tem sido o empecilho para realizar o sonho de trabalhar em uma indústria. “Seria bem melhor, mas sem estudo eles não contratam e, até hoje, não consegui ter dinheiro pra terminar”, lamenta.

Aos 50 anos, Edilene da Silva tem a mesma rotina de Marlinda aos fins de semana. No entanto, para ela, o trabalho é muito bem-vindo, embora seja necessário ficar escondida debaixo de uma sombrinha para minimizar o efeito dos raios solares. “Eu gosto, mas trabalho escondido dos meus filhos porque eles ficam muito bravos”, conta, dando risada da preocupação da família. “Para mim, é melhor do que ficar dentro de casa pensando besteira. Já conheci diferentes lugares com esse trabalho e fui até para Santos”, completa. Edilene diz ter amigos nos lugares onde fica segurando placas dos empreendimentos que divulga. “Tem gente que convida até para almoçar.”

Em Jundiaí, como esse tipo de trabalho é proibido, o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) tem acompanhado de perto as condições de trabalho desses profissionais, que não têm um sindicato que os represente. 


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/%c2%91mulheres-placa%c2%92-saem-de-guarulhos-para-trabalhar-nas-ruas-de-jundiai/
Desenvolvido por CIJUN