Jundiaí

Vigias autônomos vislumbram a retomada gradual no setor

SEGURANÇA Em Jundiaí são 270 vigias credenciados pela Associação dos Vigilantes que, além de receberem credenciais, trabalham em parceria com os policiais


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Lindomar da Silva, presidente dos vigilantes, fala da queda na procura
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Muitos setores estão começando a sentir a retomada de seus serviços de forma gradual após a chegada da pandemia e um deles é o serviço de vigilância noturna, realizado por prestadores de serviços autônomos que monitoram a segurança dos bairros.

O serviço permaneceu ativo mesmo no período de pico de contaminação de covid-19 por ser considerado essencial. Segundo o presidente da Associação dos Vigilantes de Jundiaí e Região, Lindomar da Silva, de 48 anos, no início da pandemia houve uma queda brusca no setor, uma vez que muitos moradores pararam de contribuir com o pagamento dos serviços dos vigilantes.

A profissão não tem um salário fixo e depende exclusivamente da colaboração dos bairros. "Atualmente estamos vendo uma retomada na demanda do setor, porém de forma gradual. A crise econômica atingiu a todos de forma geral e isso impactou o pagamento da mensalidade dos vigias, que mesmo assim não pararam de monitorar os bairros o qual trabalham", explica.

Lindomar ressalta ainda que o credenciamento do autônomo à associação é importante tanto para o profissional quanto para os moradores. "Em Jundiaí temos 270 vigias credenciados a nossa associação. Nós somos um apoio tanto para os vigias porque emitimos as credencias deles, que garante a identificação na profissão, quanto para os moradores que podem nos procurar para tirar dúvidas ou realizar reclamações", completa.

Trabalhando como vigia há nove anos em Jundiaí, o autônomo Juliano Aires dos Santos, de 32 anos, também relata uma queda expressiva na demanda, reforça que a retomada atual garante a renda mensal suficiente para se manter.

Atualmente Santos trabalha como vigia diurno na Ponto São João e noturno no Jardim Tulipas e conta que o trabalho é essencial para garantir a segurança dos moradores. "Se o vigia faz a ronda no seu bairro, de 10 em 10 minutos, fica atento a movimentação do local garantindo e até evitando a ação de ladrões e de pessoas má intencionadas. Fazemos uma ponte também com os polícias e, quando necessário, os acionamos pois nosso trabalho se refere apenas a vigia, como o próprio nome diz", explica.

Ele reforça ainda que não há distinção de demanda referente ao horários realizado pela vigia sendo de dia ou à noite, mas o comprometimento dos moradores é o mesmo. "Quando as pessoas reconhecem nosso trabalho e se comprometem é gratificante. Não posso dizer que a noite a demanda é maior ou menor. Na Ponte São João, por exemplo, temos muitos moradores que colaboram com o nosso serviço realizado durante o dia", diz.

NAS EMPRESAS

Segundo o diretor de operações e comercial da empresa Delphos de Segurança, Facilities e Recursos Humanos de Jundiaí Maurício Carraro, de 46 anos, a demanda de serviços em relação à segurança e vigilância privada aumentou cerca de 18 a 20% este ano em comparação com anos anteriores. Para ele tanto o setor de segurança empresarial quanto condominial ficaram mais exigentes e solicitaram mais o serviço. "Esse aumento na demanda está atrelado à pandemia, uma vez que os condomínios passaram a contar com maior número de pessoas em tempo integral e as empresas dispensaram funcionários com a paralisação dos serviços o que exigiu maior segurança desses espaços", explica.

Maurício ressalta ainda que essa demanda refletiu também na questão da empregabilidade e capacitação dos funcionários. "Podemos dizer que dois pontos interferiram nesses dois fatores. O primeiro ponto é que o mercado exigiu mais o serviço de segurança e houve necessidade de manutenção na reposição de funcionários que ficaram doentes ou afastados. Além disso, os treinamentos se segurança e orientações foram intensificados e a tendência é continuar em crescimento", diz Carraro.

Beneficiado pelo boom da demanda no setor privado, o vigilante Davi Rodrigues Januário, de 40 anos, conseguiu uma recolocação no mercado. Diferente do posto de vigia, o profissional possui porte de arma para realizar suas rondas, sejam elas em empresas ou em condomínios residenciais. Com cinco anos de experiência na área da vigilância e contratado há um mês pela Delphos, atualmente Januário realiza segurança empresarial. "Recebi uma grande oportunidade e notei que houve uma mudança nesse setor em relação às orientações voltadas para o cumprimento de normas de medidas sanitárias, devido a situação atual da pandemia", diz

A expectativa é que o setor continue em expansão e do ponto de vista de Januário. "A necessidade de controle de acesso aumentou, dentre outros cuidados, e pelo que vejo a tendência é continuar assim, a segurança de forma geral é essencial." completa.


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