Jundiaí

Dia de Finados

Entre vida eterna e reencarnação, a morte tem desfechos diferentes


ARQUIVO PESSOAL
Padre Milton
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

AndreAs religiões têm suas próprias crenças em relação a morte e hoje, ao comemorar o Dia de Finados, muitas lembram da data como forma de homenagear os entes queridos. No cristianismo, por exemplo, tanto católicos como evangélicos, acreditam no paraíso, no descanso eterno, em que a alma da pessoa viverá em plena harmonia e tranquilidade.

Já o espiritismo acredita na reencarnação. Ela acontece para que o espírito evolua conforme suas passagens na Terra, seguindo a sua respectiva missão e aprendendo a ser alguém melhor. A equipe de reportagem do JJ consultou alguns representantes religiosos para falara sobre ‘a morte’:

Cristianismo: Descanso eterno no paraíso (ou não)

Majoritariamente cristã, boa parte da população brasileira sabe o que acontece com a pessoa quando ela morre. Se ela foi boa em vida, irá para o céu. Do contrário, irá queimar no inferno, mas esse entendimento é o básico. O que poucos sabem é de onde vem essa crença, além de entenderem o porquê dos enterros de entes queridos.

O padre Milton Rogério Vicente, da Diocese de Jundiaí, foi detalhista na explicação, usando uma citação. “Senhor, para os que creem em vós, a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeito nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível”. É o que diz a liturgia da igreja. Ele enfatizou a crença de descanso eterno após a morte, dizendo que "após a morte, não voltaremos mais a outras vidas terrestres, não existe reencarnação depois da morte. A morte é um caminhar ao encontro de Jesus e entrar na Vida Eterna".

Uma dos aspectos mais lembrados do cristianismo é o velório, um momento de respeito com o corpo do ente que partiu. O padre disse que considera isso uma celebração porque "aquele corpo morto não será 'descartado', mas 'plantado', para ressurgir em Cristo Jesus".

As pessoas temem a morte e é compreensível, tanto perder a sua vida ou de alguém que ama. Padre Milton afirmou para as pessoas não terem medo, pois é a porta de entrada para uma vida melhor, uma nova fase. "Um santo bispo brasileiro, que morreu vítima da covid-19, em julho passado, Dom Henrique Soares da Costa, assim define a morte: 'A vida é uma semente. A morte não é o fim, mas um desabrochar para a eternidade, um verdadeiro nascimento. Nascemos para dizer um sim a Deus, crescermos na Fé e no amor a Deus, para um dia, na morte, podermos nos abrir para a vida que nunca se acabará”, concluiu Milton.

Espiritismo: vida nova para ser melhor

As crenças no espiritismo são semelhantes às religiões cristãs, porém a vida após a morte se diferencia. A reencarnação está presente na fé espírita, mas não é simplesmente retornar à Terra, o coordenador da Liga de Medicina e Espiritualidade da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), Eduardo Battel, explica que o Espiritismo “nos ensina que a morte não é o fim, o que morre é somente o corpo biológico”.

Battel diz que a pessoa não reencarna de uma vez. Ele vive em um lugar chamado Mundo Espiritual, considerada uma outra dimensão. “Após o desencarne, o Espírito, que é imortal, passa a viver em uma outra dimensão. Ele então permanece lá por um certo período e retorna a nascer em um novo corpo”, disse.

A religião não se limita na reencarnação. No velório, que também segue as tradições cristãs, os espíritos são responsáveis por desconectar a alma do corpo. “É importante que as pessoas presentes no velório tenham sentimentos e pensamentos bons, pois eles ajudam nesse processo”, afirmou Battel.

Ele reforçou que a perda de uma pessoa é ficar longe apenas por um tempo, ou seja, ‘crer que a nossa separação das pessoas que desencarnaram antes de nós é apenas temporária ajuda muito nisso (no processo de levar a alma)’.

Há uma razão para as pessoas voltarem em uma vida diferente. A busca pela própria melhora é o motivo para não ter apenas uma experiência. Battel explica que Deus nos oferece essa oportunidade “para que possamos evoluir para um dia chegarmos à perfeição. Ela nos evidencia como Deus é infinitamente bom, justo e imparcial, pois se não fosse assim, onde estaria a justiça?” E ele conclui falando que “a reencarnação também tem por finalidade nos pôr em condições de cumprir a nossa parte na obra da criação”.

Umbanda: a fé que abraça as outras

A religião brasileira com raízes africanas é daquelas em que todos são bem-vindos, independente da crença. A adoração pelos orixás está ligada também aos santos católicos, mas tem um motivo. No período da escravatura, com a imposição do catolicismo aos negros, eles associaram um orixá a um santo católico, para não terem a sua fé impedida.

A morte na umbanda também tem traços católicos, mas a celebração fúnebre é mediada de forma diferente. O pai de santo Alexandre Pereira explicou que, no ritual, “os parentes devem estar cientes que será propriamente umbandista”.

Além disso, ele conta que há cânticos próprios da umbanda. “Na ocasião do velório se deve colocar as guias do médium junto com o corpo. Fazemos o ritual que a pessoa pediu antes de desencarnar, ou seja, a religião abre espaço para outras crenças se manifestarem no velório. Trata de um culto ecumênico, respeitando acima de tudo a fé dos outros”, explica.

A vida após a morte na umbanda é a mesma do espiritismo, com a reencarnação em prol da evolução espiritual. “É uma continuação da vida. Temos processo de reencarnação, de resgate e prestando caridade para que possamos ganhar mais luz e também os nossos amigos espirituais que nos acompanham, que são os nossos guias”, explicou Pereira.

A morte, como já dito antes, é algo normal e natural em nossas vidas, assim como o medo e a tristeza com a chegada dela. Pessoas vêm, pessoas vão, umas antes, outras bem depois, mas essa passagem sempre estará presente. Mesmo que seja algo que assuste, ela apenas faz seu trabalho de buscar quem já deu a sua contribuição. A única solução para tirar o peso da perda sempre será o choro, a melhor forma de expressar o amor por alguém que já se foi.


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