Jundiaí

Veganos pregam a importância da vida sem crueldade animal

SEM SOFRIMENTO No Dia Mundial do Veganismo, os adeptos compartilham seus hábitos diários e como se tornaram adeptos desse estilo de vida


ARQUIVO PESSOAL
Emília Barboza aprendeu logo cedo a respeitar a existência dos animais
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

O Dia Mundial do Veganismo será comemorado neste domingo (1) como um ato de protesto contra o consumo de produtos de origem animal. O objetivo é disseminar não só a importância de uma alimentação sem produtos de origem animal, mas lembrar que os adeptos seguem valores diferenciados.

Não há dados concretos sobre o número de veganos no Brasil, mas segundo pesquisa realizada em 2018 pelo IBOPE Inteligência, 14% da população brasileira se declara vegetariana. O impacto parece pequeno, mas para o meio ambiente, cada refeição sem carne faz toda a diferença.

A iniciativa 'Segunda sem Carne', proposta pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), sugere que ao menos um dia por semana todos deixem de consumir carne e dessa forma, cada pessoa poderia poupar a emissão de 14kg de CO2 na atmosfera, o que equivale a 100 km rodados por um carro, além de poupar 3400 litros de água, que é o mesmo que 26 banhos de 15 minutos.

A ecochef holística e aromatóloga Cláudia Maria, de 49 anos, é adepta do crudiveganismo, consome alimentos crus, e conta que a opção ressignificou sua vida. "Vejo o veganismo como uma mudança que traz um sentido bem maior a nossa existência, além do ciclo condicionado de nascer, crescer, trabalhar, adquirir, procriar, envelhecer e morrer, uma vida totalmente desconectada, formada por padrões impostos culturalmente, que nos tornam exatamente "gados" na engrenagem do sistema", declara.

Cláudia se tornou vegana em meados de 2003, mas conta que desde a infância já contestava o consumo de carne. "Sempre fui estudiosa da consciência corporal e, quando criança, contestava o consumo de animais na minha alimentação, mas era obrigada a seguir com a dieta onívora adotada pela minha família", explica.

Já adulta, durante sua gravidez, se viu diante de uma nova escolha de vida se tornando frugívora, alimentação à base de frutas, entre os anos de 1998 e 2000, época em que ainda não conhecia e nem tinha ouvido falar do veganismo.

"Também não conhecia ninguém que seguisse esse estilo de vida. A natureza daquela gravidez me conduziu por este caminho, o que resultou em nove meses de pureza, limpeza, alegria e equilíbrio, seguidos de um parto perfeito e um ano e meio de superalimento materno para minha filha, Emília", compartilha.

Criada em um ambiente onde todo e qualquer tipo de violência animal é repudiado, a aromatóloga, autodidata, artesã e filha de Cláudia, Emília Barboza, de 21 anos, é adepta do veganismo desde os 15. "O ponto de virada fui quando fui ao evento de uma ONG ativista que falava a verdade sobre a indústria do leite e dos ovos. Aquilo me chocou. Me fez perceber que o ovolactovegetarianismo ajuda um pouco, mas na verdade não de fato, pois mesmo sem comer carne e consumindo leite, ovos e seus derivados, ainda estamos financiando o indústria sanguinária, assassina e milionária que comanda as mídias e a mesas das pessoas há muito tempo. Foi quando minha ficha caiu", relembra.

REFEIÇÕES

Ainda que o veganismo contemple um conjunto de práticas diárias, a alimentação é uma peça chave e requer dedicação especial, motivo pelo qual muitos veganos recorrem ao auxílio de profissionais no preparo das refeições. A cozinheira Elisa Carlos, de 37 anos, por exemplo, prepara pratos para veganos e ressalta a importância de uma boa alimentação para a nossa vida.

"Vejo a alimentação é um ato sócio-político-cultural-ambiental. Fazemos em média 3 escolhas diárias que impactam nossa saúde, o rumo da economia, decisões políticas, a saúde e sofrimento de outras espécies, nossa relação de exploração do meio", reflete.

No entanto, a profissional ressalta a importância de pratos bem compostos para que o corpo não careça de nutrientes. "A principal escorregada nessa transição é não equilibrar bem o prato e sobrecarregar nos carboidratos. Mesmo as vitaminas do complexo B, a gente tem disponível em outras fontes que não a carne, como a spirulina.", reforça.


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