Jundiaí

Pais apostam na criatividade para incentivar a alimentação saudável

EDUCAÇÃO ALIMENTAR Especialistas da área da saúde afirmam que os bons hábitos alimentares devem ser nutridos pelos pais dentro de casa desde a infância


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Camila Bastos transmite à filha Catarina bons hábitos alimentares
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Em isolamento social, muitos utilizaram o tempo extra em casa para cuidar da alimentação com atenção especial. Estudo realizado pela Nutrinet Brasil mostra que o consumo de frutas, hortaliças e feijão tiveram aumento de 40,2% para 44,6% durante a pandemia da covid-19.

Para os pais, manter dentro de casa uma rotina alimentar saudável é imprescindível para que os filhos aprendam desde pequenos a comer bem. A analista de marketing, Giovana Eloiza Silva, de 24 anos, faz questão de preparar refeições ricas em nutrientes para o pequeno Augusto Sernaglia Di Biagio, de 1 ano e 7 meses. "Notei que refeições simples fazem com que o Guto tenha maior interesse pela comida do que quando componho pratos elaborados. Por isso, eu preparo pequenas porções trituradas de espinafre, beterraba e outros legumes e as uso para turbinar os pratos do dia a dia, como o arroz, o macarrão e até mesmo alguns molhos", compartilha.

A nutricionista Silem Oliveira, de 43 anos, alega que a boa alimentação da criança contribui para o crescimento saudável e, principalmente, para evitar possíveis doenças causadas ao longo da vida. "O consumo de fast food e a correria do dia a dia podem perpetuar maus hábitos alimentares e mais do que isso, podem servir de mau exemplo para nossos filhos, por isso temos que ser referência para eles no dia a dia.", pontua.

Ciente disso, Giovana faz questão de comer junto com o filho. "Eu acredito em comer igual, por isso sempre monto nossos pratos de forma semelhante, só que em porções diferentes. Se você não se alimentar bem, há 90% de chance do seu filho seguir o mesmo padrão comportamental. Afinal, como vou fazer ele comer brócolis se eu mesma odiar? Mas no caso, eu amo e ele também", brinca.

A publicitária, blogueira e dona de casa, Camila de Cássia Bastos Pagamisse, de 40 anos, possui em casa um desafio em dose tripla: o de prover a educação alimentar da Catarina, do Daniel e do Gabriel, que possuem respectivamente 1, 9 e 16 anos. "Procuro sempre proporcionar uma alimentação variada e completa a eles. Assim, na maioria das refeições seleciono uma proteína, um legume, uma verdura e uma fonte de carboidrato", pontua, dizendo ainda que os pequenos não dispensam uma boa fruta no intervalo das principais refeições.

Além disso, Camila faz o possível para que os filhos entendam que o consumo de doce deve ser comedido. "Sou do time das mães que não deixa comer doce antes dos dois anos. Fiz isso com os meninos e mantenho com a Catarina. Acho importante também regular o sal nos alimentos para que ela perceba o sabor natural de cada um e não camuflado, como o excesso de sal e açúcar fazem, além de problemas ocasionados por eles", reflete.

Silem explica que, sempre que possível, os pais devem incentivar os filhos a consumir alimentos que possuam adocicado natural. "O melhor açúcar nessa idade é a frutose da própria fruta, após essa idade podemos apresentar alguns doces, mas com cuidado e moderação, sem exageros e em datas especiais", diz.

COZINHA DIVERTIDA

Para deixar as refeições ainda mais divertidas, vale tudo, inclusive usar e abusar da criatividade. É o que conta a dietoterapeuta e professora de gastronomia do Senac Jundiaí, Renata Dake. "Convidar a criança a fazer parte da elaboração das refeições de casa é uma ótima pedida, desde ajudar na cozinhar até ir ao mercado buscar os ingredientes, mas claro, sempre respeitando as limitações de cada idade, com relação a objetos que possam machucar ou ao fogo", reitera, alegando que a experiência sensorial da criança com o alimento faz toda a diferença: sentir o cheiro, ver as cores, descobrir a crocância de cada um dos ingredientes.

Outra possibilidade é criar brincadeiras interativas para entreter a criança. "Por que não inventar uma história e construir o cenário com os alimentos? Os brócolis podem ser as árvores, cenouras raladas podem se tornar flores e por aí vai", sugere a especialista.

 


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