Jundiaí

Empréstimo não autorizado é novo abuso contra aposentados

Empresas de empréstimos e bancos têm feito ligações incômodas e depósitos em conta


ALEXANDRE MARTINS
Edgar Brito, aposentado desde janeiro, diz que o assédio com ligações telefônicas das financeiras é constante
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

A Medida Provisória 1006/20, sancionada no dia 1º deste mês, amplia de 30% para 40% a margem de empréstimo consignado a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O novo limite vale para empréstimos concedidos até o dia 31 de dezembro deste ano.

No entanto, bancos e empresas que oferecem o crédito consignado têm agido de forma abusiva na oferta dos empréstimos e até depositado valores nas contas de beneficiários do INSS sem a devida autorização.

Segundo a chefe do Procon Jundiaí, Geslane Rosa, são várias reclamações desta natureza desde o início do mês. "Até agora foram registradas 26 reclamações de consumidores que se surpreenderam com depósitos indevidos em sua conta. Ao consultarem o INSS, se depararam com contratos de empréstimo consignados, alguns com a primeira parcela a vencer em janeiro de 2021 e outros cujo valor ainda não foi depositado em conta, mas já está provisionado o desconto da parcela", declara.

E foi exatamente isto que aconteceu com a pensionista Marina Evaristo. No dia 6 de outubro um depósito de R$ 1.733 apareceu em sua conta. "Fui na delegacia e ao Procon. Marcaram uma audiência e hoje (ontem) mandaram o boleto para estorno do valor. É uma quadrilha porque até estipularam um prazo de 10 dias para devolverem o dinheiro e eu só soube porque vi no aplicativo, mas tem muitos que não sabem ver", diz ela sobre muitos aposentados não terem acesso fácil ao saldo bancário.

Marina diz ainda que os juros eram altos. "Depositaram R$ 1.733 e eu pagaria 84 meses de R$ 40. Não queria. Fui no INSS e bloqueei direto lá para não acontecer de novo, caso eu queira um empréstimo, vou lá para autorizar", reclama.

Também sofrendo com o assédio de bancos, o engenheiro aposentado Edgar Brito diz que as ligações são constantes. "Bloqueio os números, mas ligam todo dia, pelo menos duas vezes, de manhã e à tarde. São bancos, financeiras, alguns falam que são do INSS e depois admitem que são de financeira. Certamente é um risco, não é um crédito, é uma dívida. Eu me aposentei em janeiro e, apesar de ter cadastro na internet para não receber este tipo de ligação, não funciona", diz ele que neste mês recebeu ligações quase todos os dias, inclusive aos finais de semana.

RECLAMAÇÕES

A presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Jundiaí e Região (AAPJR), Fé Juncal, diz que a unidade já recebeu muitas reclamações do tipo. "Ligações oferecendo algo já são um problema antigo, mas com a MP 1006 houve uma corrida das operadoras para oferecer empréstimos e renegociar os que já têm, aumentando o número de parcelas. Fazem parecer que o valor a mais é um favor das operadoras financeiras. Também depositam sem ter solicitação. Já chegou caso assim na associação e encaminhamos ao Procon", explica.

Ela refoçra que os recém-aposentados são muito assediados. "O governo fala em criar uma força-tarefa para combater os abusos, mas publica uma MP para uma categoria que já tem perdas financeiras. Não existe isso de depósito sem autorização e isso está acontecendo em todo o Brasil, não só em Jundiaí. Existe uma política de endividamento de idosos", diz Fé sobre a já delicada situação que aposentados enfrentam.

Geslane orienta sobre o que as pessoas devem fazer neste situação. "Ao se deparar com empréstimos que não reconhece, o consumidor deve entrar em contato imediatamente com a instituição financeira solicitando o cancelamento do contrato e caso não haja solução, deve procurar o Procon."

SERVIÇO

O consumidor pode
solicitar o bloqueio de seu
número através do site
www.naomeperturbe.com.br

 


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