Jundiaí

Novos donos da Casa Rosa já pensam na restauração

O local foi tombado pelo Conselho Municipal do Patrimônio Artístico e Cultural (Compac)


ALEXANDRE MARTINS
Também chamada de Casarão, a Casa Rosa, fica localizada na rua Barão de Jundiaí, no Centro
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Paredes com mofo e com a pintura desgastada que, em pequenas partes, revelam o revestimento ornamentado original de 1913. O forro com falhas permitem aos visitantes ver o céu e o piso de madeira demanda passos cuidadosos e já se confunde com a vegetação do jardim de inverno que adentrou a casa.

Essa é a atual visão de quem passa pela Casa Rosa, patrimônio histórico cultural tombado em 2015 pelo Conselho Municipal do Patrimônio Artístico e Cultural (Compac), localizada na rua Barão, no Centro de Jundiaí, bem próximo ao Teatro Polytheama.

No entanto, esse cenário está prestes a ser repaginado. Isso porque após um longo período em negociação conflituosa com o antigo dono, a Casa Rosa ganhou novos proprietários dispostos não só a preservar, como também a restaurar o local.

Até então, o antigo dono pleiteava desde 2018 a permuta da casa com um imóvel público. Entretanto, com a compra, o processo foi arquivado. O gestor de Cultura de Jundiaí que tem acompanhado todo o trâmite, Marcelo Peroni, comemora a conquista para a cidade. "Com a venda do imóvel para os novos donos, nosso processo de permuta foi interrompido. Desde o início o objetivo era conservar valor histórico do local e, ao encontrarmos proprietários com esse mesmo intuito, temos aí o casamento perfeito", declara.

Há menos de um mês o casal Augusto Checchinato, de 48 anos, e Dania Checchinato, de 51 anos, adquiriu o imóvel e agora arregaça as mangas. "Antes mesmo de fecharmos negócio nós já tínhamos ciência de sua importância para a cidade. Além disso, temos experiência em restauração de imóveis e estamos dispostos a investir o que for possível na Casa Rosa", alega Dania, que também é arquiteta.

Checchinato alega que para eles, edificações antigas trazem um gosto de nostalgia. "Quando nós namorávamos íamos ao Complexo Fepasa e ficávamos admirando a arquitetura do local, inspiração que trouxemos para a nossa casa e característica que pretendemos preservar na Casa Rosa", compartilha.

A REFORMA

Como a casa estava abandonada há muito tempo, a reforma será um tanto quanto trabalhosa e cada procedimento deverá ter aprovação prévia do Compac. "É importante ressaltar que todas as alterações demandam aprovação prévia e que o investimento da obra não parte do poder público, mas sim dos proprietários. O nosso esforço é para que o local seja preservado não só pelo que representa para o passado da cidade, como também pelas experiências futuras que poderá proporcionar às pessoas que passarem por este local", reitera Peroni.

O casal afirma que está se programando e que a restauração será feita em várias etapas. "Começaremos pelos procedimentos necessários para a estabilização da estrutura da casa, que realmente não está segura e demanda cuidados. Após esta fase, apresentaremos nossa proposta ao Compac para darmos continuidade aos demais detalhes, como o estudo para o restauro da coloração original e outros processos", diz Dania.

TOMBAMENTO

De acordo com a Unidade de Gestão de Cultura (UGC), hoje Jundiaí possui mais de 100 imóveis em processo para tombamento. No entanto, além desses, entre materiais e imateriais há mais de 20 patrimônios históricos em Jundiaí, como a Ponte Torta, o Teatro Polytheama, o Complexo Argos dentre outros.

 


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