Jundiaí

Filas em serviços essenciais já se tornaram 'normais'

ESPERA Atendimento enxuto e limite de acesso contribuem para as extensões métricas nas calçadas


alexandre martins
fila
Crédito: alexandre martins

Lotéricas, Correios e bancos, considerados serviços essenciais desde o início da pandemia, têm filas maiores que as costumeiras, não só pelo espaçamento exigido entre um e outro, mas também por conta das restrições para o atendimento. Mesmo com a retomada gradual e mudança de fase, alguns funcionários precisaram ser afastados por serem de grupo de risco, o que diminiu o número de atendentes. Por outro lado os próprios estabelecimentos reduziram a capacidade total de clientes dentro dos espaços para evitar as aglomerações. Resultado? Filas nas calçadas.

A aposentada Irene Spina, de 79 anos, aguardava na fila de uma agência bancária há 40 minutos, mas já previa que ainda haveria demora até que conseguisse o atendimento. "É o fim do mundo. É a ditadura do banqueiro. Não tem fila preferencial para entrar na agência e não adianta nada não poder entrar todo mundo lá. Aqui fora a aglomeração não tem importância? Você fica cansada, no calor, é o fim da picada. Tem que deixar entrar, senta um longe do outro e ninguém se falando de perto", desabafa.

Com problemas no joelho e sem poder ficar muito tempo em pé, ela fala que nos bancos as filas são as piores. "Fico brava com o banco. No mercado, se você vai em um horário mais tranquilo, não tem tanta fila, porém banco é o pior", reclama.

Em março, os bancos tinham reduzido o horário para até as 14h. No entanto, Banco do Brasil, Itaú e Santander já atendem hoje até as 15h.

Em uma outra agência, o aposentado Airton Dias de Oliveira, de 68 anos, lamenta o fato dos aposentados precisarem esperar tanto. "Não é justo isso porque ocupa muito tempo das pessoas, principalmente dos idosos que têm que enfrentar isso. Neste horário, de tarde, não tem preferencial na fila e tem muito cliente. É muita gente para ser atendida e pouca para atender", reclama.

Usuário periódico dos Correios, o auxiliar administrativo Guilherme Prado conta que as filas grandes são constantes. "Estão maiores na pandemia. Já cheguei a ficar 4h30 na fila para ser atendido, das 8h às 12h30. Venho sempre por causa do trabalho e hoje (ontem) a fila está mais curta se comparada a outros dias", conta ele, que também percebe filas grandes na Agência da Caixa Econômica Federal da Avenida Jundiaí, próxima ao seu trabalho.

DO OUTRO LADO

Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o Banco Central normatizou o funcionamento das agências operantes no país através de uma circular publicada no dia 19 de março, que estabelece o horário diferenciado de atendimento ao público e a redução no número de clientes dentro das agências enquanto perdurar a pandemia.

A Febraban diz ainda que, por mais que a tecnologia permita o acesso aos serviços bancários pelos canais digitais, milhões de pessoas sentem a necessidade do atendimento nas agências bancárias e que o atendimento interno segue as orientações das autoridades sanitárias e de saúde e as recomendações do Banco Central.

O atendimento exclusivo a idosos, gestantes e pessoas portadoras de deficiências ocorre das 9 h às 10 horas. Estados e municípios também têm medidas sanitárias distintas e os bancos devem conciliá-las.

Segundo os Correios, desde o início da pandemia, a empresa teve um aumento significativo no volume de postagens de encomendas, especialmente em razão do crescimento das compras e vendas pelo e-commerce.

Somado a isto, algumas agências foram fechadas em Jundiaí, mas a estatal explica que está readequando a rede de agências para oferecer diferentes canais de atendimento aos clientes, mais adequados a cada localidade e público.

 


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