Jundiaí

Com alimentos caros, restaurantes se adaptam

Com preços de alimentos mais altos, restaurantes têm gastos salgados no mercado


Alexandre Martins
Larissa Ferreira apostou na comercialização de marmitas durante o dia
Crédito: Alexandre Martins

Com a alta dos preços de diversos alimentos, principalmente o arroz, restaurantes precisaram se adaptar, inclusive focar em lucro menor, já que os gastos com mercado ficaram mais salgados. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em agosto, a cesta básica de São Paulo se tornou a mais cara entre as capitais consultadas, custando R$ 539,95, com alta de 2,90% na comparação com julho. No ano, o preço do conjunto de alimentos aumentou 6,60% e, em 12 meses, 12,15%.

Segundo os dados do Dieese, com o salário mínimo a R$ 1.045, a porcentagem média nacional de gasto com a alimentação é de 48,85% do rendimento. Com o valor da cesta básica em São Paulo, o salário mínimo pago atualmente deveria ser de cerca R$ 4.530 para que as necessidades básicas da população fossem atendidas plenamente.

Ainda em São Paulo, alguns dos produtos com alta do preço médio em agosto, em relação ao mês anterior, são o tomate (28,78%), o óleo de soja, o (14,18%), arroz agulhinha (6,31%), o leite integral (3,68%) e a carne bovina de primeira (3,37%).

Estes produtos estão na mesa de muitos brasileiros e também na lista de compra de restaurantes que servem comida brasileira, mas, para continuarem trabalhando com refeição, o jeito é remanejar quantidades, aumentar o preço ou perder lucro.

Este é o caso, por exemplo, do restaurante de comida saudável de Lindalva Lima. Ela não alterou o preços das marmitex, mesmo com o mercado custando mais. “Se aumentar o preço, o pessoal corre, estamos mantendo. Aumentou o arroz, óleo e a carne, infelizmente está tudo um absurdo. Acho que estamos gastando uns 50% a mais com mercado, então acaba ganhando menos. Vou no mercado um dia, no outro dia os preços já estão diferentes”, relata.

Para que os gastos não sejam maiores, Lindalva conta que evita o desperdício. “Eu fazia três panelas de arroz, agora eu faço duas e deixo a outra para fazer se precisar. Carne eu não frito um monte, vou fazendo aos poucos”, conta ela sobre o risco de perder alimentos, que não pode existir agora.

Proprietária de um restaurante de comida brasileira, Elisa Vieira também percebeu o aumento dos produtos. “Está tudo muito caro. Tem dia que de manhã há produtos com um preço e à tarde já muda. Nós optamos por manejar as quantidades em vez de mexer no preço. A gente tem uma quantidade predefinida para cada marmita ou prato feito e a gente muda as quantidades onde dá. Acho que o que mais pesa é o arroz e a carne. Aumentou muito a embalagem descartável também”, diz ela sobre o material que usa para a comercialização das marmitex.

Elisa Vieira conta que precisou remanejar as quantidades dos alimentos

DOBRADINHA

Com uma pizzaria que funciona à noite, Larissa Ferreira agora também aposta em um restaurante durante o dia para conseguir aumentar os rendimentos. “Subiu pelo menos 50% dos ingredientes que eu utilizo, como frango, calabresa e muçarela. Eu me mantinha com a pizzaria e agora precisei abrir a venda de marmita para me manter”, conta ela sobre o negócio diurno que tem apenas cinco dias de funcionamento.

Ainda assim, ela diz que precisará alterar os preços de suas pizzas, por conta da inflação nos alimentos. “Hoje você não vê o lucro que você via. Não estou conseguindo segurar. Vou precisar aumentar o preço da pizza para não mexer em quantidade de ingrediente porque, se diminuir, perco cliente. Aumentou delivery na pandemia, mas também tem o gasto com a entrega”, explica ela.


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