Jundiaí

Região discute possível chegada da segunda onda

Aquém da imunidade de rebanho e além do número aceitável de casos, pandemia não acabou


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Franciane Mouradian diz que há possibilidade real da segunda onda
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A segunda onda de infecção do novo coronavírus, já constatada em alguns países, não é descartada para chegar no Brasil e, consequentemente, na nossa região. Em Jundiaí, o número de casos diários de covid-19 começa e se estabilizar no topo da curva de crescimento, o chamado platô, porém, sem vacina, a possibilidade do vírus ser parado, não há a segurança de que a queda no número de casos signifique que a pandemia esteja no fim. Cidades da Região de Sorocaba voltaram às medidas restritivas, após aumento do número de mortes por covid.

O relaxamento das medidas sanitárias pode acelerar esta segunda onda. Segundo a imunologista Franciane Mouradian Emidio Teixeira, a possibilidade do novo aumento do contágio existe. "Acho que é uma possibilidade real, mas é difícil dizer quando pode acontecer. Quando a gente olha o número de casos, ele aumenta, mas é diferente de agosto, por exemplo, quando tínhamos muito mais casos. Agora temos uma flexibilização maior das atividades e dá uma sensação de vida normal, que faz as pessoas afrouxarem as medidas de segurança. Esse comportamento pode fazer com que o número de casos aumente", relata.

Ela enfatiza que não se trata de um cenário confortável. "Não podemos saber quantas pessoas já foram infectadas. A parcela para se ter imunidade de rebanho tem que ser bastante alta. Pode ser natural, pela infecção, e pela vacinação. O problema da imunidade natural é a alta taxa de contaminação e de mortalidade", diz ela sobre a imunidade de rebanho, quando muitas pessoas contraem a doença, desenvolvem imunidade e o risco de contágio cai.

O pediatra, pós-doutor em virologia e professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), Saulo Duarte Passos, explica que a tendência do contágio será observada com o tempo. "Eu acho que vai precisar de mais tempo para ter a tendência da curva. Os indicadores mostram que está caindo, mas há uma tendência de manutenção desse vírus. Países da Europa estão fechando e tende a acontecer no Brasil, mas não agora. Quando você tem uma população que menospreza os cuidados, a tendência é ter aumento."

A vacina não pode ser a salvadora. "Acho que a palavra de ordem é prudência. Temos que esperar a vacina e os efeitos. A vacina de rubéola precisava de uma cobertura de 92%, abaixo disso daria problema. Lá pelo terceiro ano, a imunização caiu e teve um surto", diz o médico que participou do grupo que trouxe a vacina de rubéola para o Estado de São Paulo.

REGIÃO

O Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus (CEC) informa que os sinais de que a pandemia está se estabilizando e retraindo é a redução no número de óbitos e de novos casos. Após o pico da pandemia, a queda nos indicadores demonstra a inflexão da curva pandêmica em Jundiaí. De acordo com a média móvel de casos na cidade, na última semana houve queda de 89%, se comparada ao pico da pandemia. O número de óbitos teve queda de cerca de 80% no mesmo comparativo.

O CEC diz ainda que desde agosto Jundiaí vivencia a estabilização e a inflexão da curva de contágio, com isso, foi possível a desmobilização de leitos exclusivos para a doença alocados no Hospital São Vicente de Paulo (HSV). Apesar do cenário ser positivo, não significa que o vírus parou de circular na cidade. A manutenção dos bons resultados depende das medias sanitárias. No caso do desrespeito às orientações sanitárias, há risco de uma nova onda de contaminação como vem acontecendo em outros países.

A Prefeitura de Várzea Paulista informa que segue monitorando a situação da pandemia na cidade e, caso ocorra, certamente haverá novas restrições e demais medidas para conter a disseminação A Prefeitura de Itupeva monitora os casos de coronavírus e, por hora, não há sinais de uma nova onda de infecções.

De acordo com a Vigilância Epidemiológica de Jarinu, a chance de segunda onda de infecção existe, não só em Jarinu, mas no país inteiro, devido a retomada e abertura de algumas atividades que antes estavam proibidas ou restritas.

A Secretaria de Saúde de Cabreúva informa que, no momento, a situação do município é de desaceleração de casos, pois já há 40 dias sem registro de mortes pela doença. Sobre uma possível segunda onda de infecções, o Comitê Técnico para Gerenciamento de Protocolos e Fluxo de Atendimentos do Coronavírus acompanha com apreensão o aumento de casos em outros países e até em outras regiões brasileiras.

A Prefeitura de Campo Limpo Paulista informa através da Secretaria de Saúde que os números de casos positivos da covid-19 vem diminuindo no município e que o número de mortes estagnou. Contudo, como o vírus é novo, não podem afirmar que não há chances de um surto novamente. Por isso, orientam o uso obrigatório de máscaras, álcool 70% e distanciamento social.

Procurada, a prefeitura de Louveira não respondeu até o fechamento desta edição.

 


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