Jundiaí

Organização é fundamental para garantir aprendizagem

Adaptação tem sido a palavra que define o processo de estudo a distância de todos os alunos desde março


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Tatiane Rego diz que estabelecer uma rotina foi fator fundamental
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Adaptação tem sido a palavra que define o processo de estudo a distância de todos os alunos desde março após a chegada da pandemia. Segundo levantamento realizado pela Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed) sobre as atividades remotas na educação, 67% dos alunos se queixam de ter dificuldade em estabelecer e organizar uma rotina de estudos em casa. A organização é um fator fundamental e essencial para garantir o aprendizado de forma íntegra nos estudos on-line.

Para o professor de geografia e membro da equipe pedagógica da Fundação Antônio Antonieta Cintra Gordinho (FAACG) de Jundiaí, Bruno Felippe Vieira, de 36 anos, a organização faz parte do processo de aprendizagem do aluno. "Após a pandemia, a questão da organização se acentuou ainda mais, se faz mais necessária, já que o aluno não está mais na sala de aula e não tem o acompanhamento presencial do professor nas atividades que realiza", explica.

Vieira reforça ainda que, neste novo processo de estudos remotos, o papel da família é fundamental e deve se fazer presente. "O objetivo não é fazer com que os pais assumam o lugar do professor e ensinem os filhos, mas é criar contextos, espaços que possibilitem o aprendizados do filho", completa.

Para os alunos que tiveram ou ainda têm dificuldades de se organizar, o professor dá algumas orientações. "O Google é uma ferramenta excelente. Podemos organizar salas de aula e agendar alarmes no celular", orienta.

Adaptação

A secretária executiva Tatiane Souza da Silva Rego, de 39 anos, vivenciou esse processo de adaptação e consolidação da organização em casa com seu filho Felipe Henri da Silva Rego, de 15 anos, que está cursando o nono ano do ensino fundamental. "Nos primeiros meses, o Felipe sentia que estava de férias, ficava mais tempo no celular, ia dormir um pouco mais tarde, e tinha dificuldade para levantar no dia seguinte para assistir as aulas. A implementação de uma rotina similar a que ele tinha antes junto às nossas orientações fez com que aos poucos ele mudasse seus hábitos e engajasse no processo de auto-organização", explica.

Tatiane conta ainda que sua filha mais velha, Luana Gabrielly da Silva Rego, de 19 anos, que está cursando o segundo ano do curso técnico de administração, não teve problemas com a rotina de estudos, apenas passou por um processo de adaptação como todos, logo no início da pandemia.

A assistente social Luciana Roseiro, de 41 anos, também auxiliou seus filhos Davi Henrique Roseiro de Almeida, de 11 anos, no quinto ano do ensino fundamental I na rede municipal de ensino e Pedro Augusto Roseiro de Almeida, de 13 anos, no oitavo ano do ensino fundamental na rede particular, no processo de organização. "O Davi tem autismo de intensidade leve, então entender que tínhamos que estudar em casa e fazer as atividades nos horários certos foi um processo de adaptação constante. Já o Pedro, além da questão da novidade do ensino on-line, teve que se adaptar à mudança brusca de conteúdo já que saiu da rede pública para a privada", explica.

Retomada

Tatiane relata ainda que a escola de Felipe teve um papel fundamental na questão de orientação, o que também ajudou o filho nos estudos a distância. O foco agora é na retomada do ano que vem com um sistema híbrido entre aulas presenciais e on-line. "O Felipe está com saudades da escola e dos amigos. A ansiedade é algo que vamos ter que trabalhar para lidar com essa expectativa de seguir as normas do modelo presencial", acredita.

Para Luciana, a retomada presencial é algo necessário, por isso vêm conversando com os filhos e preparando eles para esse momento. "Para o ano que vem, o sistema será o mesmo, e quanto à retomada presencial, estamos zelando pela conversa enquanto as coisas ficam meio incertas por conta da pandemia", diz Luciana.

O professor Vieira ressalta que é importante encarar que o sistema misto de aulas é uma realidade, mas exige conscientização. "É preciso dar um passo de cada vez, controlar a ansiedade e entender que a participação dos pais é fundamental em todo esse contexto", diz Vieira.

 


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