Jundiaí

Profissões em alta pós-pandemia norteiam educação do presente

MERCADO Segundo dados divulgados pelo Fórum Econômico Mundial, as áreas de tecnologia, medicina e meio ambiente ganharão ainda mais relevância


ALEXANDRE MARTINS
Cláudia Longatti diz que os profissionais da área ambiental se tornarão indispensáveis para as empresas
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Não é novidade que a pandemia desestabilizou a atividade de inúmeros setores. No entanto, após sete meses convivendo com a covid-19, já se especula como o vírus poderá interferir no futuro das profissões. Nessa semana, o Fórum Econômico Mundial (FEM) publicou um levantamento sobre os 20 setores mais promissores que poderão contribuir para a construção de uma economia mundial embasada na sustentabilidade.

No ranking em questão, a maioria dos destaques envolve as áreas de tecnologia, meio ambiente e medicina. Ainda que a princípio possam parecer segmentos desconexos, as diferentes áreas dialogam entre si e contribuem para a comunidade como um todo.

O professor de empreendedorismo da IBE Conveniada FGV, Joeval Martins, alega que, antes mesmo do final da pandemia, a revolução nos padrões de comportamento já é realidade e que esse fenômeno é tangenciado pelos recursos tecnológicos. "Quando digo isso, me refiro a algo muito além da adesão ao e-commerce ou do trabalho remoto. Estamos mudando nossa relação com o dinheiro, voltamos a confiar nas instituições bancárias e até mesmo a inteligência artificial está ganhando um novo desenho", diz o especialista, ressaltando a importância da conectividade não só no trabalho, como também no lazer e na vida pessoal.

Ele acredita que essa junção de fatores contribuirá para que cada vez mais as empresas trabalhem com a automação. "A tendência é que 99% das atividades sejam automatizadas, mas os humanos não serão dispensados, uma vez que ainda haverá a necessidade de uma avaliação criteriosa que dificilmente um robô será capaz de realizar", pontua, ressaltando o crescimento da demanda por mão de obra especializada.

"É preciso estar aberto a aprender mais sobre a sua área de atuação seja qual for seu nível de formação. Eu mesmo passo de duas a três horas por dia estudando as tendências da minha área para que eu possa sempre me manter atualizado. Afinal, se não queremos ser substituídos por robôs, não devemos trabalhar como um", reflete.

AMBIENTE E CIÊNCIA

No meio ambiente, os serviços que atrelam tecnologia à sustentabilidade se tornarão ainda mais intensos. A coordenadora do curso de gestão ambiental da Fatec Jundiaí, Cláudia Longatti, explica que a área ambiental sempre esteve ligada à tecnologia. "Da energia fotovoltaica aos sistemas de tratamento de água e esgoto tudo contribui para que caminhemos para uma realidade mais sustentável através das ferramentas tecnológicas", pontua.

Mas, além desses processos, Cláudia explica que dentro das grandes corporações, os profissionais da área ambiental também serão sinônimo de lucratividade. "Com o auxílio de profissionais capacitados, as empresas poderão deixar de ser um 'problema' no que diz respeito à degradação ambiental e poderão se tornar uma solução. Isso porque, ao serem orientadas por gestores ambientais, será possível consumir menos recursos energéticos, liberar menos poluentes e ainda estar de acordo com os passivos ambientais", explica.

Na área médica, por sua vez, ganharão força as pesquisas em torno de genes, sequências de DNA, antivirais, medicina de precisão e medicamentos órfãos, para doenças raras.

Para atender esses tópicos, a formação médica e as áreas correlatas terão que se potencializar. É o que conta a hematologista pediátrica e professora da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), Célia Martins Campanaro, de 59 anos. "As últimas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) foram aprovadas como lei em 2016 e priorizam a formação de médicos generalistas, humanizados, críticos e reflexivos. Como medicina é um curso muito prático, muita coisa será aplicada em anos seguintes a este, ao longo do curso. Esperamos que este período passe logo e da melhor maneira possível, mas acredito que a mudança de metodologias de ensino e de aprendizagem serão um grande desafio", reflete.

CURRÍCULO

Diante dessa avalanche de mudanças e adaptações, para especialistas e educadores, o desafio será entender o mercado para prover o conhecimento necessário aos profissionais do futuro utilizando as ferramentas disponíveis. Motivo pelo qual as instituições de ensino constantemente recorrem à atualização de suas grades curriculares. "O ensino está constantemente em movimento. Se o mercado muda, nós também nos adaptamos para que nossos alunos se tornem profissionais aptos a esses cargos", diz Cláudia.

Segundo a Editora The Chronicle of Higher Education, mais de 35% dos empregos no futuro vão exigir novas habilidades e 65% necessitarão de algum tipo de educação e capacitação.

Isso vale não apenas para o ensino médio e técnico, como também superior, segundo explica a reitora da Unifaccamp, Patrícia Gentil Simionato. "Prepararemos nosso alunado com novas palestras e cursos de extensões que trabalhem a gestão de pessoas, a criatividade, o pensamento crítico e a resolução de problemas complexos, todos indispensáveis nesse momento de pandemia e pós-pandemia", alega.


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