Jundiaí

Denúncias de crimes sexuais voltam a aparecer


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Angela Carero diz que denúncias geram revolta, mas estimulam vítimas
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Importunações, tentativas e estupros consumados não foram raridade recentemente na Região. Somente nas últimas semanas deste mês foram registrados pelo menos quatro casos de estupro, além de duas tentativas, e alguns casos de importunação.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado de São Paulo não fornece dados mais recentes dos registros de estupros na cidade, mas, neste ano, de janeiro a agosto, foram registrados 45 casos, sendo nove deles apenas em agosto, último mês de atualização dos dados. Aumento de 350% em relação a julho, que teve apenas dois registros. Os números até agosto, no entanto, representam uma queda de 30% em relação ao mesmo período do ano passado.

DENÚNCIAS

Além do provável aumento nos casos de estupro, importunações e tentativas também devem seguir o mesmo fluxo. Em Jundiaí, uma policial civil informou à reportagem que a quantidade de casos registrados é de fato maior, uma vez que os canais de denúncia agora estão mais amplos, tendo o atendimento presencial que volta a ter volume. O on-line foi usado massivamente na pandemia, ou seja, as vítimas têm mais opções para realizar a denúncia e a diminuição do isolamento social pode representar não o aumento de casos, mas o aumento de denúncias.

Ainda assim, as denúncias deste ano também são menores que as de anos anteriores por conta da suspensão das aulas presenciais. A maioria dos casos de estupro ocorre contra vulneráveis e a maioria dos mencionados neste mês foram registrados por mulheres maiores de idade.

Segundo a psicóloga Angela Carero, o abuso acontece desde que o mundo é mundo, mas o que acontece agora é que as mulheres e homens estão quebrando o silêncio. "Isso sempre aconteceu, mas ficava entre a família, agora, por conta do confinamento, parece que a angústia fez as pessoas denunciarem", diz ela.

A policial que falou à reportagem disse ainda que é comum o receio da denúncia, já que o que as vítimas falam em um relato virtual, costuma ser diferente do que é dito na presencialidade, sendo o virtual normalmente mais expositor.

A psicóloga afirma que o isolamento também pode ser um gatilho para os criminosos. "O fato de estarmos em confinamento não é natural para o ser humano. Esses problemas mais graves aparecem com mais saliência. Estou chamando o abusador de doente, mas não acho que ele mereça um tratamento especial, têm de ser preso como qualquer outro criminoso."

Ela lembra que o povo fica muito contrariado e isso incentiva as pessoas importunadas a quebrarem o silêncio e falarem sobre o assunto. "O grande problema que causa mais revolta é a Justiça, que é lenta, morosa, e o abusador é preso, mas depois é solto e fica muitas vezes sem punição. É preciso revolta mesmo para que o silêncio seja quebrado", diz ela sobre a comoção que acaba servindo como um incentivo para que as vítimas de crimes sexuais denunciem.


 


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