Jundiaí

Em Jundiaí, cai o número de atendimentos a obesos

PROGRAMA Especialistas alertam para o sobrepeso que segue ativo desde a adolescência


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A endocrinologista Marina Jorgino fala do sedentarismo
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Os casos de obesidade no país mais que dobraram nas últimas duas décadas, em especial na população com 20 anos ou mais. Os dados foram divulgados nesta última quarta-feira (21), em uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em Jundiaí, de acordo com um levantamento realizado pela Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS), de janeiro a setembro deste ano, 494 pessoas foram identificadas como obesas ou acima do peso dentro da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) e acompanhadas por equipes médicas, contra 960 durante o mesmo período do ano passado o que significa uma queda de 48,5%.

Em contrapartida, no município, a atenção maior se deve a queda de percentuais relacionada à obesidade infantil no ano passado. A UGPS aponta que em 2019, durante a realização de programas de enfrentamento à obesidade infantil realizados em 24 Emebs com alunos de idade entre 9 e 10 anos, subiram de 27% para 34% o consumo dos carboidratos saudáveis e reduziram de 27% para 22% os carboidratos obesogênicos. No momento, houve interrupção momentânea na realização do programa devido à pandemia.

A endocrinologista Mariana Soares Dalla Mariga Jorgino, de 38 anos, docente do curso de propedêutica da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) explica que a alimentação e o sedentarismo são dois fatores agravam os casos de sobrepeso de forma geral. "O principal motivo está ligado aos hábitos alimentares. Temos hoje uma geração de pessoas que consomem mais comidas congeladas, fast-foods, ingestão de doces e optam por esse tipo de alimento devido à correria do dia a dia. Além do sedentarismo que também contribui, as pessoas não andam muito a pé, utilizam mais o carro no dia a dia", explica Mariana.

Apesar de a pesquisa apontar dados expressivos referente à população adulta estar com sobrepeso, Mariana reforça para também sobre os casos de obesidade no público infantil e adolescente. "Na população adulta o número chama atenção, mas os casos de sobrepeso em adolescente seguem os mesmos motivos, sendo sedentarismo e má alimentação e tem sido cada vez mais recorrentes. Já quanto às crianças é importante frisar que elas são influenciadas pela alimentação dos próprios pais e se ela não é saudável, pode ser um fator agravante", completa.

Reforçando o ponto de vista sobre hábitos alimentares, o endocrinologista Francisco Homero D'Abronzo, de 67 anos, coordenador do curso de endocrinologia da FMJ, ressalta para a questão do sobrepeso desde a infância. "Considerando a mudança dos hábitos alimentares de forma geral nos últimos anos, se uma criança ou um adolescente já tem sobrepeso nessas faixas etárias, é bem provável que ele chegue à fase adulta já com essas características, o que pode refletir nos dados desta pesquisa recente ", reforça.

CUIDADOS

O grande ponto relacionado à obesidade são os problemas nocivos a saúde, que vão muito além da questão estética. "Diabetes tipo 2, colesterol elevado e acido úrico são doenças com mais chances de aparecer em pessoas que estão acima do peso. Além do aumento no risco de se ter um AVC, um derrame e complicações que podem ser fatais. A obesidade não está ligada a estética, mas sim a saúde", explica Marina.

As orientações para se evitar a obesidade se resumem a prática de atividades físicas e alimentação saudável. "A busca pela perca de peso tem sido mais frequente de forma geral nos atendimentos que realizo. Uma das orientações para evitar o sobrepeso é a prática de atividades físicas. É recomendado que se realize, pelo menos, cerca de 150 minutos de atividade física por semana", diz Mariana.

D'Abronzo reforça para os cuidados com a alimentação. "O ideal é manter uma alimentação saudável, com verduras e legumes, bem como frutas, isso é um fator considerável manter a saúde em dia", ressalta.

Programas

No município é possível encontrar programas desenvolvidos com o objetivo de evitar a obesidade, muitos deles desenvolvidos na rede municipal de ensino, incentivando a pratica de esportes e a alimentação saudável. O mais recente é o programa Crescer Saudável, uma extenção do Programa Saúde na Escola (PSE), implementado em 2019.

Com a pandemia, as atividades em grupo promovidas pelos programas foram temporariamente suspensas. Os munícipes interessado em procurar apoio e acompanhamento multidisciplinar para evitar o sobrepeso podem utilizar os serviços ofertados pela UGPS com fisioterapia, acompanhamento com educador físico, acompanhamento psicólogo e nutricional, oferecidos nas Unidades de Atenção Primária a Saúde (UBS/PSF).


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