Jundiaí

INSS fechado surpreende quem aguarda benefício

O impedimento da reabertura das agências do INSS em todo o estado de São Paulo, inclusive em Jundiaí, pegou milhares de beneficiários de surpresa


Alexandre Martins
Agência da rua Barão de Jundiaí teve fila de quem não sabia do adiamento
Crédito: Alexandre Martins

O impedimento da reabertura das agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em todo o estado de São Paulo, inclusive em Jundiaí, pegou milhares de beneficiários de surpresa, em especial quem tinha horário marcado para perícia médica. O desembargador federal Gilberto Jordan emitiu a liminar sob a justificativa de que o estado deveria fazer testagem de covid-19 em todos os funcionários do INSS e apresentar um plano seguro de funcionamento.

Entre os prejudicados está a fonoaudióloga Renata Caldas que recebeu um comunicado para que ela reagendasse sua perícia, marcada desde março. “Fiz cirurgia do joelho em março e o INSS fechou. Fiz um reagendamento em abril, mas a perícia não aconteceu. Remarcaram para agosto e quando fui até a agência me informaram que não iriam abrir novamente. Voltei para casa e até o momento estou sem data para nova perícia”, conta ela.

Renata precisou, sem receber o benefício, arcar com os custos da recuperação. “Estou sem receber salário desde março. Tive que arcar com custos de fisioterapia e agora preciso de uma cirurgia mais complexa, no mesmo joelho, pois tive fibrose e ele parou de mexer. Não tenho mais recursos para arcar com o aparelho que preciso alugar para a cirurgia e com o fisioterapeuta”, diz Renata que só anda com a ajuda de muletas.

Ela recebeu em julho, agosto e setembro uma antecipação emergencial de um salário mínimo, que não é o suficiente para os gastos que tem com os remédios que toma.
O presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Jundiaí e Região (Sincomerciários), Milton de Araújo, diz que pelo menos 20 dos sindicalizados aguardam atendimento, principalmente para perícia. “Para o nosso sindicato e para toda a Região é importante a reabertura do INSS, mas com todos os cuidados. Tem muito trabalhador que está acidentado aguardando perícia e eles cobram o sindicato. Tenho certeza que são mais de 20, fora aqueles que não nos procuram. Tem gente que, sem receber, sobrevive por Deus e com a ajuda de parentes. O INSS está fechado há cinco meses e quem aguarda para receber está desesperado”, ressalta.

EM CIMA DA HORA

A presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Jundiaí e Região (AAPJR), Fé Juncal, diz que o presidente do INSS, Leonardo Rolim, alegou que houve um aviso prévio do cancelamento, mas ela questiona que muitas pessoas foram até a agência muito cedo sem saber da decisão. “A previdência não está presente na vida de todos na pandemia, mas a proteção social é um direito. O trabalhador que contribui está sendo amparado? Pelo que vimos nas agências fechadas hoje (ontem), não. Hoje foram duas situações bombásticas. Primeiro o INSS que não abriu e segundo o governo querer congelar a aposentadoria por dois anos sem reajuste”, comenta.

Fé ainda comenta que no sindicato não há casos que aguardam tanto, por conta da assessoria jurídica, mas que a situação é diferente para quem não tem amparo. “Processos que andam na associação não temos tanta espera, mas o INSS não nos passa informações do número geral na Região. Respondo pela associação, mas sei que a situação está diferente por causa da pandemia. Hoje no Brasil mais de 2 milhões de pessoas esperam benefício e isso influencia muito para quem espera. Conheço uma pessoa que espera desde fevereiro”, lamenta.

Além de São Paulo, Amapá, Maranhão e Tocantins também não tinham agências abertas na manhã desta segunda (15). Além destes, outros estados que reabriram para o público não realizaram alguns atendimentos que estavam agendados.


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