Jundiaí

Mulheres aprendem a celebrar a vida, no câncer

OUTUBRO ROSA Neste mês de conscientização sobre o câncer de mama, elas inspiram superação


ARQUIVO JJ
Paloma Costa venceu dois cânceres e hoje ajuda mais pacientes em ong, que fundou
Crédito: ARQUIVO JJ

Mulheres que recebem o diagnóstico de câncer de mama têm um baque. Por mais que seja descoberto no início e tenha boas chances de cura, o tratamento contra o câncer é doloroso, cansativo e invasivo, já que muitas das mulheres precisam fazer a mastectomia. Porém, de todo o drama vivido por estas mulheres, há as que encontrem força e coragem para superar o tratamento e o medo e ainda ajudar outras pessoas em situação semelhante.

Este é o caso da Estela e da Paloma. Duas mulheres que conhecem os receios e inseguranças do câncer, mas tiveram apoio na luta contra a doença e hoje retribuem.

A psicóloga Paloma Costa, de 40 anos, teve um câncer na coluna, superado em janeiro 2017. Porém, aproximadamente um ano depois, em 2018, recebeu o diagnóstico do câncer de mama. "No primeiro momento, quando eu recebi a notícia, foi uma sensação de sentença de morte, de que estava tudo acabado. Pela segunda vez, o tratamento seria mais agressivo. Só que eu amo viver, sou uma mulher de muita fé, mãe de dois filhos biológicos e um enteado, eu queria continuar os meus planos."

Paloma conta que o tratamento, como é de se esperar, não foi fácil. "Comecei o tratamento em março de 2018 e demorou para começar, porque eu precisava esperar resultados de exames, então eu tinha uma sensação de impotência, mas fiz tudo, corri para fazer o que fosse preciso."

"Quando chegou o prognóstico de cura, eu fiquei feliz, porque muita coisa dependia de mim, como alimentação, sempre me exercitei também. A autoestima fica alterada, a partir da segunda sessão de quimioterapia todo o cabelo cai, brinquei bastante com lenços, mas as unhas também ficam frágeis, é doloroso", diz ela, que, apesar de tudo, encarou a situação com otimismo e renomeou os processos em suas redes sociais. Sendo assim, a quimioterapia eram gotinhas de vitória e a radioterapia tornou-se raios de luz.

Com esta visão diferente, Paloma passou a ajudar as pessoas que estavam na mesma situação que ela. "Quando precisavam de apoio para algum paciente, acho que pela minha formação, sempre me chamavam e eu ia e conversava. Quando eu percebi, mesmo em tratamento, eu estava ajudando oito pessoas e quis fazer mais isso."

No início de 2019, Paloma encerrou o tratamento e fez a cirurgia de reconstrução da mama, mas, com vontade de continuar dando suporte aos pacientes oncológicos, ela fundou o Instituto Ser com Amor, em Vinhedo, uma associação sem fins lucrativos que dá suporte a pessoas maiores de 18 anos em tratamento contra o câncer. "Quis fazer isso, inclusive em gratidão à minha própria vida. Quis fazer algo maior e me apresentaram uma nutricionista, uma fisioterapeuta, uma fonoaudióloga, fui convidando pessoas para serem voluntárias. Não tinha muito dinheiro, mas paguei o aluguel do espaço e começamos."

"Hoje temos 20 voluntários de diversas áreas, psicologia, fisioterapia, educação esportiva, todos sempre com muito amor em acolher. Já acolhemos cerca de 90 pacientes. O meu objetivo é olhar para o ser humano e não para a doença. A pessoa não é o câncer, ela está com câncer, e vai passar. Se não passar, que possa ter qualidade de vida", explica.

CADA DIA

Também inspirando, a consultora de desenvolvimento empresarial, Estela Cristina de Medeiros Salvadori, de 54 anos, passou por um câncer de mama, que foi superado, mas voltou em metástase, sem cura. Mas ela não se lamenta, quer a intensidade de viver um dia de cada vez e leva isso como lema. "Em 2016 eu tive o câncer de mama, fiz a cirurgia, quimioterapia, radioterapia e tratamento com hormônios até 2017. Muitas mulheres têm medo da volta e é algo realmente raro. Eu tinha dor no olho e descobri que o câncer voltou em forma de metástase, no músculo ocular."

Mesmo sendo paciente terminal, Estela vive cada dia e não quer saber quando a vida vai, de fato, terminar. "Faço tratamento com medicamentos em casa e tomo uma injeção a cada 28 dias. Os médicos chamam de tratamento paliativo. Todo mundo acha que paliativo a pessoa vai ficar na cama, mas não é isso, é cuidar, é humanizar, é acolhimento. Às vezes, até esqueço que eu tenho câncer."

Ela diz que, como todo ser humano, tem seus medos, mas ajuda outras mulheres enfatizando a importância do autocuidado. "'Câncer' é uma palavra assustadora e eu tenho meus medos, tenho uma filha de 15 anos. Mas eu posso chorar, posso sofrer, só não posso desistir. Isso é ser forte, é também poder ser fraca e chorar, mas não desistir. Faço palestras do Outubro Rosa e faço que é preciso o cuidado. É importante se cuidar para poder cuidar dos outros", conta ela, que descobriu melhor o autocuidado com a doença, pois antes, por 36 anos viveu para o trabalho no mundo corporativo e não se dava a atenção necessária.

Hoje ela pensa apenas na vida. Viver intensa e verdadeiramente. "Uma vez vi uma frase em um restaurante, 'a vida é muito curta para tomar vinho ruim'. Eu penso isso, e o vinho pode até ser ruim, mas tem que ser com uma companhia boa, com a família, amigos. Eu sempre falava, mas nunca vivenciava, as minhas celebrações, até aniversário, eu não preciso esperar um ano para celebrar a vida."


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