Jundiaí

Dia Nacional do Livro celebra o item cada vez mais raro

O passatempo de muitas pessoas foi substituído por plataformas on-line e os livros, antes soberanos, passam por crise


ARQUIVO PESSOAL
Neide Maso diz que a procura pelos livros foi mantida com a retirada
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

O Dia Nacional do Livro, comemorado nesta quinta-feira (29), será lembrado este ano de uma forma diferente. Mesmo em um ano com a pandemia e o aumento do tempo ocioso para algumas pessoas, os livros já não são mais procurados como antes. As páginas de papel deram lugar às versão on-line e as obras impressas lutam contra o esquecimento.

Assim como outros setores comerciais, as livrarias fecharam durante um período. No balanço do mês de abril da Associação Nacional de Livrarias (ANL), a venda teve queda de 30,6% em relação ao mesmo período de 2019. O faturamento caiu 33%, mas o setor já vinha em decrescimento e, um pequeno aumento na pandemia, não foi o bastante.

Segundo pesquisa divulgada pelo Sindicato dos Editores de Livros (Snel), entre julho e de agosto, as vendas tiveram alta de 6,8% em relação ao período anterior, entre junho e julho, apontando o quarto mês consecutivo de reação do setor. Ainda assim, o acumulado do ano ainda é negativo, seguindo a tendência dos últimos anos, já que o faturamento do mercado editorial encolheu 20% entre 2006 e 2019.

Em contrapartida, o mundo digital vem crescendo, tanto para a venda quanto para o consumo do conteúdo. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, a plataforma de e-commerce de livros Estante Virtual aumentou as vendas em 50% na pandemia, se comparado ao mesmo período do ano passado.

A pesquisa Conteúdo Digital do Setor Editorial Brasileiro, de 2019, aponta que receita do mercado editorial nos formatos de e-books e audiolivros cresceu 140% em três anos.

MERCADO

É indiscutível que a internet facilitou o acesso a conteúdos, mas segundo Mário Luiz Silveira Camargo, gerente de uma livraria do Centro de Jundiaí, as pessoas estão perdendo o costume de ler. "A pessoa, quando tinha um tempo livre, lia. Agora ela vê notícias ou redes sociais no celular. Acho que essas plataformas novas tiram o livro de cena. Tenho a impressão de que você não aumenta a quantidade de leitores vendendo livros baratos, hoje não é mais o preço, as pessoas têm acesso aos livros na internet e não leem", relata.

Ele diz ainda que não há como pensar em aumento de vendas na pandemia já que no tempo em que permaneceram fechados, as vendas foram praticamente interrompidas. "O comércio parou e a venda on-line continuou, trabalhamos com delivery, mas a pandemia não foi o bastante para mudar a crise do livro. Eu fico feliz pela livraria estar sobrevivendo há quase 38 anos", relata.

PAPEL

A professora de matemática, Laís Cera, aumentou a leitura durante a pandemia e até fez a assinatura de um box de livros. "Estou lendo bem mais durante a pandemia. Acho que isso aconteceu por causa de diversos fatores, mas principalmente por causa do estresse que está bem maior agora e encontrei na leitura uma forma de relaxar e me acalmar", diz ela.

A atendente do Gabinete de Leitura Ruy Barbosa, Neide Maso diz que a procura pelos livros se manteve. "Antes o pessoal vinha ler o jornal, revista, mas agora acho que estão mais receosos. Os associados deixam o livro reservado pelo WhatsApp e vêm só retirar."

A Biblioteca Municipal Nelson Foot ainda não voltou às atividades presenciais ou a retiradas de exemplares.

 


Galeria de Fotos


Notícias relevantes: