Jundiaí

Restaurantes retomam bufê, mas faturamento segue instável

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) diz que nos bufês, cuidados devem ser redobrados pelo risco de contaminação


ALEXANDRE MARTINS
A empresária Valnira Martins retomou o bufê na última semana
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Com a passagem da Fase Laranja para a Amarela do Plano SP na segunda semana de agosto, os donos de restaurantes puderam reabrir suas portas e viram uma forte oportunidade para alavancar o faturamento de seus estabelecimentos que sobreviveram os primeiros meses de quarentena apoiados no delivery.

Agora, com a passagem para a Fase Verde, os locais que trabalhavam com bufê e que até então estavam operando apenas no sistema a la carte, puderam retomar o modelo. No entanto, para muitos empresários do setor, o faturamento segue instável. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), os restaurantes a quilo correspondem a 40% dos estabelecimentos do setor e, devido ao maior risco de contaminação, exigem cuidados redobrados e, consequentemente, se recuperam em menor velocidade.

A nutricionista e proprietária de um restaurante de Jundiaí, Valnira Prado Martins, de 52 anos, afirma que, mesmo com o retorno do bufê, o fluxo no restaurante ainda segue abaixo das expectativas. "Esse tal de 'novo normal', de normal não tem é nada. Nós reabrimos nossas portas há pouco mais de dois meses com o sistema a la carte. No entanto, nessa semana, retornamos com o bufê, que era a forma como costumávamos trabalhar antes da pandemia e também é a forma que apresentava maior adesão por parte do público", comenta ao mencionar que estão faturando apenas 30% do esperado.

A Abrasel alega que o desempenho dos restaurantes varia de acordo com o tipo de serviço, da localização e do público-alvo. Restaurantes voltados para classes A e B enfrentam mais dificuldades, apresentando quedas de 65% a 70% em vendas em comparação com o período pré-pandemia. Já restaurantes voltados para classes C e D se recuperam mais rapidamente, com queda de 20%.

No caso de Valnira, a existência de um ambiente externo em seu estabelecimento contribui para a atrair a atenção dos clientes. "Além das mesas internas, temos um amplo jardim que acaba sendo a escolha da maioria dos clientes que vêm até nosso restaurante", pontua.

ALÉM DO BUFÊ

Vale ressaltar que a dificuldade para retomar os lucros não se restringe aos estabelecimentos que trabalham com bufê. Ainda de acordo com a Abrasel, as vendas nos restaurantes estão 40% abaixo do que foi observado em setembro e outubro do ano anterior. Além disso, cerca de 300 mil estabelecimentos fecharam as portas desde o começo da pandemia.

Edson Rabelo de Abreu, de 50 anos, é proprietário de um bar e pizzaria no Beco Fino e também não está satisfeito com o atual cenário. "Nosso movimento está fraco. Estamos faturando apenas 50% do esperado. Além do medo do público, acredito que o horário reduzido também tem nos prejudicado", reflete.

Para Abreu, outra questão que afetou o setor foi que o transporte público não acompanhou a flexibilização dos horários dos estabelecimentos comerciais. "Fomos obrigados a dispensar os funcionários mais cedo ou então a pagar aplicativo, o que sai muito mais caro para nós empregadores do que o valor do transporte público."

 


Galeria de Fotos


Notícias relevantes: